Cometa 3I/ATLAS tem grãos de gelo misturados com poeira segundo o James WebbPor Luís Henrique Costa
3 min de leitura
![]() |
Um visitante vindo de outro sistema estelar tem grãos de gelo de água misturados diretamente com poeira, uma estrutura que não aparece em cometas formados no Sistema Solar. O objeto, chamado 3I/ATLAS, chegou à menor distância da Terra em 19 de dezembro de 2025.
A descoberta foi divulgada em 2 de novembro de 2026 no periódico The Astrophysical Journal Letters. A pesquisa foi coordenada por cientistas do Southwest Research Institute, instituição sediada nos Estados Unidos. Os dados dos instrumentos infravermelhos do observatório indicam que o visitante se formou no disco de gás e detritos de uma estrela jovem, ainda na infância da Via Láctea, antes de ser lançado ao espaço profundo por interações gravitacionais extremas.
Sinal espectral único separa o visitante dos cometas do Sistema Solar
Ao captar a luz refletida pela nuvem de gás e poeira que envolve o núcleo, o telescópio registrou um padrão fora do usual. Cometas nascidos no Sistema Solar exibem três marcas de absorção causadas pelo gelo de água puro. No 3I/ATLAS, porém, apareceu somente uma dessas assinaturas.
Simulações computacionais da equipe mostraram o motivo: as partículas de gelo estão fortemente contaminadas por poeira cósmica, ao contrário dos corpos congelados vizinhos do Sol. Essa mistura explica por que a assinatura luminosa ficou tão diferente do padrão conhecido.
Saiba mais: Cometa interestelar 3I/Atlas cruza o Sistema Solar a 30 km/s
Idade, origem e parentesco do objeto com outros visitantes
- Idade estimada: superior a 10 bilhões de anos, mais que o dobro da idade do Sistema Solar.
- Composição: alta concentração de dióxido de carbono congelado e compostos orgânicos ricos em carbono.
- Posição na lista: terceiro objeto de origem externa ao Sistema Solar registrado por astrônomos, depois de 1I/’Oumuamua e 2I/Borisov.
A assinatura química se parece com a de objetos transnetunianos, grupo de corpos gelados que ficam nos limites extremos do Sistema Solar, além da órbita de Netuno. A grande presença de dióxido de carbono sugere que o corpo reuniu seus materiais nas regiões mais remotas e frias da estrela de origem.
Veja também: Cometa 3I/ATLAS chega a 1,82 bilhão de km da Terra com gás lento
Para os astrônomos, o 3I/ATLAS pode ser um fragmento expelido após a colisão e a destruição de um corpo gelado bem maior. A forma como os grãos empoeirados se juntaram indica que a formação de novos planetas segue regras fundamentais parecidas em diferentes regiões da galáxia.








