Gucci tem queda de 6% no 3º trimestre e luxo perde força para o vintagePor Luís Henrique Costa
4 min de leitura
|
A Gucci registrou queda de 6% nas vendas comparáveis no terceiro trimestre de 2026, e a divisão de moda e artigos de couro da LVMH recuou 5% no mesmo período. Os dados aparecem na coluna de opinião do colunista Daniel Mafra, publicada neste domingo (8), que analisa a desaceleração do luxo tradicional e o avanço do mercado vintage.
Segundo o texto, a fórmula que transformava tradição em desejo, desejo em exclusividade e exclusividade em preços mais altos já não funciona com a mesma facilidade. O colunista afirma que o problema não é o fim do luxo, mas o fim de uma ideia específica de prestígio, baseada apenas no aumento de preço.
Kering: receita estável e plano de fechamento de lojas
Em 22 de outubro de 2026, a Kering divulgou os resultados do terceiro trimestre. A receita do grupo ficou estável em base reportada e caiu 1% em base comparável. O presidente-executivo (CEO) Luca de Meo, em tradução livre, afirmou que “a recuperação da Gucci continua sendo nossa principal prioridade”. Ele também declarou que a receita do terceiro trimestre reflete o ritmo que a empresa havia previsto, em um ambiente macroeconômico mais fraco.
Relembre: Ações da Kering disparam com chegada de Luca de Meo
O grupo também ampliou o plano de fechamento de lojas. Até setembro de 2026, a Kering contabilizava 105 fechamentos líquidos de lojas. A previsão é de pelo menos 125 lojas a menos até o fim de 2026, segundo a própria empresa.
- Receita da Kering no terceiro trimestre de 2026: € 3,35 bilhões
- Receita da Gucci no terceiro trimestre de 2026: € 1,29 bilhão
- Vendas comparáveis das lojas próprias da Gucci, incluindo e-commerce: -9%
- Atacado da Gucci em base comparável: +45%
- Divisão de Moda e Artigos de Couro da Kering: € 2,74 bilhões, com -3% em base comparável
- Kering Jewelry: € 239 milhões, com +11% em base comparável
- Divisão de óculos da Kering: € 373 milhões, com +4%
Gucci: lojas próprias caem e atacado sobe 45%
Nas lojas próprias da Gucci, incluindo o e-commerce, as vendas comparáveis caíram 9%. A Kering atribuiu o resultado a um menor fluxo de clientes na China continental e no Japão. O atacado, por outro lado, subiu 45% em base comparável, a partir de uma base de comparação baixa.
Relembre: Ações da Kering sobem com aposta em De Meo para revitalizar Gucci
No segundo trimestre de 2026, a queda da Gucci havia sido de 2%, e o grupo registrou seu primeiro crescimento de vendas em três anos. A Kering afirma que a marca acumula mais de três anos de queda de vendas. Segundo o grupo, a Gucci gerou cerca de 40% da receita da Kering no terceiro trimestre.
LVMH: moda e couro recuam 5% no terceiro trimestre
Em 12 de outubro de 2026, a LVMH informou que as vendas orgânicas de sua divisão de moda e artigos de couro caíram 5% no terceiro trimestre. O resultado reverte o crescimento registrado no segundo trimestre.
Coluna sobre vintage não traz dados oficiais de mercado
A coluna de Daniel Mafra associa a queda das grandes marcas à busca do consumidor por experiências, viagens e peças com história. O autor cita a escolha de uma peça vintage da Calvin Klein por Silvia Braz em Nova York. A apuração não verificou esse episódio, e a coluna também cita queda de 4% na receita das relojoarias da Richemont no exercício encerrado em março de 2026, dado que também não foi confirmado.
As afirmações sobre desejo do consumidor, jovens europeus e mercado vintage são interpretação do colunista. Não foram encontrados dados oficiais sobre o tamanho do mercado vintage e de revenda, no Brasil ou no mundo, nem dados de vendas de outras marcas de alto luxo citados de forma genérica no texto.






