O Flamengo deu mais um passo decisivo em direção à construção do seu estádio próprio no terreno do antigo Gasômetro, no Rio de Janeiro. Na última sexta-feira, o clube acertou o pagamento da diferença exigida após a perícia judicial, que avaliou o valor do terreno em R$ 176 milhões. O clube carioca já havia depositado anteriormente R$ 138.195.000,00 e completou o montante com um depósito de R$ 7.885.000,00, correspondente ao domínio útil de 83% do terreno.
Perícia e valores envolvidos
A perícia solicitada pela Justiça determinou que os 86.592,30m² do terreno valem R$ 176 milhões. No entanto, como o Flamengo adquiriu apenas o domínio útil, equivalente a 83% do valor total, a indenização ao Fundo de Investimento Imobiliário Porto Maravilha, administrado pela Caixa Econômica Federal, foi calculada em R$ 146.080.000,00. Com a diferença quitada, o Flamengo está mais próximo de assumir a posse definitiva do terreno.
O clube, porém, ainda enfrenta desafios para tomar posse da área. Embora a 8ª Vara de Fazenda Pública da Comarca da Capital tenha homologado a venda, a competência para emitir a imissão de posse foi transferida para a Justiça Federal. A Caixa Econômica Federal e a União Federal contestam a legalidade do leilão, o que ainda impede a liberação completa da área para o Flamengo.
Clima de otimismo na Gávea
Apesar das pendências judiciais, o clima na Gávea é de otimismo. A própria Justiça Federal, que agora conduz o caso, foi responsável por garantir a realização do leilão ao derrubar uma liminar que suspendeu o processo no final de julho. Internamente, o Flamengo acredita que um acordo com a Caixa Econômica pode ser alcançado, o que aceleraria o processo de imissão de posse. Além disso, o clube conta com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que poderia ser uma peça-chave na resolução do impasse.
O Flamengo argumenta que a valorização da área e o potencial construtivo dos terrenos ao redor serão benefícios diretos para a Caixa, o que poderia facilitar um entendimento entre as partes. O clube espera que, com o avanço das negociações, possa iniciar o quanto antes as obras do tão sonhado estádio, que tem previsão de conclusão até o final de 2029.
Descontaminação do terreno e custos adicionais
Um dos desafios mais significativos para o Flamengo é a descontaminação do terreno, que abrigou o Gasômetro do Rio de Janeiro por quase um século. A área foi utilizada para o fornecimento de até 180 mil m³ de gás por dia, o que acabou contaminando o solo com resíduos poluentes. O clube estima que a descontaminação custará cerca de R$ 20 milhões.
Há a possibilidade de que o Flamengo recorra à Justiça para obter um desconto no valor final da compra, caso consiga comprovar os custos elevados para tornar o terreno apto para construção. Esse tipo de processo já foi adotado pela prefeitura do Rio de Janeiro em relação à área onde foi construído o Terminal Gentileza, próximo ao local onde o Flamengo planeja erguer seu estádio.
Próximos passos e expectativas
Enquanto aguarda a resolução das questões judiciais, o Flamengo continua avançando nos planos para seu estádio próprio. O projeto é visto como essencial para a modernização do clube e para a ampliação de sua receita, com o potencial de transformar a região do Porto Maravilha em um novo polo de desenvolvimento urbano no Rio de Janeiro.
Com a expectativa de que o processo de imissão de posse seja concluído em breve, o Flamengo já começa a desenhar os detalhes do projeto arquitetônico e os planos de financiamento para as obras. A construção do estádio é uma das principais prioridades da atual gestão, que vê na nova arena um símbolo da força do clube e um marco para a sua história centenária.
