O estado de São Paulo enfrenta uma nova onda de mpox, com 477 casos registrados até o início de setembro. Desses, 88% estão concentrados em apenas cinco cidades, destacando a capital paulista, que sozinha contabiliza 321 diagnósticos, uma liderança isolada no surto da doença. Outras cidades como Santo André, Campinas, Osasco e São José dos Campos também somam casos significativos.
A Secretaria Estadual da Saúde aponta que, apesar da alta concentração em poucas localidades, a doença continua sendo monitorada de perto em todo o estado. O cenário, porém, exige atenção redobrada, principalmente após o alerta epidemiológico emitido no fim de agosto, que intensifica as ações de vigilância.
A distribuição dos casos nas cidades paulistas
Com mais de 300 casos, a cidade de São Paulo se tornou o epicentro da mpox no estado. Na sequência, Santo André registra 30 casos, Campinas contabiliza 29, Osasco chega a 20, e São José dos Campos totaliza 19 casos confirmados. Esses cinco municípios concentram quase todos os diagnósticos, o que reforça a necessidade de vigilância específica nessas regiões.
O Hospital Emílio Ribas, na zona oeste da capital, é considerado a principal referência no atendimento aos casos mais graves da doença. Além disso, todas as unidades de saúde estaduais foram orientadas a intensificar o monitoramento e o acompanhamento de novos pacientes.
Vacinação e medidas de prevenção
A vacinação contra a mpox foi oferecida em São Paulo no início de 2024, com foco em grupos de risco, mas os estoques de vacinas se esgotaram rapidamente, forçando a interrupção da campanha. Com o aumento dos casos, o governo ainda não anunciou novos lotes, mas a Secretaria da Saúde reforça a importância das medidas preventivas.
Entre as principais formas de prevenção estão evitar contato íntimo com pessoas que apresentem lesões suspeitas na pele, manter higiene constante das mãos e não compartilhar objetos pessoais, como roupas de cama, toalhas e talheres.
Sintomas e formas de transmissão
A mpox, conhecida anteriormente como varíola dos macacos, é transmitida principalmente por meio de contato direto com as lesões cutâneas de pessoas infectadas. Além disso, a transmissão também pode ocorrer por gotículas respiratórias, embora seja uma via considerada menos comum pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Os sintomas iniciais incluem febre, cansaço, dores musculares, inchaço nos linfonodos, além de erupções cutâneas características que surgem após o quadro febril. Em alguns casos, a doença pode evoluir para complicações mais graves, especialmente em pessoas imunossuprimidas.
Alerta epidemiológico e números de 2024
Em agosto, as autoridades emitiram um alerta epidemiológico para reforçar a necessidade de diagnósticos rápidos e a intensificação das medidas de vigilância. A mpox teve seu pico em 2022, quando São Paulo registrou mais de 4 mil casos, mas o número de 2024, embora inferior, ainda preocupa as autoridades devido à alta concentração de casos em regiões urbanas.
O novo surto se dá em um momento em que a transmissão, segundo a Secretaria da Saúde, apresenta uma tendência de redução em comparação aos anos anteriores, embora a atenção deva ser mantida, principalmente em áreas de alta concentração populacional.
O papel da OMS e a situação global
No contexto internacional, a Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda considera a mpox uma emergência de saúde pública, dada sua rápida disseminação em várias regiões do mundo. Países africanos têm enfrentado variantes mais agressivas da doença, e especialistas alertam para a possibilidade de mutações, o que pode acelerar a transmissão e dificultar o controle.
Embora a situação global tenha variado, a OMS reforça que as estratégias de prevenção e diagnóstico precoce são as principais armas contra a propagação do vírus. No Brasil, essas orientações têm sido seguidas, mas o monitoramento contínuo é crucial, especialmente em um estado com uma densidade populacional alta como São Paulo.
Projeções e desafios
Apesar da diminuição em relação ao pico de 2022, a concentração de casos em São Paulo e o esgotamento de vacinas em algumas regiões levantam preocupações sobre a continuidade da resposta à doença. O governo estadual não anunciou ainda novas campanhas de imunização, o que pode ser um desafio diante da alta demanda por prevenção.
Especialistas alertam que, embora a situação esteja controlada, o aumento dos casos em cidades específicas exige que as autoridades de saúde mantenham o foco nas medidas de contenção, além de garantir que mais pessoas em grupos de risco sejam vacinadas assim que novos lotes estiverem disponíveis.
