A corrida eleitoral para a prefeitura de São Paulo segue acirrada, com as pesquisas mais recentes mostrando uma disputa extremamente competitiva entre os principais candidatos: Ricardo Nunes (MDB), Guilherme Boulos (PSOL) e Pablo Marçal (PRTB). Cada um dos três tem adotado estratégias específicas para conquistar o eleitorado da maior cidade do Brasil, com resultados variados nas diferentes pesquisas divulgadas ao longo de setembro de 2024.
As oscilações entre os principais candidatos
De acordo com os dados mais recentes do Instituto Futura, Ricardo Nunes ocupa a liderança com 26,4% das intenções de voto, seguido de Pablo Marçal, que registra 22,8%, e Guilherme Boulos com 22%. Essa pesquisa, realizada entre os dias 9 e 11 de setembro, aponta uma leve oscilação em relação aos levantamentos anteriores. Nunes, que apareceu tecnicamente empatado com Marçal na semana anterior, agora se descola do segundo colocado, enquanto Marçal perdeu cerca de 3,4 pontos percentuais. Boulos, por outro lado, conseguiu uma leve recuperação de dois pontos.
Outras pesquisas, como a realizada pela Quaest, confirmam a tendência de empate técnico entre os três candidatos, com diferenças mínimas nas porcentagens de intenção de voto. Nesse cenário, a campanha eleitoral de cada um deles tem sido marcada por mudanças de estratégia para conquistar fatias específicas do eleitorado.
Estratégias e desafios das campanhas
Ricardo Nunes, atual prefeito de São Paulo, tem se focado em consolidar seu crescimento entre os eleitores das classes mais baixas e nas periferias da cidade. Seu discurso tem sido voltado para destacar as ações e obras realizadas em seu mandato, principalmente nas regiões mais pobres. Além disso, Nunes conta com uma ampla presença no horário eleitoral, possuindo cerca de 65% do tempo de propaganda na televisão, o que tem sido um fator crucial para aumentar sua visibilidade e aprovação.
Pablo Marçal, que começou a campanha com forte presença nas redes sociais e apoiadores, enfrenta o desafio de ampliar sua base eleitoral além dos segmentos que já o apoiam. Marçal busca conquistar votos nas periferias, onde Nunes tem dominado, além de tentar capitalizar a rejeição a outros candidatos e consolidar-se como uma opção de “fora do sistema”. No entanto, o influenciador vem enfrentando uma queda nas pesquisas, atribuída em parte ao episódio polêmico com o jornalista José Luiz Datena durante um debate televisionado. Marçal aposta agora na retórica de que é “ele contra todos”, uma estratégia que pode atrair eleitores insatisfeitos com os candidatos tradicionais, mas que também carrega o risco de gerar cansaço no eleitorado.
Guilherme Boulos, por sua vez, tem focado sua campanha em uma postura mais moderada, buscando atrair o eleitorado de centro e ampliando sua base. Historicamente associado a posições mais à esquerda, Boulos tenta construir uma imagem menos radicalizada, apostando na trajetória de sua candidata a vice, Marta Suplicy, que foi prefeita de São Paulo e mantém alta popularidade por suas realizações no passado, como a criação dos CEUs (Centros Educacionais Unificados) e a implementação do Bilhete Único. Essa estratégia tem sido vista como uma aposta de Boulos no segundo turno, quando os candidatos tendem a moderar suas posturas para atrair eleitores indecisos e de centro.
Simulações de segundo turno
As simulações de segundo turno, realizadas pelo Instituto Futura, indicam que Ricardo Nunes teria boas chances de se reeleger caso enfrente tanto Pablo Marçal quanto Guilherme Boulos. Em um cenário entre Nunes e Boulos, o prefeito obteria 52,6% dos votos, contra 26,8% do deputado federal. Já contra Marçal, Nunes registraria 49,3% das intenções de voto, mantendo uma vantagem confortável sobre os 28,9% de Marçal.
Em uma eventual disputa entre Boulos e Marçal, o candidato do PSOL também sairia na frente, com 40,3% dos votos, contra 37,5% de Marçal. Contudo, vale ressaltar que ambos os cenários são considerados empates técnicos, devido à margem de erro das pesquisas, o que demonstra o nível de competitividade da eleição.
O impacto da propaganda eleitoral
A campanha eleitoral de 2024 em São Paulo tem sido fortemente marcada pela propaganda na televisão e no rádio, que começou em agosto. Ricardo Nunes tem se beneficiado de seu amplo tempo de exibição, usando esse espaço para reforçar suas realizações como gestor público e promover suas propostas de continuidade para a cidade. Seu foco tem sido principalmente as regiões mais periféricas, onde seu desempenho nas pesquisas é mais forte. A campanha busca também aumentar seu apoio entre o eleitorado feminino e de baixa renda, segmentos que historicamente tendem a decidir seu voto mais próximo da data da eleição.
Pablo Marçal, com um tempo de propaganda mais limitado, tem apostado nas redes sociais e em aparições públicas para manter sua relevância na disputa. Contudo, sua retórica polarizadora e os constantes ataques recebidos de seus adversários podem estar contribuindo para o aumento de sua rejeição, especialmente entre os eleitores de classe média.
Boulos, por sua vez, tem usado sua campanha televisiva para apresentar-se como uma figura de união, que pode atrair eleitores de centro, ao mesmo tempo em que tenta manter o apoio de sua base de esquerda. Além disso, ele tem explorado a popularidade de Marta Suplicy para relembrar os eleitores das políticas públicas implementadas em sua gestão como prefeita, como uma forma de reforçar sua experiência e viabilidade como candidato.
Expectativas para as próximas semanas
Com a reta final da campanha se aproximando, os candidatos se preparam para intensificar suas ações e definir suas estratégias para garantir uma vaga no segundo turno. Para Ricardo Nunes, a aposta é continuar mostrando suas realizações e ampliando sua base entre os eleitores mais pobres. Marçal, por sua vez, precisa encontrar uma nova abordagem para estancar a queda nas pesquisas e reconquistar eleitores, enquanto Boulos tenta consolidar-se como a principal opção da esquerda e conquistar o apoio de eleitores indecisos e de centro.
A eleição de 2024 em São Paulo segue sendo uma das mais disputadas dos últimos anos, e o resultado ainda é imprevisível, com os três principais candidatos tecnicamente empatados e com margens de erro muito próximas. Os próximos debates e as novas pesquisas eleitorais serão cruciais para determinar os rumos da campanha e apontar quem realmente terá chances de chegar ao segundo turno.
