A Red Bull vive uma crise na Fórmula 1, com queda de desempenho e saídas de nomes importantes, e agora vê títulos de pilotos e construtores ameaçados.
A Red Bull enfrenta um cenário que parecia impossível no início da temporada: seus títulos de pilotos e construtores estão sob séria ameaça. Após um desempenho avassalador no primeiro semestre de 2024, com Max Verstappen acumulando vitórias, a equipe chegou ao Grande Prêmio de São Paulo com a liderança reduzida e rivais como Ferrari e McLaren se aproximando perigosamente.
Red Bull no auge e queda brusca
Em junho, o domínio da Red Bull era incontestável, com Verstappen somando vitória após vitória e deixando os concorrentes bem atrás. No Grande Prêmio da Espanha, o holandês comemorava o sétimo triunfo em dez corridas, consolidando uma vantagem considerável no campeonato de pilotos e reforçando a expectativa de uma temporada histórica para a equipe.
Contudo, desde então, o time austríaco experimentou uma queda inesperada de desempenho, que começou a se agravar após problemas internos e disputas externas. Mesmo com o talento notório de Verstappen, a diferença de pontos caiu drasticamente, e hoje ele lidera com uma vantagem reduzida de apenas 47 pontos sobre Lando Norris, da McLaren.
Turbulência interna: assédio e debandada de executivos
Internamente, a Red Bull lidou com uma série de crises que afetaram o time. O chefe da equipe, Christian Horner, foi investigado antes do início da temporada após acusações de assédio por uma funcionária, que relatou ter recebido fotos inadequadas do dirigente. Embora a investigação não tenha levado à demissão de Horner, o incidente trouxe à tona insatisfações entre os líderes do time.
Nos últimos cinco meses, a equipe também sofreu perdas importantes no seu quadro de colaboradores de alto escalão. Adrian Newey, lendário projetista e chefe técnico, Jonathan Wheatley, diretor esportivo, e Will Courtenay, estrategista, anunciaram suas saídas para o fim da temporada, atraídos por rivais. Newey assumirá uma posição na Aston Martin, Wheatley foi para a Audi-Sauber e Courtenay se juntará à McLaren. A saída desses profissionais enfraqueceu a estrutura da Red Bull e já impactou o desenvolvimento e a performance do carro.
Ferrari e McLaren assumem a liderança no campeonato de construtores
A crise interna da Red Bull não demorou a refletir nos resultados em pista. Enquanto a equipe registrava perdas de desempenho, Ferrari e McLaren assumiram posições de destaque, aproveitando para reduzir a diferença na tabela. Verstappen, que liderava com grande vantagem, não vence uma corrida desde junho, e Sérgio Pérez, seu companheiro de equipe, amarga uma série de corridas sem resultados expressivos.
Atualmente, a Red Bull soma 512 pontos no campeonato de construtores, enquanto Ferrari e McLaren ultrapassaram o time austríaco, com 537 e 566 pontos, respectivamente. A trajetória de sucesso que parecia assegurada no início do ano transformou-se em um desafio, com a Red Bull precisando vencer obstáculos e reverter o quadro para ter chances reais de título.
Futuro incerto e desafios para 2025
A saída de peças-chave deixou o futuro da Red Bull em 2025 incerto. Com o monoposto apresentando sinais de perda de competitividade e sem nomes como Adrian Newey no comando técnico, a equipe se vê em uma posição difícil. A pressão de vencer, característica da equipe e dos fãs, recairá sobre Verstappen, que já demonstrou incômodo com o cenário atual.
Uma mudança, no entanto, parece certa: a saída de Sérgio Pérez ao final da temporada de 2024. O piloto mexicano, que havia sido cogitado para uma substituição durante a temporada, deve deixar a equipe para dar lugar a um novo parceiro de Verstappen. Esse movimento traz a expectativa de que a Red Bull possa buscar uma reformulação completa para a próxima temporada, apostando em um novo formato de equipe para retomar o desempenho de ponta.
Impacto para a próxima temporada
Com os olhos voltados para a próxima temporada, a Red Bull terá que superar um desafio duplo: reconstruir sua equipe técnica e desenvolver um carro que esteja à altura das concorrentes. A Ferrari, com foco em tecnologias inovadoras, e a McLaren, que passa por um momento de crescimento com novas contratações, já sinalizam que entrarão na temporada de 2025 mais fortes do que nunca.
Para Verstappen, esse cenário é uma nova experiência. Acostumado a disputar e vencer corridas com tranquilidade desde o início do ano, o holandês terá de lidar com a pressão crescente de perder o título, um evento que poderia afetar o moral da equipe e abalar a confiança do piloto.
A Red Bull ainda não detalhou como pretende estruturar a equipe para o próximo ano, mas o esforço será crucial para manter-se competitiva em um campeonato cada vez mais acirrado.
Agenda da Red Bull no GP de São Paulo
O Grande Prêmio de São Paulo representa uma nova oportunidade para a Red Bull tentar retomar o domínio e consolidar sua liderança na Fórmula 1. As atividades no Autódromo de Interlagos começam na sexta-feira, 1º de novembro, com sessões de treino livre e classificatória, além de uma corrida sprint no sábado, que antecederá a grande corrida de domingo.
Os torcedores brasileiros aguardam ansiosos para ver o desempenho de Verstappen, que já venceu em Interlagos e busca uma nova vitória, agora em um contexto muito mais tenso e competitivo.
