O piloto tetracampeão de Fórmula 1 Max Verstappen afirmou na quinta-feira (22), em entrevista coletiva realizada em Austin, no Texas, que apenas os triunfos recentes na pista garantiram a certeza sobre a recuperação técnica do carro RB22 da Red Bull. O holandês desembarca para a disputa do Grande Prêmio dos Estados Unidos após registrar cinco pódios consecutivos na temporada de 2026, sequência que inclui os primeiros lugares nas duas etapas anteriores, realizadas em Sepang (no GP do Bahrein na Malásia) e no GP de Singapura.
Questionado sobre o momento exato em que percebeu a mudança de patamar do monoposto durante o campeonato, o competidor explicou que a confirmação dependia diretamente do retorno ao topo do pódio. “Para ser honesto com você, até realmente vencer, é sempre muito difícil de definir. Eu cheguei perto (de ganhar) algumas vezes, mas sempre senti que ainda faltava aquela parte final para realmente buscar a vitória, mas acho que é mais importante que você não desista como equipe, na minha opinião”, declarou Verstappen. Ele acrescentou que a resolução das falhas exigiu persistência dos engenheiros ao longo dos meses: “Claro, para ser honesto, foi isso que nós fizemos. Continuamos trabalhando, tentando entender os nossos problemas para que pudéssemos nos livrar deles o mais rápido possível. Alguns são mais complicados do que outros, mas pelo menos fomos capazes de vencer”.
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Pacotes de atualização da Red Bull e correções no chassi do RB22
A temporada de 2026 marcou o início de um novo regulamento técnico na categoria e a estreia da primeira unidade de potência fabricada internamente pela Red Bull Powertrains em parceria com a montadora Ford. Embora o motor a combustão interna da Red Bull-Ford tenha sido eleito pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) como o melhor do grid, superando o equipamento da Mercedes, o projeto do RB22 apresentou graves deficiências iniciais no chassi e no equilíbrio aerodinâmico, além de nascer acima do peso mínimo regulamentar de 768 kg. Nas primeiras etapas do calendário, a equipe disputou posições no pelotão intermediário contra carros da Haas e da Alpine, o que levou o tetracampeão a fazer críticas diretas ao comportamento do veículo após o GP da China: “Terrível. É uma palavra bem curta. Não temos ritmo, o desgaste dos pneus está no teto, mesmo comparando com o (pelotão do) meio”.
Para reverter o déficit de desempenho e corrigir a dirigibilidade sob a supervisão do diretor técnico Pierre Waché, a escuderia austríaca implementou três pacotes principais de desenvolvimento ao longo do ano. A primeira intervenção ocorreu no GP de Miami, com redução de massa, alterações nos sidepods (as entradas de ar laterais do carro), ajustes na coluna de direção e a adoção de uma versão da chamada “asa Macarena”, peça traseira com rotação adicional inspirada na Ferrari. Apesar do ganho de velocidade, falhas no mecanismo de fechamento dessa asa traseira provocaram uma batida de Verstappen durante a classificação na Áustria e o abandono na corrida da Grã-Bretanha.
Uma segunda leva de peças introduzida no próprio fim de semana do GP da Áustria estabilizou o monoposto, permitindo ao holandês disputar pódios regularmente — desde então, ele só terminou fora dos três primeiros na etapa britânica e na Holanda, onde colidiu na abertura da segunda volta sob pista molhada. O salto definitivo ocorreu no GP do Azerbaijão, no circuito de Baku, quando a Red Bull instalou novos componentes no assoalho, no difusor (peça traseira inferior que gera pressão aerodinâmica) e nos sidepods. Verstappen terminou a prova azeri na segunda colocação e, na sequência, venceu em Sepang e conquistou a sua primeira vitória na carreira no circuito de Marina Bay, em Singapura, prova que marcou o seu 250º GP na Fórmula 1 e na qual também obteve a pole position e o triunfo na corrida sprint.
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“Aprendemos muito e consertamos várias das nossas fraquezas. O carro, definitivamente, pareceu muito melhor de Baku em diante. Ficou muito mais equilibrado do que no início do ano, quando às vezes era um pouco assustador de dirigir. A forma como nós conseguimos essa reviravolta e o progresso que fizemos nesse ano torna isso muito mais legal”, afirmou o piloto após a etapa em Singapura.
Pontuação de Max Verstappen e disputa com Kimi Antonelli em 2026
O desempenho obtido após a introdução das peças em Baku alterou o aproveitamento da equipe na segunda metade do calendário, na qual Verstappen divide os boxes com o companheiro de equipe Isack Hadjar. Mesmo sem chances reais de alcançar o líder Andrea Kimi Antonelli, da Mercedes, que possui possibilidade matemática de assegurar o título antecipado nos Estados Unidos, o holandês consolidou a recuperação da escuderia na tabela. Os números acumulados no campeonato antes da largada no Texas registram o seguinte cenário:
- Pontuação no Mundial de Pilotos: Andrea Kimi Antonelli lidera com 340 pontos, enquanto Max Verstappen ocupa a quarta colocação geral com 221 pontos (desvantagem de 119 pontos).
- Desempenho pós-pausa de verão europeu: Kimi Antonelli somou 121 pontos no período, seguido por Verstappen, que marcou 112 pontos nas mesmas etapas.
- Disputa no Mundial de Construtores: a Red Bull está na quarta posição com 332 pontos, distante 7 pontos da terceira colocada McLaren, que acumula 339 pontos.
Diferenças entre a reação do RB22 e a arrancada da Red Bull em 2025
A subida de produção na segunda metade do ano repete o roteiro vivido por Verstappen na temporada de 2025, mas sob condições técnicas e administrativas distintas. No campeonato anterior, a equipe enfrentou uma crise interna que resultou na demissão do então chefe de equipe Christian Horner e na nomeação do francês Laurent Mekies, ex-dirigente da Racing Bulls, para o comando do time. Naquela ocasião, o piloto holandês descontou uma desvantagem de 102 pontos em relação a Oscar Piastri, da McLaren, mas encerrou o mundial na segunda colocação, apenas dois pontos atrás do campeão Lando Norris, também da McLaren.
Segundo a avaliação de Verstappen, a recuperação de 2025 baseou-se principalmente em ajustes de acerto (set-up) do modelo anterior, o RB21, para extrair velocidade de uma base já conhecida. Em 2026, por outro lado, a reação exigiu o redesenho estrutural de componentes do RB22 para solucionar problemas nascidos sob as novas regras de chassi e motor.
Horários do GP dos Estados Unidos de Fórmula 1 em Austin
Para manter a sequência de vitórias no circuito norte-americano, o piloto destacou a necessidade de adaptar o carro às características do asfalto texano. “Conseguir uma vitória em Singapura foi muito especial. Conseguir duas vitórias consecutivas, além da sprint, com o nosso próprio motor também precisa ser celebrado. Mas a pista dos Estados Unidos é bem diferente de pilotar, mas é sempre muito prazerosa, apesar de ser bastante irregular. O traçado conta com curvas longas e variações de elevação, por isso precisamos garantir que o acerto do carro esteja ideal logo de cara”, disse Verstappen.
A etapa de Austin não terá exibição na TV aberta pela Rede Globo; a transmissão para o público brasileiro será feita pelo canal fechado SporTV3 e pelas plataformas de streaming Globoplay e F1 TV. A programação oficial do GP dos Estados Unidos, no horário de Brasília, segue o cronograma abaixo:
- Sexta-feira, 23 de outubro de 2026: Treino livre 1 às 14h30 e Treino livre 2 às 18h.
- Sábado, 24 de outubro de 2026: Treino livre 3 às 14h30 e Classificação às 18h.
- Domingo, 25 de outubro de 2026: Corrida (56 voltas) às 17h.
