A Capela Sistina, no Vaticano, será o cenário de um evento histórico a partir de 7 de maio, quando 133 cardeais de 70 países se reunirão para eleger o próximo papa. O conclave, convocado após a morte do papa Francisco em 21 de abril, marca um momento crucial para a Igreja Católica, que busca um líder para seus 1,4 bilhão de fiéis. Com a participação de sete cardeais brasileiros e uma composição mais global do que nunca, a votação reflete a diversidade promovida por Francisco. Dois cardeais desistiram por motivos de saúde, reduzindo o número de eleitores de 135 para 133.
O processo, conhecido por seu sigilo, ocorre em total isolamento, sem acesso a celulares, jornais ou contato externo. Cada cardeal votará até que um candidato alcance dois terços dos votos, ou seja, pelo menos 89. A eleição pode durar dias, com até quatro votações diárias, e a fumaça branca sinalizará a escolha do novo pontífice.
Para entender o conclave, destacam-se os seguintes pontos:
- Apenas cardeais com menos de 80 anos podem votar, totalizando 133 eleitores.
- A votação exige dois terços dos votos, garantindo consenso.
- O conclave começa entre 15 e 20 dias após a morte do papa, conforme regras do Vaticano.
- A Capela Sistina é o local exclusivo das votações, com rituais seculares.
Composição do colégio cardinalício
A diversidade do conclave de 2025 é notável, com cardeais de 70 nações, contra 48 no conclave de 2013, que elegeu Francisco. A Europa, com 53 eleitores, mantém a maior representação, seguida por Ásia (23), América Latina (17), África (18), América do Norte (16) e Oceania (4). Dos 133 eleitores, 108 foram nomeados por Francisco, 22 por Bento XVI e 5 por João Paulo II, o que dá peso ao legado do pontífice argentino.
A internacionalização do colégio reflete a visão de Francisco de descentralizar a Igreja do eurocentrismo. Países como Mongólia, Laos e Mali terão representantes pela primeira vez. Essa pluralidade pode influenciar a escolha de um papa com perfil conciliador, capaz de unir uma Igreja dividida por questões teológicas e sociais.
Processo de votação
O conclave segue rituais estabelecidos há séculos. No primeiro dia, os cardeais participam de uma missa na Basílica de São Pedro, presidida pelo decano do Colégio Cardinalício, Giovanni Battista Re. Em seguida, dirigem-se à Capela Sistina, onde o mestre das celebrações litúrgicas, Diego Ravelli, pronuncia o “Extra omnes”, ordenando a saída de não participantes. As portas são trancadas, iniciando o isolamento.
A votação começa com uma rodada na tarde do primeiro dia. Nos dias seguintes, ocorrem duas votações pela manhã e duas à tarde, até que um candidato alcance 89 votos. As cédulas são queimadas após cada sessão, com fumaça preta indicando ausência de consenso e fumaça branca anunciando a eleição. Se não houver decisão após três dias, uma pausa de 24 horas é feita para oração.
Os principais rituais incluem:
- Missa inicial na Basílica de São Pedro.
- Juramento de sigilo pelos cardeais.
- Queima das cédulas com substâncias químicas para fumaça preta ou branca.
- Anúncio do novo papa na varanda da Basílica, com a frase “Habemus Papam”.
Cardeais brasileiros no conclave
O Brasil tem um peso inédito, com sete cardeais eleitores, contra cinco em 2013. Sérgio da Rocha, arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, é um dos nomes mencionados como possível candidato. Jaime Spengler, presidente da CNBB e arcebispo de Porto Alegre, também participa, assim como Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, que já foi cotado em 2013. Orani Tempesta, do Rio de Janeiro, João Braz de Aviz, Paulo Cezar Costa, de Brasília, e Leonardo Steiner, de Manaus, completam a lista.
Raymundo Damasceno Assis, de 88 anos, não vota por limite de idade, mas pode ser eleito. Os brasileiros são vistos como alinhados ao legado de Francisco, com ênfase em justiça social e inclusão. A presença de Steiner, primeiro cardeal da Amazônia, destaca a atenção à região, priorizada por Francisco.
Candidatos cotados
Vários cardeais despontam como favoritos. Pietro Parolin, italiano de 70 anos e secretário de Estado do Vaticano, é frequentemente citado por sua experiência diplomática e postura moderada. Matteo Zuppi, arcebispo de Bolonha, é conhecido por seu trabalho com os pobres e diálogo com a comunidade LGBTQIA+. Luis Antonio Tagle, filipino de 67 anos, é apelidado de “Francisco asiático” por sua abordagem pastoral.
Outros nomes incluem Pierbattista Pizzaballa, patriarca de Jerusalém, que ganhou destaque por esforços de paz no Oriente Médio, e Jean-Marc Aveline, arcebispo de Marselha, defensor de imigração e diálogo inter-religioso. Péter Erdő, húngaro conservador, e Robert Sarah, da Guiné, também são mencionados, embora menos alinhados ao progressismo de Francisco.
Influência do legado de Francisco
Dos 133 eleitores, 108 foram nomeados por Francisco, o que sugere preferência por um candidato que consolide suas reformas, como maior inclusão e foco nas periferias. No entanto, a ausência de um sucessor claro abre espaço para surpresas, como ocorreu com Bergoglio em 2013. A eleição não é um embate entre progressistas e conservadores, mas uma busca por equilíbrio, segundo especialistas.
Durante as Congregações Gerais, reuniões preparatórias antes do conclave, os cardeais discutem os desafios da Igreja, como secularização, escândalos e diálogo com o mundo moderno. Essas conversas moldam as preferências, com ênfase em candidatos que promovam unidade. Parolin, por exemplo, é visto como um articulador capaz de manter a estabilidade.
Papéis-chave no conclave
O conclave é organizado pelo camerlengo, Kevin Farrell, que administra o Vaticano durante a Sé Vacante. Farrell, irlandês de 77 anos, anunciou a morte de Francisco e coordena os preparativos. O decano Giovanni Battista Re preside a missa inicial, enquanto Diego Ravelli garante a logística litúrgica.
Os cardeais eleitores fazem um juramento de sigilo, sob pena de excomunhão, garantindo a confidencialidade. Funcionários, como equipes de limpeza e médicos, também juram silêncio. A proibição de dispositivos eletrônicos reforça o isolamento, evitando interferências externas.
Os principais responsáveis incluem:
- Camerlengo Kevin Farrell: administra o Vaticano na Sé Vacante.
- Decano Giovanni Battista Re: preside a missa inicial.
- Mestre Diego Ravelli: organiza rituais e pronuncia o “Extra omnes”.
- Cardeais apuradores: contam os votos em cada sessão.
Regiões representadas
A distribuição geográfica dos cardeais reflete a globalização da Igreja. A Europa, com 53 eleitores, ainda lidera, mas a presença de 23 cardeais asiáticos e 18 africanos indica um equilíbrio maior. A América Latina, com 17 eleitores, incluindo sete brasileiros, tem influência crescente, assim como a África, que pode apoiar candidatos como Peter Turkson, de Gana.
Países com poucos católicos, como Mongólia e Laos, ganharam cardeais sob Francisco, ampliando a representatividade. Essa diversidade pode levar à escolha de um papa não europeu, como Tagle, das Filipinas, ou Turkson, que seria o primeiro papa negro.
Desafios da Igreja
Os cardeais enfrentarão temas como a secularização na Europa, o crescimento do catolicismo na África e Ásia, e tensões internas sobre questões como divórcio, homossexualidade e ordenação feminina. A escolha do papa dependerá da capacidade de abordar esses temas sem fragmentar a Igreja.
Candidatos como Zuppi e Aveline, alinhados à abertura de Francisco, são vistos como pontes para o diálogo. Já Erdő e Sarah atraem cardeais que buscam uma postura mais tradicional. A habilidade de unir diferentes visões será decisiva.
Repercussão pública
A morte de Francisco gerou comoção global, com fiéis acompanhando as missas de luto no Vaticano. Nas redes sociais, como o X, especulações sobre o próximo papa são intensas, com nomes como Parolin e Tagle entre os mais mencionados. Católicos de todo o mundo aguardam a fumaça branca na Praça de São Pedro.
Missas em Roma, presididas por cardeais como Parolin, atraem multidões. Os sermões oferecem pistas sutis sobre as prioridades dos eleitores, como abertura ou tradição. A cobertura midiática global está focada no Vaticano, com jornalistas monitorando cada movimento.
Tradições do conclave
O conclave mantém rituais de oito séculos, estabelecidos por Gregório X em 1274. A fumaça, produzida pela queima das cédulas, é um símbolo aguardado por fiéis. A chaminé da Capela Sistina, instalada pelo corpo de bombeiros do Vaticano, foi montada em 2 de maio.
Após a eleição, o novo papa escolhe seu nome e aparece na varanda da Basílica de São Pedro. O cardeal protodiácono, atualmente Jean-Marc Aveline, anuncia o “Habemus Papam”. A escolha do nome reflete a inspiração do pontífice, como Francisco, que homenageou São Francisco de Assis.
Os elementos tradicionais incluem:
- Fumaça preta ou branca para indicar o resultado.
- Juramento de sigilo na Capela Sistina.
- Anúncio do “Habemus Papam” na varanda.
- Escolha do nome papal pelo eleito.
Possíveis surpresas
Embora nomes como Parolin e Tagle liderem as apostas, conclaves são imprevisíveis. Em 2013, Bergoglio não era favorito, mas sua intervenção nas Congregações Gerais, criticando a Igreja “autorreferencial”, conquistou os eleitores. Um cardeal menos conhecido, como Pizzaballa ou Steiner, pode emergir se demonstrar visão unificadora.
A frase “Quem entra papa sai cardeal” reflete a incerteza. A dinâmica das votações, com alianças formadas na Capela Sistina, pode mudar preferências rapidamente. O conclave de 2025, com sua diversidade, aumenta as chances de um resultado inesperado.

