Traficante Celsinho da Vila Vintém volta à prisão após plano bilionário no RJPor Carolina Costa
Atualizado 13 min de leitura
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Na manhã desta quinta-feira, agentes da Polícia Civil do Rio de Janeiro conduziram uma operação que resultou na prisão de Celso Luiz Rodrigues, conhecido como Celsinho da Vila Vintém, na comunidade de Vila Vintém, Zona Oeste da cidade. Apontado como um dos fundadores da facção Amigos dos Amigos (ADA), o traficante voltou ao radar das autoridades após investigações revelarem sua aliança com o Comando Vermelho (CV) para retomar territórios dominados por milícias. A ação policial desmantelou um esquema que, segundo as autoridades, movimentava cerca de R$ 6 bilhões.
A prisão de Celsinho, que já havia sido solto em outubro de 2022 após cumprir mais de 20 anos de pena, marca um novo capítulo na luta contra o crime organizado no Rio. A operação contou com apoio de inteligência policial e foi desencadeada após meses de monitoramento. As autoridades afirmam que o traficante planejava expandir sua influência em comunidades de Realengo e Padre Miguel.
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Traficante Celsinho da Vila Vintém é preso https://t.co/PWIzuSTFVN #g1
— g1 (@g1) May 8, 2025
Principais pontos da operação:
- Prisão ocorreu na comunidade Vila Vintém, entre Padre Miguel e Realengo.
- Celsinho é acusado de liderar aliança com o Comando Vermelho.
- Esquema desmantelado movimentava cerca de R$ 6 bilhões.
- Operação envolveu agentes da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod).
A captura reacende debates sobre a reincidência de líderes do tráfico e os desafios do sistema penitenciário. Celsinho, figura histórica no submundo do crime carioca, já havia escapado da prisão em 1998, disfarçado de policial militar, o que reforça sua notoriedade entre as forças de segurança.
Histórico de um traficante notório
Celso Luiz Rodrigues, conhecido como Celsinho da Vila Vintém, emergiu como uma figura central no tráfico de drogas do Rio de Janeiro na década de 1990. Ele foi preso pela primeira vez em 1990, acusado de tráfico, roubo e formação de quadrilha. Em 1996, voltou a ser detido, mas conseguiu fugir dois anos depois, em 1998, do Hospital Penitenciário Fábio Macedo Soares, vestido como policial militar. A fuga ousada consolidou sua reputação no crime organizado. Recapturado em 2002, ele passou a cumprir pena em regime fechado, sendo transferido para o presídio federal de Porto Velho, em Rondônia, onde permaneceu até 2017.
De volta ao Rio, Celsinho foi instalado no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu. Em 2022, a Justiça concedeu sua liberdade após a revogação de uma condenação relacionada à invasão da Rocinha em 2017, que foi questionada pelo Ministério Público devido a indícios de irregularidades no inquérito. Na época, o traficante afirmou que buscaria uma nova vida, alegando problemas de saúde e desejo de se afastar do crime. No entanto, investigações recentes apontam que ele retomou atividades criminosas logo após a soltura.
A trajetória de Celsinho inclui episódios marcantes, como sua participação como testemunha de defesa no julgamento de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, em 2021. Durante o depoimento, ele afirmou que Beira-Mar não estava envolvido em uma rebelião em Bangu, em 2002, que resultou na morte de quatro aliados de Celsinho. O gesto foi interpretado como uma tentativa de quitar uma “dívida” com a facção rival, que o poupou durante o motim.
Operação policial em detalhes
A prisão de Celsinho da Vila Vintém ocorreu na manhã de 8 de maio de 2025, em uma ação coordenada pela Delegacia de Combate às Drogas (Dcod). Agentes monitoraram a comunidade de Vila Vintém por semanas, utilizando informações de inteligência para mapear os movimentos do traficante. A operação envolveu o uso de veículos blindados, drones e equipes táticas, que cercaram a área para evitar confrontos ou tentativas de fuga.
Segundo a Polícia Civil, Celsinho liderava uma aliança estratégica com o Comando Vermelho, uma das maiores facções criminosas do Rio, com o objetivo de retomar comunidades dominadas por milícias em bairros como Realengo, Padre Miguel e Bangu. O esquema, avaliado em R$ 6 bilhões, incluía a venda de drogas, extorsão e controle de serviços ilegais, como transporte alternativo e fornecimento de gás. A operação resultou na apreensão de armas, munições e documentos que detalham a estrutura financeira do grupo.
Principais resultados da ação:
- Apreensão de duas pistolas, um fuzil e munições.
- Confisco de cadernos com anotações sobre movimentações financeiras.
- Identificação de cinco suspeitos ligados à rede de Celsinho.
- Neutralização de pontos de venda de drogas na comunidade.
A Polícia Civil informou que a prisão de Celsinho é um golpe significativo contra a expansão do tráfico na Zona Oeste. A operação também revelou conexões entre a ADA e o Comando Vermelho, que, historicamente, eram facções rivais. A aliança, segundo investigadores, foi motivada por interesses econômicos, já que as milícias representam uma ameaça crescente ao controle de territórios.
Aliança com o Comando Vermelho
A união entre Celsinho da Vila Vintém e o Comando Vermelho surpreendeu as autoridades, dado o histórico de rivalidade entre a ADA e o CV. Investigações apontam que a parceria começou em meados de 2023, quando Celsinho, já em liberdade, buscou aliados para fortalecer sua influência na Zona Oeste. O Comando Vermelho, que controla comunidades como Cidade de Deus e Complexo do Alemão, viu na colaboração uma oportunidade de expandir sua presença em áreas dominadas por milícias.
A aliança foi estruturada em torno de três objetivos principais:
- Retomar comunidades sob controle de milícias, como Rio das Pedras e Gardênia Azul.
- Ampliar a distribuição de drogas em bairros da Zona Oeste.
- Estabelecer uma rede de proteção contra operações policiais.
Os investigadores acreditam que Celsinho desempenhava um papel de liderança na coordenação das ações, aproveitando sua experiência e contatos no crime organizado. A Polícia Civil identificou pelo menos dez comunidades onde a aliança planejava atuar, com foco em áreas onde as milícias cobram taxas de proteção de moradores e comerciantes. A prisão de Celsinho interrompeu, pelo menos temporariamente, esses planos.
A colaboração entre facções rivais reflete uma mudança no cenário do crime organizado no Rio. Nos últimos anos, as milícias ganharam força, controlando cerca de 40% das comunidades cariocas, segundo estudos de segurança pública. Esse avanço reduziu o espaço das facções tradicionais, forçando-as a formar alianças improváveis para manter sua relevância.
Reincidência e desafios do sistema penitenciário
A prisão de Celsinho da Vila Vintém, menos de três anos após sua soltura, levanta questões sobre a eficácia do sistema penitenciário em reintegrar ex-detentos. Em 2022, ao deixar o Complexo de Gericinó, o traficante declarou que buscaria uma vida tranquila, longe do crime. Ele mencionou problemas de saúde, como hipertensão e complicações renais, como motivação para mudar de trajetória. No entanto, as autoridades afirmam que ele retomou atividades criminosas em poucos meses.
O caso de Celsinho não é isolado. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que cerca de 30% dos ex-presidiários no Brasil voltam a cometer crimes dentro de cinco anos após a soltura. No Rio de Janeiro, a reincidência é ainda mais alta em casos ligados ao tráfico de drogas, devido à falta de programas de ressocialização e à influência das facções nas comunidades.
Fatores que contribuem para a reincidência:
- Ausência de oportunidades de emprego para ex-detentos.
- Pressão de facções para que líderes retomem atividades criminosas.
- Falhas na fiscalização de regimes semiabertos e condicionais.
- Superlotação e condições precárias nos presídios.
A soltura de Celsinho em 2022 foi condicionada à ausência de pendências judiciais, mas a falta de monitoramento rigoroso permitiu que ele se envolvesse novamente com o tráfico. A Polícia Civil informou que ele será transferido para um presídio de segurança máxima, onde ficará isolado de outros detentos para evitar a coordenação de ações criminosas.
Papel da família no tráfico
A operação que resultou na prisão de Celsinho também trouxe à tona o envolvimento de sua família no crime organizado. Em 2019, Deise Mara de Souza Rodrigues, esposa de Celsinho, foi presa na Vila Vintém por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Segundo a Polícia Civil, ela assumiu a liderança do tráfico na comunidade após a prisão do marido, em 2002. Deise foi solta no mesmo ano, mas as autoridades acreditam que ela continuou atuando como elo entre Celsinho e os traficantes locais.
A prisão de Deise ocorreu após a morte de Júlio César da Silva Dias, um jovem que teria discutido com um traficante da Vila Vintém. Investigadores apontaram Deise como mandante do crime, que envolveu sequestro e execução. A participação de familiares no tráfico é uma prática comum em comunidades dominadas por facções, onde esposas, irmãos e filhos muitas vezes assumem papéis de liderança para manter o controle do território.
A Polícia Civil investiga se outros membros da família de Celsinho estão envolvidos na aliança com o Comando Vermelho. Durante a operação de 8 de maio, os agentes apreenderam celulares e documentos que podem esclarecer a rede de contatos do traficante. A análise desse material está em andamento, com previsão de novas prisões nas próximas semanas.
Reação das autoridades
A prisão de Celsinho da Vila Vintém foi celebrada pela Polícia Civil como um marco na luta contra o crime organizado. O delegado titular da Dcod, Marcus Amim, afirmou que a operação é parte de uma estratégia mais ampla para desarticular alianças entre facções e enfraquecer o tráfico na Zona Oeste. Ele destacou a importância do trabalho de inteligência, que permitiu mapear as atividades de Celsinho sem alertar seus aliados.
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, usou as redes sociais para parabenizar os agentes envolvidos na ação. Ele reforçou que o estado tem investido em tecnologia e treinamento para combater o crime organizado. Nos últimos dois anos, o governo estadual destinou R$ 200 milhões para a compra de equipamentos, como drones e câmeras de monitoramento, usados em operações como a que resultou na prisão de Celsinho.
A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) informou que o traficante será submetido a um regime de segurança máxima, com restrições de contato com o exterior. A medida visa evitar que ele continue coordenando ações criminosas de dentro do presídio, como já ocorreu em casos anteriores. A Seap também anunciou a revisão dos processos de soltura de presos de alta periculosidade, para evitar casos de reincidência como o de Celsinho.
Operações contra milícias na Zona Oeste
A aliança entre Celsinho e o Comando Vermelho tinha como principal alvo as milícias que dominam comunidades na Zona Oeste do Rio. Grupos paramilitares, formados por ex-policiais, bombeiros e vigilantes, controlam serviços como transporte, internet e fornecimento de gás em bairros como Realengo, Bangu e Campo Grande. Essas atividades geram lucros milionários, o que atraiu a atenção das facções.
Nos últimos cinco anos, as milícias expandiram sua influência, passando de 20% para 40% do controle das comunidades cariocas. A Polícia Civil intensificou as operações contra esses grupos, com ações que resultaram na prisão de 150 milicianos desde 2023. No entanto, a resistência das milícias, que contam com armamento pesado e conexões políticas, tem dificultado o avanço das autoridades.
Principais alvos das milícias na Zona Oeste:
- Rio das Pedras: maior reduto miliciano do Rio, com 140 mil habitantes.
- Gardênia Azul: controlada por milícias desde 2015.
- Praça Seca: palco de disputas entre milícias e facções.
- Muzema: conhecida por construções irregulares e extorsão.
A prisão de Celsinho pode enfraquecer a ofensiva das facções contra as milícias, mas as autoridades alertam que novos líderes podem surgir para ocupar seu lugar. A Polícia Civil planeja novas operações nas próximas semanas, com foco em comunidades onde a aliança entre ADA e CV ainda está ativa.
Perfil de Celsinho da Vila Vintém
Celso Luiz Rodrigues, nascido em 1965, cresceu na comunidade de Vila Vintém, entre Padre Miguel e Realengo. Filho de uma família humilde, ele entrou para o tráfico na década de 1980, aproveitando a expansão do comércio de drogas no Rio. Na década seguinte, tornou-se um dos principais líderes da ADA, facção que ajudou a fundar. Sua influência se estendia a comunidades como Curral das Éguas e Vila Aliança, onde controlava pontos de venda de drogas.
Celsinho ganhou notoriedade não apenas pelo tráfico, mas também por suas fugas e declarações públicas. Em 2002, ao ser recapturado, ele afirmou ao jornal O Globo que faturava R$ 50 mil por semana com o tráfico, mas que “sobravam só dez mil” após pagar despesas. A frase, dita com ironia, reforçou sua imagem de traficante carismático, mas implacável.
Durante seus anos na prisão, Celsinho manteve contatos com aliados do lado de fora, coordenando ações criminosas por meio de familiares e advogados. Sua soltura em 2022 foi vista como um risco pelas autoridades, que já monitoravam seus movimentos. A prisão de 2025 confirma que ele não abandonou o crime, apesar das promessas feitas ao deixar o presídio.
Próximos passos da investigação
A Polícia Civil segue analisando o material apreendido na operação que prendeu Celsinho da Vila Vintém. Cadernos com anotações financeiras, celulares e computadores estão sendo periciados para identificar outros membros da rede criminosa. Os investigadores também buscam esclarecer o papel de Deise Mara, esposa de Celsinho, que pode estar envolvida na coordenação do tráfico na Vila Vintém.
A operação de 8 de maio é apenas o primeiro passo de uma série de ações planejadas para desarticular a aliança entre a ADA e o Comando Vermelho. A Polícia Civil trabalha em conjunto com a Polícia Federal para mapear as movimentações financeiras do grupo, que incluem lavagem de dinheiro e investimentos em negócios legais, como bares e oficinas. Novas prisões são esperadas nas próximas semanas, com foco em lideranças secundárias que atuam na Zona Oeste.
A Justiça do Rio de Janeiro deve realizar uma audiência de custódia para definir a situação de Celsinho nos próximos dias. Ele enfrenta acusações de tráfico de drogas, associação criminosa e lavagem de dinheiro, com penas que podem ultrapassar 20 anos. A transferência para um presídio de segurança máxima já foi autorizada, mas a defesa do traficante ainda não se pronunciou sobre o caso.















