Jovem envenenadora de SP quase fez vítima antes de crime fatalPor Jeronimo Santos
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Em um caso chocante, uma adolescente de 17 anos, movida por ciúmes, confessou ter envenenado bolos entregues a duas jovens na Grande São Paulo, resultando na morte de Ana Luiza Neves, também de 17 anos, no dia 31 de maio de 2025. A operação criminosa, que ocorreu em duas ocasiões distintas, envolveu a entrega de doces por motoboy, acompanhados de bilhetes afetuosos assinados por um suposto “admirador secreto”. A substância letal utilizada foi o trióxido de arsênio, um composto altamente tóxico. A jovem, que era amiga da família de Ana Luiza, chegou a dormir na casa da vítima no dia do crime e acompanhou o pai ao hospital. Cerca de 15 dias antes, outra adolescente, Kamilly, sobreviveu a uma tentativa semelhante. A polícia, ao cruzar informações, localizou a responsável, que agora está internada na Fundação Casa.
O caso ganhou destaque após o pai de Ana Luiza, Silvio Ferreira das Neves, desabafar em entrevista. Ele descreveu a relação próxima que a adolescente responsável pelo crime tinha com a família, frequentando a casa, compartilhando refeições e usando itens pessoais das filhas. A revelação da autoria deixou Silvio em estado de choque, especialmente por conta da frieza demonstrada pela jovem.
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A outra vítima, Kamilly, relatou ter recebido o bolo envenenado no trabalho, acompanhado de uma mensagem de um perfil falso. Após consumir o doce, ela perdeu as forças e ficou com o corpo gelado, sendo socorrida pela mãe, Kátia Miranda, que a levou ao hospital. Na época, sem provas concretas, a família não registrou ocorrência, mas decidiu se pronunciar após a morte de Ana Luiza.
Modo operandi da envenenadora
A estratégia usada nos dois casos foi idêntica. A jovem enviava os bolos por motoboy, acompanhados de bilhetes carinhosos que mascaravam a intenção letal. O trióxido de arsênio, presente nos doces, é uma substância química perigosa, conhecida por seu uso histórico em crimes de envenenamento. A adolescente confessou que adquiriu o produto pela internet, levantando questionamentos sobre a facilidade de acesso a compostos tóxicos.
- Bolo entregue em domicílio ou local de trabalho.
- Bilhete assinado por “admirador secreto” para enganar as vítimas.
- Uso de motoboy para evitar contato direto.
- Substância letal misturada ao doce, sem sabor ou odor perceptível.
A polícia identificou o padrão ao analisar os bilhetes, que apresentavam grafia semelhante, e localizou o motoboy, que levou os investigadores até a casa da suspeita. A adolescente foi reconhecida imediatamente pelo entregador.
Investigação policial em ação
A investigação avançou rapidamente após os relatos das duas famílias. O delegado Vitor Santos e Jesus, responsável pelo caso, destacou a precisão do motoboy ao identificar a jovem. Em depoimento, ela admitiu a autoria dos envenenamentos, alegando ciúmes como motivação. A adolescente afirmou que sua intenção era apenas causar mal-estar, não matar, e mencionou enfrentar problemas psicológicos.
A mãe da jovem, presente na delegacia, ficou abalada com a confissão. O choro da mãe levou a adolescente a também demonstrar emoção, mas, segundo o delegado, ela não exibiu arrependimento significativo. Por ser menor de idade, a responsável foi internada na Fundação Casa, onde pode cumprir até três anos de reclusão, conforme a legislação vigente.
Substância letal em foco
O trióxido de arsênio, usado nos crimes, é um composto químico altamente tóxico, empregado na indústria e em tratamentos médicos, como para leucemia. Rafael Lanara, farmacêutico bioquímico e presidente da Sociedade Brasileira de Toxicologia, explicou que a substância tem histórico em casos de envenenamento. A facilidade de compra, especialmente online, alarma especialistas e autoridades.

A ausência de controle rigoroso na venda do arsênio é um ponto de preocupação. Casos semelhantes têm sido registrados em centros de intoxicação pelo país, envolvendo não apenas o trióxido de arsênio, mas também outras substâncias perigosas, como o chumbinho, que é proibido. No Rio Grande do Sul, quatro pessoas morreram após consumir um bolo envenenado com o mesmo composto.
Relatos das vítimas e famílias
Silvio Ferreira das Neves, pai de Ana Luiza, ainda tenta compreender a tragédia. A jovem envenenadora, que ele tratava como parte da família, demonstrou frieza ao confortá-lo no hospital, dizendo: “Tio, vai ficar tudo bem”. A proximidade entre a autora do crime e a família da vítima torna o caso ainda mais chocante.
Kamilly, a sobrevivente, descreveu os sintomas intensos após consumir o bolo. A mãe, Kátia Miranda, agiu rápido ao levá-la ao hospital, gritando por ajuda. Exames detectaram uma substância anormal no organismo, mas a falta de provas, como o descarte do pote do bolo, impediu ações iniciais. A família decidiu falar após a morte de Ana Luiza, temendo que outras vítimas surgissem.
Falta de regulamentação da venda
A compra do trióxido de arsênio pela internet expõe uma falha grave na fiscalização. Especialistas, como Rafael Lanara, defendem a necessidade de controle rigoroso, especialmente em plataformas online, onde o acesso a substâncias perigosas é facilitado. A falta de restrições contrasta com o potencial letal do composto, usado historicamente em crimes.
Casos de envenenamento têm crescido, com registros envolvendo alimentos variados, como açaí, baião-de-dois e ovos de Páscoa. Autoridades de saúde e toxicologistas alertam para a urgência de medidas preventivas. Dois projetos de lei foram apresentados para regulamentar a venda de substâncias como o arsênio, mas ainda aguardam tramitação.
Medidas em andamento
O Ministério da Saúde, em nota, informou que planeja implantar uma linha de cuidados para pessoas intoxicadas até 2030. A iniciativa visa melhorar o atendimento a vítimas de envenenamento e aumentar a conscientização sobre os riscos de substâncias tóxicas. A proposta surge em meio a casos alarmantes em diversas regiões do país.
- Reforço no atendimento a vítimas de intoxicação.
- Planejamento de ações preventivas contra envenenamentos.
- Monitoramento de casos envolvendo substâncias perigosas.
- Projetos de lei para controle de vendas em tramitação.
- Foco em saúde pública para reduzir riscos.
Perfil da jovem envenenadora
A adolescente responsável pelos crimes era vista como uma pessoa próxima pelas famílias das vítimas. Ela frequentava a casa de Ana Luiza, compartilhava momentos e até usava itens pessoais das irmãs. A confissão revelou ciúmes como motivação, mas a frieza demonstrada chocou os envolvidos. A jovem está sob custódia da Fundação Casa, onde recebe acompanhamento.
O caso expõe a complexidade de lidar com menores infratores. A legislação prevê até três anos de internação, e a adolescente alegou problemas psicológicos em depoimento. A mãe, abalada, acompanhou todo o processo, enquanto a polícia segue investigando possíveis conexões com outros casos.
Casos semelhantes pelo país
Envenenamentos com trióxido de arsênio e outras substâncias têm preocupado autoridades. No Rio Grande do Sul, quatro pessoas perderam a vida após consumir um bolo contaminado. Registros em centros de intoxicação apontam o uso de alimentos variados em tentativas criminosas, como açaí e ovos de Páscoa.
A ausência de controle na venda de compostos tóxicos facilita esses crimes. Especialistas cobram ações rápidas para proteger a população. A tramitação de projetos de lei é vista como um passo inicial, mas a implementação de medidas concretas ainda é aguardada.
Alerta para a sociedade
Casos como o de Ana Luiza e Kamilly destacam a necessidade de atenção a entregas suspeitas. Alimentos enviados sem identificação clara do remetente devem ser tratados com cautela. Autoridades orientam que, em caso de mal-estar após consumo, a vítima procure ajuda médica imediatamente e preserve qualquer evidência, como embalagens.
A compra de substâncias perigosas online é outro ponto crítico. A facilidade de acesso preocupa especialistas, que pedem maior fiscalização. Enquanto medidas não são adotadas, a população deve redobrar a atenção a pacotes e mensagens de origem duvidosa.















