Influenciadora Pamela Drudi rebate acusações da CPI das Bets sobre apostas ilegais
Pamela Drudi, influenciadora de Vinhedo (SP), pronunciou-se pela primeira vez após ser citada no relatório final da CPI das Bets, apresentado na terça-feira, 10 de junho de 2025, pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS). A Comissão Parlamentar de Inquérito investiga práticas irregulares no mercado de apostas online no Brasil, e o documento propõe o indiciamento de Drudi e outros 15 nomes, incluindo influenciadores como Virgínia Fonseca e Deolane Bezerra, por crimes como publicidade enganosa e estelionato. A votação do relatório está prevista para esta semana no Senado, em Brasília. A defesa de Drudi nega as acusações, afirmando que ela nunca promoveu apostas ilegais e que sempre alertou seguidores sobre os riscos financeiros. Com 4 milhões de seguidores no Instagram, a influenciadora enfrenta questionamentos sobre a transparência de suas divulgações.
O caso ganhou destaque após a CPI apontar indícios de que Drudi utilizava simulações de apostas para atrair seguidores, sem esclarecer que os resultados apresentados poderiam não refletir a realidade. A relatora da comissão destacou a falta de transparência como um fator central nas acusações. A influenciadora, que se apresenta como embaixadora da plataforma r7.bet, publicou um vídeo sobre apostas na segunda-feira, 9 de junho, intensificando o escrutínio público.
A defesa de Drudi enviou uma nota ao portal G1, enfatizando que todas as movimentações financeiras da influenciadora têm origem lícita e estão devidamente declaradas. Além disso, afirmaram que os conteúdos publicados por ela nunca envolveram contas de demonstração, prática que a CPI sugere ser comum entre influenciadores para simular ganhos irreais.
- Principais pontos da defesa de Pamela Drudi:
- Nega ter promovido casas de apostas com contas demo.
- Afirma que sempre alertou sobre os riscos de perdas financeiras.
- Declara que seus bens e valores estão regularizados e auditados.
Relatório da CPI e nomes envolvidos
O relatório da CPI das Bets, conduzida no Senado, detalha um esquema amplo envolvendo influenciadores, empresários e representantes de plataformas de apostas online. A senadora Soraya Thronicke propôs o indiciamento de 16 pessoas, com acusações que variam de estelionato a lavagem de dinheiro e integração de organização criminosa. Entre os nomes, estão figuras conhecidas do público, como Virgínia Fonseca, também acusada de publicidade enganosa, e Deolane Bezerra, que enfrenta denúncias por crimes mais graves, incluindo contravenções penais relacionadas a jogos de azar.
A lista de indiciados inclui ainda nomes menos conhecidos, como Adélia de Jesus Soares e Daniel Pardim Tavares Gonçalves, acusados de crimes como lavagem de dinheiro. A CPI também pediu investigações sobre a empresa Paybrokers, apontada como intermediária no recebimento de recursos de sites de apostas. A relatora destacou que as propostas de indiciamento não são automáticas, cabendo ao Ministério Público avaliar a apresentação de denúncias formais.
O documento da CPI sublinha a gravidade das práticas investigadas, especialmente a manipulação de conteúdos para induzir apostas. Segundo a relatora, muitos influenciadores publicavam vídeos mostrando altos lucros sem informar que usavam contas promocionais, criando uma falsa expectativa de ganhos fáceis.
No mesmo tema: Virginia indiciada na CPI das Bets: O que acontece agora com a influenciadora
Acusações contra Pamela Drudi
Pamela Drudi, de 31 anos, é uma das influenciadoras mais conhecidas de Vinhedo, interior de São Paulo. Com uma base de 4 milhões de seguidores no Instagram e 2,5 milhões no TikTok, ela construiu uma carreira promovendo marcas e, mais recentemente, plataformas de apostas online. A CPI das Bets a acusa de induzir seguidores a apostar por meio de vídeos que simulavam resultados positivos, prática que, segundo a relatora, carecia de transparência.
As acusações contra Drudi incluem:
- Publicidade enganosa: Por não esclarecer a natureza promocional de suas apostas.
- Estelionato: Por induzir seguidores a investir em plataformas com promessas de ganhos irreais.
A influenciadora nega as alegações, e sua defesa reforça que ela sempre agiu dentro da legalidade. Em nota, os advogados destacaram que Drudi alertava sobre os riscos inerentes às apostas, uma prática que, segundo eles, a diferencia de outros influenciadores citados no relatório.
Papel dos influenciadores no mercado de apostas
O crescimento do mercado de apostas online no Brasil, especialmente após a regulamentação parcial em 2018, atraiu a atenção de influenciadores digitais. Plataformas como r7.bet, Blaze e Bet365 investiram pesado em parcerias com criadores de conteúdo para alcançar públicos jovens. A CPI das Bets revelou que muitos desses influenciadores recebiam comissões significativas por cada novo usuário cadastrado, o que incentivava a produção de conteúdos promocionais.
A falta de regulamentação clara sobre a publicidade de apostas online criou um ambiente propício para práticas questionáveis. A relatora da CPI apontou que influenciadores frequentemente omitiam informações sobre os riscos financeiros, focando apenas nos potenciais lucros. No caso de Drudi, a CPI questiona se ela deixava claro que os resultados apresentados em seus vídeos não garantiam ganhos reais.
Outros nomes na mira da CPI
Além de Pamela Drudi, o relatório da CPI das Bets trouxe à tona outros influenciadores e empresários envolvidos no mercado de apostas. Virgínia Fonseca, uma das maiores criadoras de conteúdo do Brasil, enfrenta acusações semelhantes às de Drudi, com a CPI apontando vídeos promocionais que não informavam sobre os riscos das apostas. Deolane Bezerra, por sua vez, é alvo de denúncias mais graves, incluindo a suspeita de integrar esquemas de lavagem de dinheiro.
A lista de indiciados também inclui:
- Marcella Ferraz de Oliveira: Acusada de contravenções penais e estelionato.
- Jorge Barbosa Dias: Suspeito de lavagem de dinheiro e exploração ilegal de jogos de azar.
- Bruno Viana Rodrigues: Envolvido em crimes de organização criminosa.
A CPI destacou que o envolvimento de influenciadores em esquemas de apostas vai além da publicidade, com alguns nomes ligados a operações financeiras suspeitas. A empresa Paybrokers, citada no relatório, é investigada por facilitar transações entre sites de apostas e usuários, muitas vezes sem a devida transparência.
Leia também: Virginia Fonseca retoma propaganda de cassino online e divide opiniões após depoimento na CPI das Bets
Repercussão nas redes sociais
O relatório da CPI gerou intensa discussão nas redes sociais, com usuários divididos sobre a responsabilidade dos influenciadores. Alguns defendem que criadores como Drudi apenas promovem produtos, enquanto outros criticam a falta de ética na divulgação de apostas. Hashtags como #CPIdasBets e #ApostasOnline ganharam força no X, com posts que questionam a influência de celebridades digitais no comportamento de jovens.
A influenciadora de Vinhedo ainda não fez novas publicações sobre o caso em suas redes, mas sua equipe jurídica informou que está colaborando com as autoridades. A expectativa é que o caso ganhe ainda mais visibilidade com a votação do relatório no Senado.
Próximos passos da CPI
A votação do relatório final da CPI das Bets está marcada para os próximos dias, e o documento será encaminhado ao Ministério Público para análise. Caso as propostas de indiciamento sejam acatadas, os acusados poderão responder a processos criminais. A CPI também recomendou medidas para regulamentar a publicidade de apostas online, incluindo a obrigatoriedade de alertas sobre riscos financeiros em conteúdos promocionais.
O caso de Pamela Drudi e outros influenciadores destaca a necessidade de maior controle sobre o mercado de apostas no Brasil. A regulamentação, que começou a ser discutida em 2018, ainda enfrenta lacunas, especialmente no que diz respeito à atuação de influenciadores digitais.
Transparência e responsabilidade
A defesa de Pamela Drudi insiste que a influenciadora sempre agiu com transparência, mas a CPI argumenta que a falta de clareza em seus vídeos contribuiu para enganar seguidores. A relatora da comissão destacou que a responsabilidade dos influenciadores vai além da promoção de produtos, especialmente em um setor de alto risco como o de apostas online.
Os próximos desdobramentos do caso dependerão das decisões do Ministério Público e da votação no Senado. Enquanto isso, o mercado de apostas online segue sob escrutínio, com a CPI expondo práticas que, segundo a relatora, prejudicam consumidores e favorecem esquemas ilícitos.
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