Conta de luz gratuita para CadÚnico e BPC começa em julho com novas regras

8 min de leitura
Conta de luz Tarifa Social Foto: Conta de luz Tarifa Social - Foto: Nando Vidal/iStock

A partir de 5 de julho de 2025, cerca de 17 milhões de famílias brasileiras em situação de vulnerabilidade socioeconômica terão a conta de luz gratuita para consumos de até 80 kWh por mês, graças às novas regras da Tarifa Social de Energia Elétrica. A medida, regulamentada pela Medida Provisória nº 1.300/2025 e aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), beneficia inscritos no Cadastro Único (CadÚnico), beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), indígenas, quilombolas e famílias com pessoas dependentes de equipamentos médicos elétricos. A iniciativa, que abrange aproximadamente 60 milhões de pessoas, visa reduzir desigualdades e aliviar o orçamento das classes C, D e E. A isenção cobre apenas a energia consumida, enquanto taxas como ICMS e iluminação pública permanecem. O programa também incentiva o uso consciente de energia, com cobrança apenas sobre o excedente.

A Tarifa Social é um programa federal que há anos oferece descontos na conta de luz, mas a reformulação amplia seu alcance. A gratuidade para consumos até 80 kWh é a principal novidade, substituindo faixas de desconto progressivo. Famílias que consomem mais pagarão apenas pelo excedente, mantendo benefícios parciais.

  • Quem pode acessar? Inscritos no CadÚnico com renda per capita de até meio salário mínimo, beneficiários do BPC e famílias com dependentes de aparelhos médicos.
  • O que muda? A isenção total para até 80 kWh e cadastro automático para elegíveis.
  • Como garantir? Atualizar dados no CadÚnico ou BPC no CRAS ou Previdência Social.

O governo estima que 4,5 milhões de famílias com consumo dentro do limite terão faturas zeradas, exceto por taxas estaduais e municipais. A medida foi anunciada como um passo para a inclusão social e a cidadania energética.

Elegibilidade para a tarifa social

Para ter direito à Tarifa Social, as famílias precisam atender a critérios específicos. A inscrição no CadÚnico é o principal requisito, com renda per capita de até meio salário mínimo (R$759 em 2025). Idosos acima de 65 anos ou pessoas com deficiência que recebem o BPC também são contemplados automaticamente. Famílias com renda de até três salários mínimos e membros dependentes de equipamentos médicos elétricos, como respiradores, também se qualificam.

O processo de adesão é simplificado. Desde 2021, a Lei nº 14.203 garante cadastro automático para beneficiários do BPC, com cruzamento de dados entre o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e as distribuidoras de energia. Para inscritos no CadÚnico, a atualização cadastral bienal é essencial para evitar a suspensão do benefício.

Quase 44 milhões de consumidores devem sentir algum alívio na conta de luz, seja por isenção total ou descontos parciais. A medida abrange tanto áreas urbanas quanto rurais, incluindo sistemas isolados na região Norte.

Novas regras em detalhes

As mudanças na Tarifa Social eliminam as faixas de desconto progressivo (10% a 65% para consumos de 30 a 220 kWh) e estabelecem uma regra única: 100% de desconto até 80 kWh mensais. Para consumos acima disso, a cobrança incide apenas sobre o excedente, sem desconto adicional.

  • Consumo de 50 kWh/mês: Fatura zerada, exceto taxas locais.
  • Consumo de 100 kWh/mês: Isenção nos primeiros 80 kWh, pagamento dos 20 kWh excedentes.
  • Consumo acima de 120 kWh/mês: Possível isenção da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para famílias com renda entre meio e um salário mínimo.

A reformulação também reduz o custo de disponibilidade para instalações trifásicas de 100 kWh para 80 kWh, beneficiando consumidores rurais. A fiscalização será intensificada para evitar duplicidade, garantindo que cada família receba o benefício em apenas uma residência.

Tarifa Social
Tarifa Social – Foto: brunorbs/istock

Como acessar o benefício

A inscrição na Tarifa Social é automática para quem está no CadÚnico ou BPC com dados atualizados. Para novos cadastros ou atualizações, é necessário procurar o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) ou uma agência da Previdência Social. Documentos exigidos incluem CPF, RG (ou RANI para indígenas), comprovante de residência e o Número de Identificação Social (NIS) ou Número do Benefício (NB).

Famílias que mudam de endereço devem informar a distribuidora de energia para manter o benefício. A falta de atualização por mais de dois anos pode levar à suspensão. Canais de atendimento, como sites, aplicativos ou call centers das distribuidoras, também permitem verificar se o desconto já está aplicado.

A conta de luz indica a elegibilidade no campo “Subclasse”. Se constar “Residencial Baixa Renda”, o benefício está ativo. Caso contrário, o consumidor deve verificar seu cadastro.

Benefícios para grupos específicos

A Tarifa Social prioriza grupos vulneráveis, como indígenas e quilombolas, que antes tinham descontos diferenciados (100% até 50 kWh). Agora, todos os beneficiários seguem a regra de 80 kWh, unificando critérios. Idosos e pessoas com deficiência que recebem o BPC ganham destaque, com inclusão automática.

Famílias com dependentes de equipamentos médicos elétricos, como ventiladores pulmonares, também são contempladas, desde que inscritas no CadÚnico com renda de até três salários mínimos. Nessas situações, um laudo médico pode ser exigido para comprovar a necessidade.

A medida beneficia especialmente regiões como o Nordeste, onde a pobreza é mais prevalente. Em Santa Catarina, por exemplo, 477 mil famílias devem ser impactadas.

Financiamento da gratuidade

O custeio da Tarifa Social vem da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que representa cerca de 12% da fatura de energia. Para minimizar impactos financeiros, a Medida Provisória revisa subsídios a fontes incentivadas, como solar e eólica, mantendo descontos apenas para contratos até 31 de dezembro de 2025.

A CDE também financia outros programas, como o Luz para Todos, voltado à universalização da energia. O governo estima que a gratuidade custará R$4,5 bilhões anuais, divididos entre consumidores do mercado regulado. Para famílias com renda entre meio e um salário mínimo, a isenção da CDE em consumos até 120 kWh pode reduzir a fatura em 11,8%.

Incentivo ao uso consciente

A limitação de 80 kWh para gratuidade incentiva o consumo responsável. Um lar com eletrodomésticos básicos, como geladeira, ventilador e lâmpadas econômicas, geralmente fica dentro desse limite. Consumos elevados, como ar-condicionado ou chuveiros elétricos, podem ultrapassá-lo, resultando em cobrança parcial.

Dicas para manter o consumo baixo incluem:

  • Usar lâmpadas LED.
  • Desligar aparelhos em standby.
  • Evitar banhos longos com chuveiro elétrico.
  • Regular a temperatura de geladeiras.

A Aneel reforça que a medida promove sustentabilidade, reduzindo a pressão sobre o sistema elétrico. Consumidores que ultrapassam o limite ainda se beneficiam de tarifas reduzidas no excedente, dependendo da renda.

Ampliação do acesso à energia

A reformulação da Tarifa Social é parte de uma reforma maior do setor elétrico, que inclui a abertura do mercado livre de energia a partir de 2026. Isso permitirá que consumidores residenciais escolham fornecedores, potencialmente reduzindo custos.

A Medida Provisória, publicada em maio de 2025, ainda precisa de aprovação no Congresso em até 120 dias para se tornar lei. Enquanto isso, a gratuidade entra em vigor em 5 de julho, beneficiando imediatamente milhões de famílias. A iniciativa é vista como um marco na inclusão social, garantindo acesso à energia para os mais pobres.

Manutenção do benefício

Para evitar a perda do desconto, é fundamental manter o cadastro atualizado. A Aneel e o Ministério do Desenvolvimento Social verificam regularmente as informações. Famílias que deixam de atender aos critérios, como aumento de renda, podem ser desligadas do programa.

Canais de atendimento das distribuidoras, como CPFL, EDP e Neoenergia, oferecem suporte para dúvidas. O site do Ministério do Desenvolvimento Social também disponibiliza informações detalhadas. A atualização cadastral pode ser feita presencialmente no CRAS ou online, dependendo do município.

Impacto regional

Regiões com maior índice de pobreza, como Norte e Nordeste, terão maior impacto. Em Vitória da Conquista (BA), por exemplo, a medida deve aliviar o orçamento de milhares de famílias. A universalização da energia em áreas rurais e isoladas, como comunidades quilombolas, também é priorizada.

A Tarifa Social reforça a cidadania energética, garantindo que a eletricidade, essencial para a qualidade de vida, seja acessível. A iniciativa responde a demandas históricas por justiça social no setor elétrico, beneficiando diretamente os mais vulneráveis.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

Notícias relacionadas