Um bloqueio judicial de até R$ 6 bilhões atingiu o patrimônio do advogado Willer Tomaz nesta sexta-feira (23), por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. A ordem determina a indisponibilidade de bens móveis, imóveis, aviões e embarcações, além da quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial do investigado.
A decisão também ordena a paralisação imediata das atividades econômicas, financeiras e empresariais de todas as companhias ligadas ao advogado e o cancelamento de seus passaportes, incluindo um documento diplomático. As medidas cautelares foram adotadas após a Polícia Federal (PF) identificar que o investigado viajou para Miami, nos Estados Unidos, depois de ter sido alvo de mandados de busca e apreensão em agosto de 2026.
Quebra de sigilo de Willer Tomaz e prazo de 24 horas aos bancos
O relator do caso no STF, ministro Alexandre de Moraes, estabeleceu o prazo de 24 horas, contadas a partir da notificação formal, para que as instituições financeiras enviem todos os dados bancários de Willer Tomaz e de suas empresas. Os bancos também têm a obrigação de informar ao tribunal a lista completa de todos os antigos e atuais correntistas dessas companhias.
Leia também: Alexandre de Moraes manda prender Eduardo Bolsonaro e cancelar passaporte
Para garantir a efetividade da restrição patrimonial de até R$ 6 bilhões e a suspensão das operações financeiras em território nacional e no exterior, a ordem judicial mobiliza órgãos de fiscalização do sistema financeiro e atinge diretamente quatro pessoas jurídicas vinculadas ao advogado investigado pela Polícia Federal, incluindo uma estrutura empresarial sediada na Ilha da Madeira, em Portugal.
- Órgãos comunicados para execução dos bloqueios: Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
- Empresas com sigilos quebrados e atividades suspensas: Alcazar Brasil Ltda, Alcazar Holdings Unipessoal (sediada na Ilha da Madeira, em Portugal), Alcazar Global Holdings e Cathedral – Holdings SGPS.
- Cronologia da tramitação no STF: pedido distribuído por sorteio ao ministro Alexandre de Moraes na sexta-feira, 16 de outubro de 2026, e decisão assinada em 23 de outubro de 2026.
Viagem de Willer Tomaz aos EUA e a Operação Sem Desconto
A Polícia Federal aponta que o deslocamento de Willer Tomaz para os Estados Unidos após as buscas realizadas em agosto de 2026 representou risco de destruição de provas relacionadas a fundos e empresas mantidos no exterior. O advogado é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro ligada a negócios com plataformas de apostas, conhecidas como bets, e por supostos desvios e descontos indevidos aplicados sobre aposentadorias e benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Continue lendo: Aposentadoria especial do INSS perde exigência de idade no STF
Um documento elaborado pelo Ministério da Fazenda indicou que Willer Tomaz figurou como o maior apostador em plataformas de apostas do Brasil ao longo do ano de 2025. Já a apuração sobre os descontos previdenciários tramita no âmbito da Operação Sem Desconto, deflagrada em agosto de 2026, que também investiga supostos repasses financeiros ao senador Weverton Rocha (PDT-MA), parlamentar que nega as acusações.
Relatório da PF cita Flávio Bolsonaro em conta de empresa de Willer Tomaz
A partir da extração e análise de arquivos armazenados na nuvem (iCloud) de Willer Tomaz, apreendidos durante as diligências da Operação Sem Desconto, os investigadores localizaram registros de festas, encontros, possíveis pagamentos de viagens e documentos que conectam o advogado ao senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). A aproximação entre os dois começou em 2019, período em que o advogado atuou na defesa do ex-ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio, e tornou-se conhecida nos últimos meses durante a campanha eleitoral.
O relatório encaminhado pela Polícia Federal ao STF aponta que o parlamentar esteve registrado com perfil de gerenciamento em uma conta corporativa até a quinta-feira, 22 de maio de 2025. “Na documentação relativa à abertura da conta bancária da empresa Alcazar Holding, verificou-se que Flávio Bolsonaro figurava com perfil de usuário master, condição que, em princípio, lhe conferia nível elevado de acesso e gerenciamento da conta. Posteriormente, em e-mail datado de 22/05/2025, foi expressamente solicitada a exclusão de seu acesso, elemento que indica que o senador permanecia vinculado à conta bancária, ao menos sob a perspectiva operacional, até aquela data”, informou a representação da Polícia Federal enviada ao STF.
Flávio Bolsonaro e sua defesa técnica afirmam que o vínculo com Willer Tomaz restringe-se à amizade pessoal e familiar, negando a existência de relações comerciais ou o compartilhamento de contas bancárias com o advogado. A campanha do candidato informou ainda que o pedido enviado pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal não havia sido convertido em inquérito contra o senador devido à ausência de manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Até a publicação desta matéria, não havia manifestação oficial da defesa do advogado Willer Tomaz sobre a decisão judicial que determinou o bloqueio de bens e o cancelamento de seus passaportes em 23 de outubro de 2026.
