O presidente da República e candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e o senador e candidato à Presidência pelo PL-RJ, Flávio Bolsonaro, enfrentam-se nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (23), no último debate presidencial das Eleições 2026 antes do segundo turno. O confronto direto é mediado pelo jornalista César Tralli e está dividido em quatro blocos mais as considerações finais, reunindo os dois postulantes ao Palácio do Planalto em embates sobre infraestrutura, dívida pública e políticas sociais.
Na abertura do encontro, voltada aos temas de infraestrutura e exportações, Flávio Bolsonaro citou dados do Tribunal de Contas da União (TCU) para criticar a gestão federal e prometeu concluir a ferrovia Transnordestina. “Neste ano, o TCU, Tribunal de Contas da União, acaba de soltar um relatório [que diz] que existem mais de 11.500 obras paralisadas do atual governo. Ou seja, o país voltou a ser um grande cemitério de obras”, declarou Flávio Bolsonaro. Em resposta direta, Lula rebateu a acusação sobre o andamento dos projetos públicos. “Penso que se o candidato conhecesse um pouco o Brasil, ele saberia que em nenhum momento na história do país se investiu tanto em obras de infraestrutura como nós investimos nos últimos anos”, afirmou o presidente.
Infraestrutura e disputas regionais entre Lula e Flávio Bolsonaro
Ainda na pauta sobre logística, o candidato do PL detalhou seus planos para o escoamento da produção agrícola. “Eu vou fazer o eixo Sul da ferrovia que está faltando, ligando o Centro-Oeste até o oeste de Paraná, Santa Catarina.”, disse Flávio Bolsonaro. Quando o foco passou para a região Centro-Oeste, o senador questionou a burocracia para investir em maquinário e prometeu segurança jurídica ao lado de governadores aliados, enquanto Lula afirmou que seu adversário “estuda para decorar” e defendeu que todos os segmentos da agricultura obtiveram mais recursos do governo e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com registro de superávit comercial.
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Nas rodadas dedicadas às especificidades de cada região brasileira durante o primeiro bloco, a discussão abordou desde a previdência e a recuperação climática no Sul até a preservação ambiental no Norte e o combate ao crime organizado no Nordeste. Ao tratar da região Sul, que concentra o maior número de aposentados do país, Lula questionou o adversário sobre uma proposta de corte de gastos apelidada de “tesouraço”, comparando-a às medidas do presidente da Argentina, Javier Milei, enquanto Flávio Bolsonaro assegurou que não privatizará o Banco do Brasil nem a Caixa Econômica Federal, prometeu reajustar salários acima da inflação e afirmou que atuará junto ao governador eleito Zucco para evitar enchentes no Rio Grande do Sul.
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Sobre a região Norte, Flávio Bolsonaro defendeu investimentos com base nas metas do Marco Legal do Saneamento Básico e abordou a autonomia indígena. Lula lembrou a crise de falta de oxigênio no Amazonas durante a pandemia no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, defendeu o Fundo Amazônia para manter a floresta em pé com foco na economia verde e criticou a postura do oponente. “Não sei se vocês prestaram atenção no que ele falou porque é tudo contrário do que fizeram”, disse o petista. Já no debate sobre o Nordeste, Lula listou entregas de indústrias, hospitais e universidades ao longo de seus três mandatos, ao passo que Flávio Bolsonaro acusou o governo de levar a facção Comando Vermelho à região e prometeu governar em parceria com chefes de Executivos estaduais de oposição para combater o crime.
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Lula e Flávio Bolsonaro debatem dívida de R$ 11 trilhões e o SUS
O segundo bloco, estruturado com temas escolhidos em um painel, concentrou discussões sobre a área econômica, programas de transferência de renda e saúde pública, além de registrar a concessão de direitos de resposta pela direção do programa para ambos os candidatos. Nos direitos de resposta, Lula declarou que a “elite brasileira” deve pedir desculpas ao povo e defendeu seu histórico em políticas sociais, enquanto Flávio Bolsonaro argumentou que as ideias do petista do início dos anos 2000 não funcionam mais e mencionou uma lei contra maus-tratos a animais; já no embate sobre temas sociais, o presidente cobrou o senador por ter sido o único deputado estadual do Rio de Janeiro a votar contra o aumento da licença-maternidade e por ter chamado o Bolsa Família de “bolsa farelo”, ao que o candidato do PL respondeu que votaria diferente na pauta trabalhista e afirmou que a população em situação de rua dobrou na atual gestão.
Na pauta econômica, Flávio Bolsonaro afirmou que o atual governo deixou uma dívida pública total de R$ 11 trilhões e questionou a alta na taxa de juros. Lula rebateu perguntando por que os aliados do senador defendem um Banco Central independente, e afirmou que pretende comprar dívidas de devedores. O candidato do PL respondeu que a autonomia da autoridade monetária evita a explosão dos juros e propôs pagar parte da dívida para reduzir a taxa oficial e abrir margem para investimentos. Quando o tema foi o Sistema Único de Saúde (SUS), Lula destacou o papel da rede pública para evitar mortes na pandemia de Covid-19, enquanto Flávio Bolsonaro disse que os recursos atuais são mal aplicados, lembrou que o SUS salvou seu pai após a facada na campanha de 2018 e prometeu expandir o Instituto Nacional de Câncer (Inca) e refinanciar dívidas das Santas Casas.
Ordem dos embates entre Lula e Flávio Bolsonaro nos dois primeiros blocos
O confronto nos Estúdios Globo teve início programado logo após a exibição do Jornal Nacional e registrou uma sequência de perguntas alternadas e intervenções da mediação até o intervalo do segundo bloco.
- 21h20 — Horário programado para o início do debate presidencial nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com abertura sobre infraestrutura.
- 56 min antes do fim do 2º bloco — Flávio Bolsonaro inicia as perguntas regionais questionando Lula sobre incentivos ao agronegócio no Centro-Oeste.
- 48 min antes do fim do 2º bloco — Lula abre a rodada sobre a região Sul perguntando sobre o reajuste de aposentadorias e o corte de gastos.
- 43 min antes do fim do 2º bloco — Flávio Bolsonaro questiona Lula sobre a região Norte e as metas do Marco Legal do Saneamento Básico.
- 36 min antes do fim do 2º bloco — Lula faz pergunta sobre a região Nordeste e cita obras de infraestrutura e universidades.
- 31 min antes do fim do 2º bloco — Encerramento do primeiro bloco de discussões regionais.
- 25 min antes do fim do 2º bloco — Lula abre o segundo bloco escolhendo o tema de políticas sociais no painel.
- 16 min antes do fim do 2º bloco — A direção do debate concede direitos de resposta a Lula e a Flávio Bolsonaro.
- 14 min antes do fim do 2º bloco — Flávio Bolsonaro escolhe perguntar sobre a dívida pública e a taxa de juros.
- 8 min antes do fim do 2º bloco — Lula escolhe o tema do Sistema Único de Saúde (SUS) para questionar o adversário.
- 1 min antes da pausa — Encerramento do segundo bloco para intervalo comercial.
Regras do debate, comitivas no Rio de Janeiro e calendário das Eleições 2026
Para evitar episódios de aproximação física no palco — como ocorreu no encontro anterior, quando Flávio Bolsonaro ficou próximo de Lula enquanto o presidente falava —, a organização impôs restrições de circulação: nos três primeiros blocos, apenas o candidato com a palavra pode caminhar pelo estúdio, enquanto o oponente aguarda no púlpito; no quarto bloco, de confronto livre com 8 minutos de fala para cada um, a movimentação fica restrita ao lado de cada candidato no cenário.
Nos bastidores e na plateia dos Estúdios Globo, Lula esteve acompanhado pelo ministro Sidônio Palmeira, pelo governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), pelo senador Camilo Santana (PT-CE), pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, pela primeira-dama Janja e por Cristiane Gomes da Silva, mãe da menina Ana Clara. A comitiva de Flávio Bolsonaro contou com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a ex-presidente da Caixa Daniella Marques e o marqueteiro da campanha, Duda Lima.
Os dois candidatos chegam à reta final da campanha após uma disputa acirrada na primeira etapa da votação e nos levantamentos de intenção de voto.
- 18 de outubro de 2026 — Realização do primeiro debate do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, na TV Bandeirantes, após um primeiro turno em que o senador obteve 47,03% dos votos válidos (56,1 milhões de votos) e o presidente alcançou 45,16% dos votos válidos (53,9 milhões de votos), uma diferença de 1,87 ponto percentual.
- 22 de outubro de 2026 — Divulgação de pesquisa do instituto Datafolha apontando empate técnico de 50% a 50% nas intenções de votos válidos para cada candidato.
- 23 de outubro de 2026 — Realização do segundo e último debate presidencial do segundo turno, no Rio de Janeiro.
- 25 de outubro de 2026 — Dia da votação do segundo turno das Eleições Presidenciais em todo o país.
Os desdobramentos do terceiro e do quarto blocos, bem como o teor das considerações finais, ainda não estavam confirmados até o fechamento desta edição, pois o debate permanecia em andamento no intervalo após o segundo bloco. Após o encerramento da transmissão, cada candidato terá direito a conceder uma entrevista coletiva de 10 minutos.
