Hugo Motta proíbe comissões em recesso, e PL mobiliza atos por BolsonaroPor Luís Henrique Costa
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Na última terça-feira, 22 de julho de 2025, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), proibiu a realização de reuniões de comissões na Casa, em meio a reformas estruturais e ao recesso parlamentar. A decisão frustrou planos de duas comissões presididas por parlamentares do Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, que convocaram reuniões deliberativas para votar moções de apoio político ao ex-mandatário. As comissões de Segurança Pública e de Relações Exteriores, lideradas por deputados bolsonaristas, buscavam manifestar solidariedade a Bolsonaro, alvo de medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A oposição, liderada por figuras como Sóstenes Cavalcante e Zucco, criticou a proibição, acusando-a de cercear a liberdade de expressão dos parlamentares. A mobilização ocorre em um momento de tensão política, com Bolsonaro sob restrições judiciais, como uso de tornozeleira eletrônica e proibição de acesso a redes sociais. A decisão de Motta reacende debates sobre o equilíbrio entre a gestão legislativa e a liberdade de manifestação política.
A oposição, mesmo diante do impedimento, reuniu-se informalmente na Comissão de Segurança Pública, exibindo uma placa de apoio a Bolsonaro. O ato, liderado pelo deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), foi marcado por críticas à decisão de Motta e ao STF. Parlamentares afirmam que a proibição de reuniões durante o recesso, somada às obras, é uma manobra para silenciar vozes contrárias ao governo. A mobilização reflete a estratégia do PL de manter Bolsonaro em evidência, apesar das limitações impostas pelo Judiciário.
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- Principais pontos da mobilização:
- Reuniões convocadas para moções de apoio a Bolsonaro.
- Críticas à decisão de Hugo Motta e ao STF.
- Planejamento de atos nas ruas para mobilizar a base bolsonarista.
- Reunião informal com placa de solidariedade na Comissão de Segurança Pública.
Reação da oposição à proibição de Motta
A decisão de Hugo Motta de vetar as reuniões deliberativas gerou forte reação entre parlamentares do PL e aliados. O deputado Filipe Barros (PL-PR), presidente da Comissão de Relações Exteriores, anunciou que a oposição planeja mobilizar a militância para protestos nas ruas, além de buscar apoio em organismos internacionais. Segundo ele, a proibição de Motta é vista como uma tentativa de limitar a atuação política da oposição, que considera as medidas cautelares contra Bolsonaro uma perseguição judicial. O líder da oposição, deputado Zucco (PL-RS), foi enfático ao criticar as restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, que incluem toque de recolher noturno e proibição de contato com aliados, como os próprios filhos de Bolsonaro.
A mobilização da oposição não se limitou às críticas verbais. Apesar do veto às reuniões formais, deputados do PL organizaram um encontro informal na segunda-feira, 21 de julho, com a presença de Bolsonaro na Câmara. O evento, que reuniu mais de 50 deputados e dois senadores de partidos como Republicanos, PP e Novo, foi marcado por um tumulto que resultou em uma mesa de vidro quebrada e um corte no rosto do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O incidente, segundo a assessoria de Ferreira, ocorreu acidentalmente durante a saída de Bolsonaro, cercado por apoiadores e imprensa.
- Ações planejadas pela oposição:
- Mobilização de atos públicos a partir de 3 de agosto.
- Apelo a organismos internacionais em defesa de Bolsonaro.
- Reuniões informais para manter o apoio ao ex-presidente.
- Pressão por projetos como a anistia aos envolvidos no 8 de janeiro.
Reformas na Câmara e o recesso parlamentar
As obras na Câmara dos Deputados, iniciadas durante o recesso parlamentar, foram a justificativa oficial para o cancelamento das reuniões. O corredor das comissões, no Anexo II, passa por substituição do piso por granito preto e instalação de painéis de madeira. Outras reformas incluem a modernização de sistemas de áudio e vídeo no plenário Ulysses Guimarães e a substituição de carpetes nos anexos. A previsão é que as obras sejam concluídas antes do retorno das atividades legislativas, marcado para 4 de agosto.
Hugo Motta, em comunicado na semana anterior, reforçou que o recesso de julho, conhecido como “recesso branco”, não seria interrompido. A decisão foi criticada pela oposição, que argumenta que o veto às comissões impede o debate sobre questões urgentes, como as medidas judiciais contra Bolsonaro. O presidente da Câmara, no entanto, mantém a posição de que as reformas e a manutenção do recesso são necessárias para a modernização da Casa.
- Principais reformas em andamento:
- Substituição do piso no corredor das comissões por granito preto.
- Modernização de sistemas de áudio e vídeo no plenário.
- Implantação de um novo estúdio multiuso para rádio, TV e redes sociais.
- Reformas nos gabinetes parlamentares do Anexo III.
Medidas cautelares e a presença de Bolsonaro
Jair Bolsonaro, alvo de medidas cautelares impostas pelo STF, enfrenta restrições que incluem o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de acessar redes sociais e recolhimento domiciliar noturno e nos fins de semana. As medidas foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes em 18 de julho, no âmbito de um inquérito que investiga suposta atuação contra instituições brasileiras, incluindo articulações com o governo dos Estados Unidos. A decisão foi ratificada pela maioria da Primeira Turma do STF, com votos dos ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino, e ainda aguarda posicionamento de Cármen Lúcia e Luiz Fux.
Na segunda-feira, 21 de julho, Bolsonaro compareceu à Câmara para uma reunião com aliados, onde exibiu publicamente a tornozeleira eletrônica, chamando-a de “símbolo da máxima humilhação”. Suas declarações à imprensa, replicadas nas redes sociais, levaram Moraes a intimar sua defesa para esclarecer o descumprimento das restrições, sob pena de prisão imediata. O líder do PL, Sóstenes Cavalcante, orientou Bolsonaro a não comparecer à Câmara na terça-feira, temendo novas sanções judiciais.
- Restrições impostas a Bolsonaro:
- Uso de tornozeleira eletrônica para monitoramento.
- Proibição de acesso a redes sociais, direta ou indiretamente.
- Recolhimento domiciliar das 19h às 6h em dias úteis e integral nos fins de semana.
- Proibição de contato com diplomatas, filhos e outros investigados.
Estratégias do PL para 2026
As medidas cautelares contra Bolsonaro impactam diretamente os planos do PL para as eleições de 2026. O partido contava com o ex-presidente como principal articulador político, capaz de mobilizar sua base de apoiadores. As restrições, especialmente a proibição de manifestações públicas e uso de redes sociais, limitam sua capacidade de articulação. Parlamentares do PL, como Sóstenes Cavalcante, anunciaram a criação de três comissões internas para coordenar ações durante o recesso, incluindo mobilizações nas ruas e pressão por projetos como a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e a PEC do Fim do Foro Privilegiado.
A estratégia do PL inclui reforçar o discurso de perseguição política, mobilizando a militância para atos a partir de 3 de agosto. A oposição também planeja intensificar a comunicação com a base bolsonarista, utilizando deputados e senadores para compensar as restrições impostas a Bolsonaro. Apesar das limitações, o partido busca manter a relevância do ex-presidente no cenário político, especialmente em negociações com aliados em estados como Goiás, onde Bolsonaro se reuniu com o governador Ronaldo Caiado.
- Prioridades do PL para 2026:
- Mobilização de atos públicos para manter a base engajada.
- Tramitação da PEC do Fim do Foro Privilegiado.
- Pressão pela aprovação do projeto de anistia.
- Fortalecimento de alianças em estados estratégicos.
- Compensação das restrições a Bolsonaro com ações de aliados.
Mobilização popular e organismos internacionais
A oposição, liderada pelo PL, planeja intensificar a mobilização popular como resposta às medidas cautelares e à proibição das reuniões na Câmara. Deputados como Zé Trovão e Rodolfo Nogueira coordenam ações externas para “dar voz” a Bolsonaro, com atos planejados para o início de agosto. A estratégia inclui a convocação de manifestações pacíficas, como anunciado por Sóstenes Cavalcante e pelo blogueiro Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro.
Além disso, a Comissão de Relações Exteriores, presidida por Filipe Barros, pretende acionar organismos internacionais para denunciar o que considera uma perseguição política contra Bolsonaro. A oposição argumenta que as medidas do STF violam direitos políticos e de expressão, buscando apoio em entidades como a Organização dos Estados Americanos (OEA). Essa abordagem reflete a tentativa de internacionalizar o debate sobre as restrições impostas ao ex-presidente.
- Planos de mobilização:
- Atos públicos a partir de 3 de agosto em diversas cidades.
- Denúncias a organismos internacionais, como a OEA.
- Campanha de comunicação para reforçar o discurso de perseguição.
- Envolvimento de deputados e senadores em eventos regionais.















