Campos Lindos confirma sarampo e intensifica ações de bloqueio vacinal
Dois casos de sarampo foram confirmados em Campos Lindos, Tocantins, envolvendo uma criança de quatro anos e uma profissional de saúde de 29 anos, ambas não vacinadas. Os casos, identificados em julho de 2025, tiveram origem em contato com pessoas vindas da Bolívia, onde há um surto ativo da doença. As pacientes apresentaram sintomas clássicos, como febre, manchas na pele e mal-estar, e estão em recuperação domiciliar. Amostras de sangue foram enviadas à Fiocruz, no Rio de Janeiro, para análise definitiva, mantendo os casos sob investigação. O Ministério da Saúde enviou uma equipe técnica para apoiar medidas de contenção, incluindo monitoramento de contatos e reforço na vacinação local. A situação acende um alerta para a importância da imunização em áreas de fronteira, especialmente com a circulação do vírus na América Latina.
A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins informou que as pacientes não apresentaram complicações graves, mas o risco de disseminação da doença preocupa autoridades. O sarampo é altamente contagioso, transmitido por gotículas respiratórias, e pode levar a complicações severas, como pneumonia e encefalite, especialmente em não vacinados. A vacinação, principal medida de prevenção, está sendo intensificada na região.
- Medidas imediatas incluem:
- Isolamento de contatos próximos das pacientes.
- Reforço da campanha de vacinação em Campos Lindos.
- Monitoramento epidemiológico em cidades próximas.
Alerta em regiões de fronteira
A proximidade do Tocantins com a Bolívia, onde 60 casos de sarampo foram registrados em 2025, aumenta a vigilância. A entrada de pessoas infectadas em países vizinhos já causou surtos no Brasil, como em 2019, quando o país perdeu a certificação de nação livre do sarampo pela Organização Panamericana da Saúde (Opas). A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mônica Levi, destacou a necessidade de manter altas coberturas vacinais em áreas de fronteira. A Bolívia, junto com México e Estados Unidos, lidera os números de casos nas Américas, com 7.132 registros confirmados até julho de 2025.
O Brasil, que reconquistou a certificação em 2024, mantém o status de país livre do sarampo, já que os casos recentes são esporádicos e sem transmissão sustentada. No entanto, a baixa cobertura vacinal em algumas regiões, como o Tocantins, onde apenas 55% das crianças completaram o esquema de duas doses, eleva o risco de novos surtos. A meta nacional de 95% de cobertura vacinal está longe de ser alcançada, exigindo esforços contínuos.
Cenário da vacinação no Brasil
A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é a principal ferramenta contra a doença. No Brasil, o esquema prevê duas doses para menores de 29 anos (aos 12 e 15 meses no calendário infantil) e uma dose para adultos entre 30 e 59 anos. Pessoas sem registro de imunização devem se vacinar, independentemente da idade, sem risco de efeitos adversos mesmo em doses extras.
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A cobertura vacinal nacional em 2025 está em 91,74% para a primeira dose e 72,74% para a segunda, números abaixo do ideal. No Tocantins, a situação é mais crítica, com 86% na primeira dose e 55% na segunda. Para reverter esse quadro, o governo estadual garante que todas as 300 salas de vacinação do estado estão abastecidas, com doses disponíveis para toda a população-alvo.
- Fatores que contribuem para a baixa cobertura:
- Desinformação sobre a segurança das vacinas.
- Dificuldade de acesso a postos de saúde em áreas rurais.
- Falta de campanhas de conscientização eficazes.
- Redução na procura por vacinas após a pandemia de Covid-19.

Impacto do sarampo nas Américas
O sarampo permanece uma preocupação na região das Américas, com 7.132 casos registrados em 2025. O México lidera com 2.597 casos, seguido pelos Estados Unidos (1.227) e Peru (4). A doença causou 13 mortes, sendo 9 no México, 3 nos Estados Unidos e 1 no Canadá. A ausência de exigência de vacinação contra sarampo para viagens internacionais facilita a circulação do vírus, especialmente em países com surtos ativos.
No Brasil, os cinco casos registrados antes dos dois no Tocantins ocorreram no Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. Todos foram classificados como importados, sem transmissão comunitária. A manutenção da certificação de país livre do sarampo depende de ações rápidas, como o bloqueio vacinal em Campos Lindos, para evitar a propagação.
Prevenção e conscientização
A vacinação é a medida mais eficaz contra o sarampo, com a tríplice viral sendo segura e amplamente disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Autoridades reforçam que pessoas sem comprovante de imunização devem procurar um posto de saúde imediatamente. A dose extra, em caso de vacinação prévia, não apresenta riscos, já que os anticorpos neutralizam o vírus da vacina.
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Além da imunização, outras ações são fundamentais para conter o sarampo:
- Monitoramento de viajantes vindos de áreas com surtos.
- Campanhas educativas em escolas e comunidades.
- Ampliação do acesso a vacinas em regiões remotas.
- Treinamento de profissionais de saúde para identificar casos suspeitos.
Histórico do sarampo no Brasil
O Brasil enfrentou desafios com o sarampo nos últimos anos. Em 2016, o país foi certificado como livre da doença, mas perdeu o status em 2019 devido a surtos iniciados por casos importados da Venezuela. A baixa cobertura vacinal contribuiu para a disseminação, com milhares de casos registrados entre 2018 e 2019. Desde então, esforços para aumentar a imunização permitiram a reconquista do certificado em 2024, mas os casos recentes mostram que a vigilância não pode ser relaxada.
A experiência passada destaca a importância de manter altas taxas de vacinação e monitorar áreas de risco, como fronteiras. O Tocantins, por sua proximidade com a Bolívia, exige atenção redobrada, especialmente em cidades com fluxo de viajantes.
Ações do governo e perspectivas
O Ministério da Saúde, em parceria com o governo do Tocantins, intensificou as ações em Campos Lindos. Equipes técnicas estão no local para monitorar contatos, aplicar vacinas e orientar a população. A estratégia inclui a busca ativa de não vacinados e a ampliação de campanhas de conscientização. O governo garante que o estoque de vacinas é suficiente para atender a demanda nacional, mas a adesão da população permanece um desafio.
A SBIm recomenda que os estados reforcem a comunicação sobre a importância da vacina tríplice viral, destacando sua segurança e eficácia. A entidade também sugere parcerias com escolas e lideranças comunitárias para aumentar a cobertura vacinal, especialmente entre crianças e jovens.
- Medidas em andamento no Tocantins:
- Reforço nas equipes de vacinação em Campos Lindos.
- Distribuição de material educativo em postos de saúde.
- Monitoramento de casos suspeitos em cidades vizinhas.
- Ampliação de horários de atendimento em salas de vacinação.

















