Vacina é fundamental para prevenir sarampo, que causa morte e inflamação cerebralPor Luís Henrique Costa
6 min de leitura
![]() |
Diante do recente crescimento nos registros de sarampo, principalmente na região de São Paulo, profissionais da saúde reforçam a importância da imunização como a principal estratégia para afastar as complicações da enfermidade. A vacinação se mostra essencial para combater a progressão da doença.
Esta é uma patologia infecciosa de alta transmissibilidade, capaz de provocar quadros severos como pneumonia, processos inflamatórios cerebrais, sequelas duradouras e, em alguns casos, até mesmo o óbito. O contágio ocorre através de partículas suspensas no ar, sendo disseminada entre indivíduos por meio de tosse, espirro, conversação ou respiração.
Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro
O médico infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), aponta que o vírus possui uma alta capacidade de transmissão. Ele destaca que isso se deve à sua persistência em pequenas partículas presentes no ambiente. Kfouri comenta ainda que, na ausência de um tratamento direcionado para a doença, a vacina representa a estratégia primária para a profilaxia e a prevenção.
Nas últimas semanas, o alerta sobre a propagação da doença intensificou-se, com o registro de 23 ocorrências apenas em São Paulo, na data de 17 de agosto de 2026. Como ação preventiva, o Ministério da Saúde expandiu as diretrizes para a vacinação contra o sarampo no estado. Agora, o imunizante é aconselhado para indivíduos na faixa etária de 6 meses a 59 anos, incluindo aqueles que já receberam a dose em épocas de surtos anteriores.
A Campanha Nacional de Multivacinação e a importância da imunização de crianças e adolescentes
Apesar de, em um primeiro momento, poder ser confundido com outras infecções virais, o sarampo é classificado pelo Ministério da Saúde como uma doença séria.
Conheça os principais riscos e as complicações do sarampo
O infectologista Alberto Chebabo, que preside a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), faz um alerta. Ele destaca que crianças de pouca idade, com menos de um ano, e indivíduos com o sistema imunológico comprometido representam os grupos mais vulneráveis a desenvolver quadros graves da doença.
Entre as consequências potenciais da doença, destacam-se:
- Pneumonia
- Otite média aguda, que se caracteriza por uma infecção no ouvido
- Encefalite, processo inflamatório que afeta o cérebro
A pneumonia afeta aproximadamente uma em cada 20 crianças com sarampo e é considerada pelo Ministério da Saúde a principal causa de óbito pela doença entre os mais jovens. A otite média aguda, por sua vez, manifesta-se em cerca de uma a cada 10 crianças e pode resultar em surdez irreversível.
A encefalite aguda é uma complicação menos frequente, surgindo em um a cada mil a quatro a cada mil crianças infectadas pelo sarampo. Dentre as crianças que desenvolvem esta condição, cerca de 10% podem vir a óbito.
Renato Kfouri, que também atua como pediatra, aponta que o sarampo pode trazer outras consequências relevantes após a fase aguda da doença, persistindo mesmo após a recuperação inicial. Ele esclarece que a doença pode causar uma “amnésia imunológica”, um estado em que, por um período de três a seis meses, os indivíduos que contraíram sarampo ficam mais propensos a hospitalizações e outras infecções.
Tal condição implica em uma modificação no sistema imunológico, resultando em uma imunidade reduzida por um tempo após a infecção ativa ter cessado. O especialista ainda comenta que o sarampo é uma infecção frequentemente associada a um grande número de internações, particularmente entre o público infantil.
A enfermidade também pode ter um desfecho fatal. Dados do Ministério da Saúde indicam que, a cada mil crianças infectadas, entre uma e três podem falecer devido a complicações do sarampo.
Quais são os sintomas do sarampo?
Os indicadores mais comuns da doença incluem febre elevada, superando 38,5°C, e o surgimento de erupções cutâneas avermelhadas por todo o corpo. Esses sinais clássicos do sarampo também podem estar associados a tosse persistente, conjuntivite e uma sensação generalizada de mal-estar.
As características manchas geralmente aparecem entre três e cinco dias após o início dos primeiros sintomas, inicialmente no rosto e na região atrás das orelhas, para então se disseminarem pelo restante do corpo. Kfouri observa que a progressão da enfermidade usualmente se dá em um período de cerca de uma semana, momento em que se antecipa uma melhora do paciente. Contudo, em certas situações, podem ocorrer complicações que desencadeiam infecções e outras condições mais severas.
A manutenção da febre mesmo após o surgimento das manchas vermelhas funciona como um indicativo de alerta, podendo sinalizar um quadro de maior gravidade, especialmente em crianças com idade inferior a cinco anos. O Ministério da Saúde recomenda que, diante de qualquer um desses sinais, o indivíduo procure imediatamente atendimento em um serviço de saúde.
A importância fundamental da vacinação contra o sarampo
Assim como ocorre com a maioria das doenças infecciosas que afetam as crianças, a imunização representa o método mais eficaz de prevenção. De acordo com informações do Ministério da Saúde, todos os indivíduos com idade entre 12 meses e 59 anos estão aptos a receber a vacina contra o sarampo.
O Calendário Nacional de Vacinação determina que os bebês devem ser imunizados com a dose da vacina tríplice viral, que oferece proteção contra sarampo, caxumba e rubéola, aos 12 meses de idade, seguida por uma segunda dose aos 15 meses.
Para adolescentes e adultos que não receberam a vacina ou que não completaram o esquema vacinal, a orientação é iniciar ou concluir a imunização conforme o calendário. Para a faixa etária de 5 a 29 anos, são indicadas pelo menos duas doses; já para quem tem entre 30 e 59 anos, no mínimo uma dose é recomendada.
As estratégias de vacinação podem ser adaptadas conforme a realidade epidemiológica de cada área. Em regiões que enfrentam surtos, por exemplo, crianças com idade entre seis meses e um ano podem ser vacinadas, seguindo a diretriz estabelecida pelo Ministério em São Paulo.
Kfouri analisa que, com um maior número de pessoas vacinadas, é criada uma barreira que impede a disseminação do vírus. A ausência de organismos vulneráveis à infecção leva ao encerramento das cadeias de transmissão, contribuindo para o controle da doença.















