Homem de 31 anos é diagnosticado com sarampo em São Paulo após viagem ao ParanáPor Carolina Costa
15 min de leitura
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Um homem de 31 anos, residente na capital paulista, foi diagnosticado com sarampo, marcando o primeiro caso da doença no estado de São Paulo em 2025. O paciente, que já estava vacinado, não precisou de internação e se encontra totalmente recuperado, sem sintomas. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) confirmou o caso na última quinta-feira, 17 de abril, e informou que o local de infecção ainda está sob investigação. Apesar de o homem viver na cidade de São Paulo, há indícios de que ele contraiu o vírus durante uma viagem à cidade de Jacarezinho, no Paraná, onde começou a apresentar sintomas no início de abril. A confirmação reacende o alerta para a importância da vacinação e da vigilância epidemiológica, especialmente em um contexto global de aumento de casos da doença.
O sarampo é uma enfermidade viral altamente contagiosa, conhecida por sua capacidade de se espalhar rapidamente em comunidades com baixa cobertura vacinal. Transmitido por gotículas respiratórias, o vírus pode infectar até 90% das pessoas não imunizadas que entram em contato próximo com um portador. No caso do paciente paulistano, os sintomas iniciais incluíram febre alta, manchas vermelhas pelo corpo e tosse, manifestações clássicas da doença. A Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo relatou que, até o momento, não foram identificados outros casos relacionados, o que sugere que a infecção não gerou um surto local. Medidas de controle e prevenção, como monitoramento de contatos próximos e reforço na imunização, foram imediatamente implementadas em conjunto com o Ministério da Saúde.
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O estado de São Paulo confirmou o primeiro caso de sarampo desde 2022. Há três anos, a doença, que é altamente contagiosa, não era registrada por aqui. O paciente é um morador da capital.
— GloboNews (@GloboNews) April 19, 2025
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A vacinação é considerada a principal ferramenta para prevenir o sarampo, e o Brasil tem uma longa história de esforços para controlar a doença. A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, está disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) para pessoas de 12 meses a 59 anos. No caso do paciente, o fato de estar vacinado pode ter contribuído para a ausência de complicações graves, já que a imunização, embora não seja 100% eficaz, reduz significativamente a severidade dos sintomas. Em 2024, São Paulo alcançou uma cobertura vacinal de 98,7% para a tríplice viral, o maior índice desde 2016, mas especialistas alertam que bolsões de baixa adesão ainda representam um risco.
Contexto histórico do sarampo no Brasil
O Brasil já foi reconhecido como um país livre do sarampo em 2016, quando recebeu a certificação da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). No entanto, a circulação do vírus foi retomada em 2018, impulsionada por fatores como o fluxo migratório de regiões com surtos ativos e a queda nas taxas de vacinação. Em 2019, o país perdeu a certificação após registrar mais de 21,7 mil casos, com São Paulo sendo um dos epicentros, especialmente na capital, onde 363 casos foram confirmados somente naquele ano. A situação exigiu campanhas massivas de imunização e esforços coordenados para conter a disseminação.
Entre 2016 e 2017, o Brasil não registrou casos confirmados da doença, um marco que refletiu décadas de políticas públicas bem-sucedidas. A reintrodução do vírus em 2018, no entanto, evidenciou vulnerabilidades no sistema de saúde, como a desinformação sobre vacinas e a hesitação vacinal. O último caso endêmico, ou seja, com transmissão local, foi registrado em junho de 2022, no Amapá. Em novembro de 2024, o país recuperou a certificação de eliminação do sarampo, mas o caso recente em São Paulo reforça a necessidade de manter a vigilância. A Europa e a Ásia Central, por exemplo, enfrentaram em 2024 o maior número de casos desde 1997, com 127,35 mil infecções, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Unicef.
A trajetória do sarampo no Brasil também destaca o impacto de fatores externos. A migração de pessoas vindas de países com baixa cobertura vacinal, como a Venezuela, contribuiu para os surtos de 2018 e 2019. Além disso, a disseminação de informações falsas sobre a segurança das vacinas, especialmente nas redes sociais, tem dificultado a adesão à imunização em algumas comunidades. Apesar dos avanços, como a alta cobertura em São Paulo, especialistas apontam que a manutenção de taxas acima de 95% é essencial para evitar novos surtos.
- 2016: Brasil recebe certificação de país livre do sarampo pela Opas.
- 2018: Reintrodução do vírus devido a fluxo migratório e baixa vacinação.
- 2019: Mais de 21,7 mil casos confirmados; Brasil perde certificação.
- 2022: Último caso endêmico registrado no Amapá.
- 2024: Recuperação da certificação de eliminação do vírus.
- 2025: Primeiro caso em São Paulo, com origem ainda em investigação.
Características e riscos do sarampo
O sarampo é causado pelo Morbillivirus, um vírus da família Paramyxoviridae, que se espalha por meio de gotículas respiratórias liberadas ao tossir, espirrar ou falar. A doença é particularmente perigosa para crianças pequenas, mas pode afetar pessoas de todas as idades, especialmente aquelas não imunizadas. Os sintomas iniciais, como febre alta, mal-estar, coriza, conjuntivite e tosse, aparecem geralmente de 7 a 14 dias após a infecção. Após alguns dias, surgem as características manchas vermelhas, que começam no rosto e se espalham pelo corpo.
Embora muitos casos sejam leves, o sarampo pode evoluir para complicações graves, especialmente em populações vulneráveis. Pneumonia, diarreia intensa, infecções de ouvido, cegueira e encefalite (inflamação do cérebro) estão entre as consequências mais sérias. Estima-se que, a cada mil crianças infectadas, uma a três podem morrer devido a complicações. Nos Estados Unidos, onde 712 casos foram confirmados em 2024, 97% dos pacientes não estavam vacinados, e duas crianças morreram. A vacinação, embora não elimine completamente o risco de infecção, reduz drasticamente a probabilidade de casos graves.
A alta transmissibilidade do sarampo torna a imunização coletiva essencial. Um único infectado pode transmitir o vírus para até 18 pessoas em ambientes fechados, como escolas ou transporte público. A vacina tríplice viral, aplicada em duas doses (aos 12 e 15 meses de idade), oferece proteção de 93% após a primeira dose e até 97% após a segunda. Adultos não vacinados ou com esquema incompleto também podem se imunizar, com uma dose recomendada para pessoas de 30 a 59 anos e duas doses para aqueles até 29 anos.
Esforços de prevenção em São Paulo
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo agiu rapidamente após a confirmação do caso. Equipes de vigilância epidemiológica iniciaram o rastreamento de contatos do paciente, incluindo familiares, colegas de trabalho e pessoas que estiveram nos mesmos locais que ele durante o período de transmissibilidade. A colaboração com a Secretaria Municipal de Saúde e o Ministério da Saúde permitiu a implementação de medidas de bloqueio, como a vacinação seletiva de indivíduos não imunizados que tiveram contato com o paciente.
Em São Paulo, a vacina tríplice viral está disponível nas UBSs de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, e em algumas unidades aos sábados e feriados. A alta cobertura vacinal do estado, que atingiu 98,7% em 2024, é um ponto positivo, mas a SES-SP reforça a importância de manter a adesão. Campanhas de conscientização têm sido intensificadas, especialmente em regiões com índices mais baixos de imunização. A diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado, Tatiana Lang, destacou que a situação atual é um momento de alerta, mas não de pânico, e que a vacinação permanece como a melhor forma de proteção.
O caso também levanta questões sobre a eficácia da vacina em cenários raros. Embora o paciente estivesse imunizado, a proteção conferida pela tríplice viral não é absoluta. A primeira dose, aplicada aos 12 meses, garante 93% de eficácia, enquanto a segunda eleva esse índice para 97%. Casos em pessoas vacinadas são excepcionais e geralmente resultam em sintomas mais leves, como ocorreu com o homem de 31 anos. Especialistas reforçam que a imunização coletiva, com altas taxas de cobertura, é fundamental para reduzir a circulação do vírus.
- Disponibilidade da vacina: Gratuita nas UBSs para pessoas de 12 meses a 59 anos.
- Esquema vacinal: Duas doses até 29 anos; uma dose de 30 a 59 anos.
- Horários: Segunda a sexta, das 7h às 19h; sábados e feriados em unidades selecionadas.
- Cobertura em 2024: 98,7% em São Paulo, maior índice desde 2016.
- Medidas de bloqueio: Rastreamento de contatos e vacinação seletiva em curso.
Impacto global e desafios atuais
O ressurgimento do sarampo não é um problema exclusivo do Brasil. Em 2024, a Europa e a Ásia Central registraram 127,35 mil casos, o maior número desde 1997, segundo a OMS e o Unicef. Crianças menores de 5 anos representaram 40% dos casos, e mais da metade dos pacientes precisou de internação. A região também reportou 38 mortes, evidenciando a gravidade da doença em áreas com baixa imunização. Nos Estados Unidos, o aumento de casos, com 712 confirmações em 2024, está associado ao crescimento do movimento antivacina, que dissemina informações falsas sobre a segurança dos imunizantes.
No Brasil, outros casos recentes reforçam a necessidade de vigilância. Em março de 2025, dois casos foram confirmados em São João de Meriti, no Rio de Janeiro, e um no Distrito Federal, este último associado a uma viagem internacional. No Rio de Janeiro, um menino de 6 anos, vacinado, foi diagnosticado em Itaboraí, em outubro de 2024, marcando o primeiro caso no estado desde 2022. Esses episódios mostram que, mesmo em um país certificado como livre do sarampo, a importação do vírus de outras regiões é uma ameaça constante.
A desinformação continua sendo um obstáculo significativo. Durante os surtos de 2018 e 2019, a disseminação de notícias falsas sobre supostos efeitos colaterais das vacinas contribuiu para a hesitação vacinal. Em São Paulo, a prefeitura enfrentou desafios semelhantes em 2019, quando apenas 6% do público-alvo aderiu à campanha de vacinação iniciada em junho. O prefeito Bruno Covas, à época, atribuiu o aumento de casos à desinformação nas redes sociais, um problema que persiste em menor escala hoje.
Estratégias para evitar novos surtos
A experiência de São Paulo com o sarampo ao longo dos anos oferece lições valiosas. Em 2019, a capital registrou 363 casos confirmados, com 800 em investigação, o que levou a uma mobilização intensa para aumentar a cobertura vacinal. Ações de bloqueio, como a vacinação de moradores em áreas próximas a casos confirmados, foram fundamentais para conter a disseminação. Em Santos, no mesmo ano, um caso autóctone em uma criança de 4 anos desencadeou a imunização de contatos próximos e a revisão do status vacinal em escolas.
A vigilância epidemiológica também desempenha um papel crucial. Em 2022, quando 25 casos estavam em investigação no estado, a identificação precoce e o isolamento de pacientes evitaram surtos maiores. No caso atual, a notificação ocorreu em 10 de abril, e a resposta rápida das autoridades de saúde limitou a transmissão. A integração entre os níveis municipal, estadual e federal é um diferencial, permitindo a troca de informações e a coordenação de ações em tempo real.
A educação da população é outro pilar essencial. Campanhas públicas têm enfatizado que a vacina tríplice viral é segura e eficaz, com efeitos colaterais geralmente leves, como febre ou dor no local da aplicação. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomendam a primeira dose aos 12 meses e a segunda entre 15 meses e 2 anos, mas adultos também devem verificar seu cartão de vacinação. Pessoas que receberam apenas uma dose na infância ou que foram imunizadas antes dos anos 1990, quando o esquema era diferente, podem precisar de doses adicionais.
- Ações de bloqueio: Vacinação de contatos próximos em até 72 horas após exposição.
- Educação: Campanhas para combater desinformação e incentivar a imunização.
- Vigilância: Monitoramento contínuo de casos suspeitos e rastreamento de contatos.
- Integração: Colaboração entre município, estado e governo federal.
- Recomendações: Verificação do cartão de vacinação para todas as faixas etárias.
Perspectivas para o controle do sarampo
Manter o Brasil livre do sarampo exige um esforço contínuo. A certificação recuperada em 2024 é um marco, mas a circulação global do vírus e a possibilidade de casos importados demandam atenção constante. A alta cobertura vacinal em São Paulo é um exemplo positivo, mas outras regiões do país ainda enfrentam desafios. No Distrito Federal, por exemplo, a cobertura para a segunda dose em crianças menores de 2 anos está em 88,3%, abaixo da meta de 95% estabelecida pela OMS.
A colaboração internacional também é fundamental. A OMS e o Unicef têm alertado para o aumento de casos em diversas regiões, e o Brasil, como um país com alta circulação de viajantes, precisa reforçar a vigilância em portos, aeroportos e fronteiras. A experiência do caso de São Paulo, possivelmente ligado a uma viagem ao Paraná, mostra como a mobilidade pode facilitar a introdução do vírus. A identificação precoce e a resposta rápida são essenciais para evitar a reintrodução da transmissão endêmica.
A conscientização da população sobre a importância da vacinação deve ser uma prioridade. Iniciativas como a distribuição de materiais informativos em UBSs, escolas e locais de grande circulação têm ajudado a esclarecer dúvidas e combater mitos. A história do sarampo no Brasil, marcada por conquistas e retrocessos, reforça que a imunização coletiva é a chave para proteger a população, especialmente as crianças, que são as mais vulneráveis às complicações da doença.
Dados globais e regionais
O cenário global do sarampo em 2024 oferece um panorama preocupante. A Europa e a Ásia Central registraram o dobro de casos em relação a 2023, com 40% dos pacientes sendo crianças menores de 5 anos. Nos Estados Unidos, o surto de 2024, com 712 casos, foi impulsionado pela baixa adesão à vacinação em algumas comunidades. No México, 22 casos foram confirmados no mesmo ano, enquanto o Brasil, até março de 2025, teve apenas três casos registrados, incluindo os dois no Rio de Janeiro e um no Distrito Federal.
A OMS estima que a cobertura vacinal global precisa atingir 95% com duas doses para interromper a transmissão do sarampo. Em regiões com taxas mais baixas, como partes da África e da Ásia, a doença continua sendo uma das principais causas de mortalidade infantil. No Brasil, a disponibilidade gratuita da vacina e a capilaridade do Sistema Único de Saúde (SUS) são vantagens, mas a adesão depende de esforços contínuos de comunicação e acesso.
- Europa e Ásia Central: 127,35 mil casos em 2024, maior número desde 1997.
- Estados Unidos: 712 casos, 97% em não vacinados; duas mortes confirmadas.
- México: 22 casos confirmados em 2024.
- Brasil: Três casos em 2025 até março; um em São Paulo em abril.
- Meta da OMS: 95% de cobertura com duas doses para eliminar a transmissão.
Importância da vigilância contínua
A confirmação do caso em São Paulo reforça a necessidade de um sistema de vigilância robusto. A notificação precoce, como ocorreu em 10 de abril, permite a adoção de medidas que evitam a propagação do vírus. A investigação do local de infecção, ainda em andamento, é um exemplo de como a vigilância epidemiológica busca mapear a origem dos casos para prevenir surtos. A colaboração com o Paraná, onde o paciente pode ter contraído o vírus, também é essencial para identificar possíveis cadeias de transmissão.
A experiência de outros estados brasileiros oferece lições. No Rio de Janeiro, o caso de Itaboraí, em outubro de 2024, foi rapidamente controlado devido à alta cobertura vacinal e à resposta imediata das autoridades. No Distrito Federal, o caso importado de março de 2025 não gerou transmissão local, mas destacou a importância de monitorar viajantes internacionais. Essas ações mostram que, mesmo em um país certificado como livre do sarampo, a vigilância não pode ser relaxada.
A população também tem um papel ativo. Verificar o cartão de vacinação, procurar UBSs para atualizar o esquema vacinal e relatar sintomas suspeitos são medidas simples que fazem a diferença. O caso de São Paulo, embora isolado, serve como um lembrete de que o sarampo, apesar de controlado, ainda representa uma ameaça em um mundo globalizado.















