Governo e senadores articulam ofensiva contra tarifas de Trump nos EUAPor Janderson
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Governo brasileiro, senadores e empresários intensificam esforços para impedir a aplicação de tarifas de 50% anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previstas para entrar em vigor em 1º de agosto de 2025. A articulação, que envolve uma comitiva em Washington, uma carta da US Chamber of Commerce e o anúncio de US$ 7 bilhões em investimentos brasileiros nos EUA, busca convencer a Casa Branca a recuar, destacando os prejuízos econômicos mútuos. A iniciativa ocorre a poucos dias do prazo final, com reuniões estratégicas marcadas com políticos republicanos e executivos de multinacionais. O objetivo é evitar um impacto devastador no comércio bilateral e na economia brasileira, enquanto se negocia com base em interesses comerciais e soberania nacional.
A mobilização ganhou força após declarações de Trump e do senador Lindsey Graham, que criticaram países como o Brasil por relações comerciais com a Rússia. A comitiva brasileira, composta por seis senadores, planeja encontros com figuras influentes nos EUA, enquanto o setor privado destaca investimentos para reforçar laços econômicos.
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- Principais ações incluem:
- Nova carta da US Chamber contra as tarifas.
- Anúncio de US$ 7 bilhões em investimentos brasileiros nos EUA.
- Reuniões com políticos republicanos e executivos de multinacionais.
A pressão ocorre em meio a tensões políticas, com o Brasil alertando que as tarifas podem aproximar o país de parceiros como a China, contrariando os interesses americanos.
Estratégia brasileira contra o tarifaço
O governo brasileiro, liderado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo Itamaraty, trabalha em uma estratégia multifacetada para evitar o impacto das tarifas de 50%. A comitiva de senadores, que embarca para Washington em 27 de julho, busca dialogar diretamente com políticos republicanos próximos a Trump, como o senador Lindsey Graham, conhecido por suas declarações duras contra países que compram petróleo russo. A mensagem central é que a imposição de tarifas pode fortalecer a influência chinesa no Brasil, um efeito indesejado para os EUA.
Além disso, o Fórum de CEOs Brasil-Estados Unidos, composto por 12 líderes empresariais de cada país, planeja anunciar US$ 7 bilhões em investimentos brasileiros nos EUA. Esses projetos, embora não sejam inteiramente novos, são apresentados como prova do compromisso do Brasil em gerar empregos e fortalecer a economia americana. A iniciativa visa contrapor a narrativa de Trump de que o Brasil prejudica os interesses comerciais dos EUA.
A US Chamber of Commerce, maior entidade empresarial americana, também desempenha um papel crucial. Após enviar uma primeira carta na semana passada, a organização prepara um novo documento detalhando os impactos negativos das tarifas, como aumento de preços para consumidores americanos e prejuízos às cadeias de suprimentos.
Setor privado em alerta
O setor privado brasileiro está em estado de alerta com a proximidade do prazo de 1º de agosto. Setores como agronegócio, indústria e mineração temem perdas significativas nas exportações, que somaram US$ 31,5 bilhões para os EUA em 2024, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que as tarifas podem reduzir o PIB brasileiro em 0,16%, equivalente a R$ 19,2 bilhões, com impactos diretos em setores como carne, suco de laranja e máquinas agrícolas.
Empresários defendem uma abordagem técnica e moderada nas negociações, evitando tensões ideológicas. A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), por exemplo, prevê perdas de US$ 200 milhões em exportações para os EUA, que representam 67% de suas vendas externas. O setor madeireiro também enfrenta instabilidade, com importadores americanos já buscando alternativas em outros países.
- Setores mais afetados, segundo a CNI:
- Tratores e máquinas agrícolas: queda de 23,61% nas exportações.
- Aeronaves e equipamentos de transporte: redução de 22,33% nas vendas externas.
- Carne de aves: diminuição de 11,31% nas exportações.
- Suco de laranja: risco de aumento de preços nos EUA.

Negociações e interesses mútuos
O governo brasileiro sinaliza abertura para negociar pontos sensíveis aos EUA, como o fornecimento de minerais críticos, essenciais para a indústria tecnológica americana. Outra proposta envolve a redução da tarifa de 18% sobre o etanol importado, que impacta a competitividade do etanol de milho americano. Além disso, o Brasil busca acelerar o registro de patentes farmacêuticas pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), atendendo a demandas de empresas americanas.
A multinacional Corteva, formada por Dow, DuPont e Pioneer, é uma das empresas americanas que apoiam o Brasil nas negociações. Com o Brasil como um de seus principais mercados para sementes agrícolas, a companhia teme retaliações, como a quebra de patentes de suas sementes pelo governo brasileiro, caso as tarifas sejam implementadas.
O Brasil também enfatiza a interdependência econômica com os EUA. Dados da CNI apontam que o comércio bilateral envolve intensos fluxos de insumos produtivos, com cadeias de valor integradas entre os dois países. A imposição de tarifas pode elevar preços de produtos essenciais nos EUA, como alimentos, gerando inflação e descontentamento entre consumidores americanos.
Reações políticas e diplomáticas
A comitiva de senadores brasileiros, composta por Nelsinho Trad, Jaques Wagner, Tereza Cristina, Marcos Pontes, Rogério Carvalho e Fernando Farias, enfrenta desafios para garantir audiências com figuras-chave em Washington. Apesar das dificuldades, o grupo planeja reforçar que as tarifas podem ter consequências geopolíticas indesejadas, como o fortalecimento da China na América Latina.
As tensões políticas agravam o cenário. Trump justificou as tarifas citando a postura do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, o que gerou críticas do governo brasileiro por interferência em assuntos internos. Em discurso na Organização Mundial do Comércio (OMC), o embaixador Philip Fox-Drummond Gough classificou as medidas americanas como “arbitrárias” e contrárias às regras do comércio internacional.
- Pontos de negociação propostos pelo Brasil:
- Fornecimento de minerais críticos para a indústria americana.
- Redução da tarifa sobre etanol importado.
- Aceleração no registro de patentes farmacêuticas.
- Diálogo técnico para evitar escalada de tensões comerciais.
Impactos econômicos e alternativas
A possibilidade de retaliação brasileira ganha força caso as negociações falhem. O governo Lula estuda medidas recíprocas, como a imposição de tarifas sobre produtos americanos ou a quebra de patentes, especialmente no setor de sementes agrícolas. A CNI alerta que o comércio mundial pode retrair 2,1% com as tarifas de Trump, equivalente a US$ 483 bilhões, com o Brasil perdendo R$ 52 bilhões em exportações e R$ 33 bilhões em importações.
Enquanto isso, o Brasil busca diversificar mercados, direcionando exportações para a China e a União Europeia. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) intensifica esforços para abrir novos destinos comerciais, mas a substituição do mercado americano, que absorve produtos de alto valor agregado, é um desafio de longo prazo.
Mobilização empresarial nos EUA
A resistência às tarifas não se limita ao Brasil. Nos EUA, setores como o agronegócio e a distribuição de alimentos manifestam preocupação. Uma empresa americana de suco de laranja já entrou na justiça contra as tarifas, alegando prejuízos aos consumidores. A National Coffee Association também apoia negociações técnicas, evitando confrontos ideológicos que possam agravar a crise.
A US Chamber of Commerce reforça que as tarifas podem prejudicar 6,5 mil pequenas empresas americanas, além de aumentar custos para consumidores. A entidade destaca que o Brasil é um parceiro estratégico, fornecendo produtos essenciais para cadeias de suprimentos nos EUA.
- Impactos potenciais nos EUA, segundo a US Chamber:
- Aumento de preços de alimentos, como suco de laranja e carne.
- Risco de desemprego em pequenas empresas americanas.
- Desestabilização de cadeias de suprimentos bilaterais.
- Prejuízo às exportações americanas para o Brasil.
Cenário político e riscos de escalada
As tensões entre os presidentes Lula e Trump complicam as negociações. A carta de Trump, publicada em 9 de julho no Truth Social, mencionou o julgamento de Bolsonaro como um dos motivos para as tarifas, o que foi interpretado como uma tentativa de interferência na soberania brasileira. O governo Lula respondeu enfatizando que as negociações devem se limitar a questões econômicas, rejeitando pressões políticas.
A postura de aliados de Bolsonaro, como o deputado Eduardo Bolsonaro, também gera preocupação. Alguns parlamentares brasileiros temem que articulações políticas domésticas possam atrapalhar as negociações em Washington, especialmente após manifestações pró-Trump no Congresso Nacional.
O Brasil enfrenta um prazo apertado para evitar as tarifas, e a ausência de canais diplomáticos abertos com a Casa Branca dificulta o diálogo. Caso as tarifas sejam implementadas, o impacto econômico será imediato, com setores exportadores brasileiros enfrentando perdas significativas e o risco de uma crise comercial bilateral.















