Pintor morre degolado por linha chilena na Via Light em trágico acidente

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Linha chiilena Foto: Restos da linha chilena ficaram no asfalto da Via Light — Foto: Maiane Brito/TV Globo

Um pintor de 38 anos, Jorge Luiz da Silva Marciano, perdeu a vida em um trágico acidente na tarde de 3 de agosto de 2025, na Via Light, entre Mesquita e Nilópolis, na Baixada Fluminense. Enquanto pilotava uma motocicleta com sua esposa na garupa, ele foi atingido no pescoço por uma linha chilena, material cortante usado para soltar pipas, proibido por lei no Rio de Janeiro. A vítima morreu no local devido à gravidade do ferimento. A esposa, que estava na garupa, não sofreu lesões. Um amigo, que seguia em outra moto, também foi atingido, mas com ferimentos leves. O caso, investigado pela 53ª DP (Mesquita), reacende o debate sobre os perigos das linhas cortantes e a fiscalização insuficiente.

O acidente ocorreu por volta das 16h, em um trecho movimentado da Via Light. Testemunhas relataram que Jorge não teve tempo de reagir ao impacto da linha, que causou um corte profundo em seu pescoço. A perícia foi acionada e chegou ao local às 19h45, recolhendo restos da linha chilena espalhados no asfalto. O corpo da vítima foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Nova Iguaçu para exames.

  • Detalhes do acidente: O pintor pilotava uma motocicleta em velocidade moderada.
  • Condições da vítima: Jorge morreu instantaneamente devido ao corte no pescoço.
  • Impacto no amigo: Ferimento superficial, tratado na UPA do Cabuís.
  • Ação policial: A 53ª DP investiga para identificar responsáveis pelo uso da linha.

Perigo persistente das linhas cortantes

O uso de linhas chilenas e cerol é uma prática recorrente no Rio de Janeiro, apesar da proibição estadual desde 2019, conforme a Lei nº 8.478. Esse material, feito com quartzo moído e óxido de alumínio, é até quatro vezes mais cortante que o cerol tradicional, aumentando o risco de acidentes graves. Dados do Disque Denúncia revelam a gravidade do problema: nos primeiros cinco meses de 2025, foram registradas 366 denúncias relacionadas ao uso, produção ou venda de linhas cortantes no estado, sendo 271 apenas na capital. Em 2024, o total foi de 549 denúncias, com 380 no município do Rio.

A linha chilena, por sua alta capacidade de corte, é especialmente perigosa para motociclistas, que muitas vezes não percebem o material esticado no ar. A proibição legal prevê multas de R$ 426 para uso ou posse e até R$ 4.260 para fabricação ou venda, além de possível fechamento de estabelecimentos. Apesar disso, a comercialização persiste, muitas vezes em mercados informais ou pela internet.

Casos recentes amplificam o alerta

Outros incidentes semelhantes reforçam a urgência de medidas mais eficazes. Em maio de 2025, o mototaxista Auriel Missael Henriques, de 41 anos, morreu na Linha Vermelha, em Duque de Caxias, após ser atingido por uma linha chilena. Ele levava a esposa na garupa e um pote de açaí para a filha. Em março do mesmo ano, Victor Hugo Silva, de 38 anos, perdeu a vida na Avenida Brasil, em Realengo, enquanto trabalhava como motociclista de aplicativo. Esses casos evidenciam a letalidade do material e a dificuldade em coibir sua circulação.

  • Maio de 2025: Auriel Henriques, 41 anos, morto na Linha Vermelha.
  • Março de 2025: Victor Hugo Silva, 38 anos, vítima na Avenida Brasil.
  • Agosto de 2023: Fabrício Barros, 26 anos, morreu na Linha Amarela.
  • Dezembro de 2019: Victor de Melo Baptista, militar, vítima na Linha Amarela.

A repetição desses acidentes aponta para falhas na fiscalização e na conscientização da população. Embora a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e unidades distritais, investigue o comércio ilegal, o material continua acessível.

Medidas de prevenção em debate

A tragédia na Via Light reacende a discussão sobre como prevenir novos casos. Especialistas e autoridades sugerem ações combinadas para reduzir os riscos. A instalação de antenas anti-pipa em motocicletas é uma medida comum, mas nem sempre eficaz, como no caso de Auriel Henriques, cuja moto possuía o dispositivo, mas não evitou o corte fatal. Outras iniciativas incluem campanhas educativas e maior rigor na aplicação das multas previstas em lei.

  • Antenas anti-pipa: Dispositivos que ajudam a desviar linhas, mas com eficácia limitada.
  • Campanhas educativas: Esforços para alertar sobre os perigos do cerol e da linha chilena.
  • Fiscalização reforçada: Blitzes para apreender materiais cortantes em comércios.
  • Denúncias anônimas: Incentivo ao uso do Disque Denúncia para coibir a prática.

O reforço na fiscalização, especialmente em áreas de grande circulação de motocicletas, como vias expressas, é apontado como essencial. A Lamsa, concessionária da Linha Amarela, informou que realiza ações para aumentar a segurança, mas os números mostram que os acidentes persistem.

Reações da comunidade e autoridades

A morte de Jorge Luiz da Silva Marciano chocou moradores de Mesquita e Nilópolis. Nas redes sociais, amigos e familiares lamentaram a perda, destacando o caráter trabalhador do pintor. A esposa, que testemunhou o acidente, está sob cuidados psicológicos devido ao trauma. A comunidade local cobra medidas mais duras contra o uso de linhas cortantes, como operações policiais frequentes e punições exemplares.

A Polícia Civil informou que a investigação está em andamento para identificar quem utilizou a linha chilena no trecho da Via Light. A dificuldade em rastrear os responsáveis, muitas vezes adolescentes ou praticantes de “campeonatos” de pipa, é um obstáculo recorrente. Mesmo assim, a 53ª DP já realizou diligências iniciais, incluindo análise de imagens de câmeras de segurança próximas ao local.

Áreas de maior incidência no Rio

Alguns bairros e cidades do estado se destacam pelo alto número de denúncias de uso de linhas cortantes. Piedade, na Zona Norte do Rio, lidera o ranking na capital, com 212 denúncias entre 2024 e maio de 2025. Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, aparece como o segundo município com mais registros no mesmo período, atrás apenas da capital. A Linha Amarela, outra via expressa, contabilizou 49 acidentes com linhas de pipa nos últimos cinco anos, incluindo uma morte em 2023.

  • Piedade: 212 denúncias em dois anos, bairro líder na capital.
  • Nova Iguaçu: Segundo lugar em denúncias no estado.
  • Linha Amarela: 49 acidentes registrados até maio de 2025.
  • Linha Vermelha: Casos frequentes, mas sem dados consolidados pelo governo.

A concentração de casos em vias expressas reforça a necessidade de ações específicas nessas áreas, como instalação de barreiras físicas ou maior presença policial.

Impacto nas famílias e na sociedade

A perda de Jorge Luiz, assim como de outras vítimas, deixa marcas profundas nas famílias. Ele era descrito como um profissional dedicado e pai de família. A esposa, que escapou ilesa fisicamente, enfrenta agora o luto e as consequências emocionais do acidente. Casos como esse também geram um impacto social, com aumento da insegurança entre motociclistas, especialmente mototaxistas e entregadores, que percorrem grandes distâncias diariamente.

A repetição de tragédias evidencia a necessidade de um esforço conjunto entre autoridades, concessionárias de vias e a sociedade. A proibição legal, embora clara, não tem sido suficiente para erradicar o problema. A venda de linhas chilenas em feiras, lojas de bairro e plataformas online continua a desafiar as autoridades, que enfrentam dificuldades em monitorar o comércio informal.

Caminhos para a mudança

A solução para o problema exige abordagens múltiplas. Além da repressão ao comércio ilegal, campanhas de conscientização podem desempenhar um papel crucial. Escolas e associações comunitárias têm sido incentivadas a abordar os riscos das linhas cortantes, especialmente entre jovens, que muitas vezes veem a prática como uma brincadeira inofensiva. O fortalecimento do Disque Denúncia, com maior divulgação do serviço, também é visto como uma ferramenta para coibir o uso dessas linhas.

A Guarda Municipal do Rio destacou que, além das multas, a prática pode ser enquadrada como crime, conforme o artigo 132 do Código Penal, que trata de expor a vida de terceiros a perigo. A combinação de punições mais severas e ações preventivas pode reduzir a incidência de acidentes. Enquanto isso, motociclistas são orientados a reforçar a proteção, como o uso de coletes com gola alta e a instalação de antenas, embora essas medidas não garantam segurança total.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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