Chance de asteroide atingir a Terra é maior que raio, diz estudo

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Planeta Terra e asteroide

Planeta Terra e asteroide - Foto: adventtr/istock

Um asteroide de mais de 140 metros pode atingir a Terra com probabilidade maior que a de ser atingido por um raio, revelou um estudo liderado pela física Carrie Nugent, do Olin College of Engineering, publicado no Planetary Science Journal. A pesquisa, realizada em 2025, simulou 5 milhões de objetos próximos à Terra (NEOs) ao longo de 150 anos, identificando a frequência de impactos e comparando-a com riscos terrestres. Conductada nos Estados Unidos, a análise destaca a importância da defesa planetária, como a missão DART da NASA, que provou ser possível desviar asteroides. O estudo responde à curiosidade sobre a possibilidade de um impacto catastrófico e reforça a necessidade de monitoramento constante.

A pesquisa calculou uma chance anual de 0,009% de um asteroide com mais de 140 metros atingir o planeta, equivalente a um impacto a cada 11 mil anos. Esse número, embora pequeno, ganha relevância ao ser comparado com outros eventos raros, como mortes por raios ou intoxicação por monóxido de carbono.

  • Principais descobertas do estudo:
    • Probabilidade de impacto de asteroide é maior que a de ser atingido por raio.
    • Um impacto pode ocorrer a cada 11 mil anos, em média.
    • Asteroides menores podem ter zero fatalidades, dependendo do local de impacto.

Riscos cósmicos em perspectiva

A pesquisa de Nugent utilizou o modelo NEOMOD2 e o sistema JPL Horizons para simular órbitas de NEOs com diâmetro superior a 140 metros, tamanho capaz de causar destruição regional. Dos 5 milhões de objetos simulados, apenas três impactos foram registrados, indicando uma probabilidade extremamente baixa, mas não nula. Comparado a eventos terrestres, o risco de um asteroide atingir a Terra em uma vida média de 71 anos é de cerca de 0,64%. Esse percentual é maior que a chance de ser vítima de um raio (0,024%) ou de morrer por raiva (0,001%). No entanto, é significativamente menor que riscos como acidentes de carro (0,36% ao ano em Massachusetts) ou gripe (0,0058% globalmente).

A análise também considera a variabilidade dos impactos. Um asteroide de 140 a 200 metros que caia no oceano pode não causar mortes, enquanto um impacto em uma área urbana densamente povoada poderia afetar milhões. Asteroides maiores, com quilômetros de diâmetro, têm potencial para alterar o clima global, mas são ainda mais raros, com impactos estimados a cada dezenas de milhões de anos.

Defesa planetária em foco

A possibilidade de prevenir impactos é um dos pontos centrais do estudo. A missão DART da NASA, realizada em 2022, demonstrou que uma espaçonave pode alterar a trajetória de um asteroide, reforçando a viabilidade de estratégias de defesa. A pesquisa destaca que, com décadas de aviso, a humanidade pode evitar desastres cósmicos.

  • Avanços na defesa planetária:
    • Missão DART comprovou a possibilidade de desviar asteroides.
    • Monitoramento contínuo é essencial para identificar NEOs perigosos.
    • Investimentos em tecnologia de detecção são comparados a um “seguro global”.
    • Futuras missões podem aprimorar técnicas de deflexão.

O estudo também aponta para a necessidade de mais pesquisas sobre cometas de longo período e objetos interestelares, que representam riscos menos compreendidos devido à sua raridade e velocidade.

Comparação com riscos cotidianos

Para tornar os números mais acessíveis, os pesquisadores compararam o risco de impacto de asteroides com outras causas de morte evitáveis. Nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de 27 pessoas morrem anualmente por raios, enquanto intoxicações por monóxido de carbono causam 105 óbitos. Eventos ainda mais raros, como soterramentos em buracos de areia seca, resultam em cerca de três mortes por ano, geralmente envolvendo crianças.

A gripe, embora comum, mata cerca de 470 mil pessoas globalmente por ano, enquanto acidentes de carro em Massachusetts resultam em 366 mortes anuais. Esses números mostram que, embora o risco de um asteroide seja baixo, ele não é insignificante quando comparado a outros perigos raros.

Planeta Terra e asteroide – foto: Abrill_/istock

Por que investir em prevenção

A pesquisa enfatiza que a defesa planetária é uma prioridade estratégica. Diferentemente de outros desastres naturais, como terremotos ou furacões, um impacto de asteroide pode ser evitado com tecnologia e planejamento. A NASA e outras agências espaciais mantêm programas de monitoramento, como o Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra (CNEOS), que catalogam NEOs e avaliam suas trajetórias.

  • Motivos para priorizar a defesa planetária:
    • Impactos de asteroides são preveníveis com tecnologia atual.
    • Monitoramento precoce permite décadas de preparação.
    • Um único impacto em área urbana pode afetar milhões.
    • Investimentos em defesa são comparativamente baixos frente ao risco.

A National Academies, em um relatório citado pela pesquisa, compara esses esforços a um seguro contra tragédias globais, destacando a responsabilidade de proteger o planeta.

Curiosidades sobre asteroides e cometas

Além dos números, o estudo traz à tona aspectos fascinantes sobre os objetos que cruzam a órbita terrestre. Cometas de longo período, por exemplo, podem atingir velocidades até três vezes maiores que asteroides, tornando sua detecção mais desafiadora. Objetos interestelares, como os dois já identificados, são ainda menos compreendidos, mas podem oferecer pistas sobre a formação do sistema solar.

  • Fatos sobre NEOs:
    • Apenas dois objetos interestelares foram detectados até 2025.
    • Cometas de longo período têm órbitas que duram milhares de anos.
    • Asteroides de 140 metros podem causar tsunamis se atingirem o oceano.
    • O Observatório Vera Rubin, em construção, pode revolucionar a detecção de NEOs.

Avanços na detecção de NEOs

A tecnologia de monitoramento de NEOs avançou significativamente nas últimas décadas. Programas como o Catalina Sky Survey, financiado pela NASA, identificam asteroides com magnitude 21,5, permitindo a descoberta de objetos antes que se tornem ameaças. O estudo de Nugent reforça a importância de sistemas como o futuro Observatório Vera Rubin, que pode ampliar a capacidade de detectar cometas e asteroides menores.

A pesquisa também destaca o trabalho de cientistas e engenheiros no desenvolvimento de softwares, como o FindPOTATOs, que utiliza inteligência artificial para melhorar a identificação de NEOs em imagens de arquivo. Essas ferramentas permitem que até cidadãos cientistas contribuam para a descoberta de novos objetos.

O que o futuro reserva

O monitoramento contínuo e o investimento em tecnologias de deflexão são cruciais para mitigar o risco de impactos. Embora a probabilidade de um asteroide atingir a Terra em um futuro próximo seja baixa, a pesquisa de Nugent sublinha que a preparação é essencial. A colaboração internacional, incluindo missões como a Hera, da Agência Espacial Europeia, complementa os esforços da NASA para entender e prevenir impactos.

  • Próximos passos na pesquisa de NEOs:
    • Ampliar a detecção de cometas de longo período.
    • Desenvolver tecnologias de deflexão mais precisas.
    • Integrar inteligência artificial no monitoramento de NEOs.
    • Fortalecer a cooperação global em defesa planetária.

A mensagem final é clara: a ciência está avançando para proteger a Terra, mas a vigilância nunca pode parar.

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