Policial penal suspeito de feminicídio em BH admite crime e pede para chamar políciaPor Janderson
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Um crime chocante abalou o bairro Padre Eustáquio, em Belo Horizonte, no último sábado, 16 de agosto de 2025, quando o policial penal Rodrigo Caldas, afastado por motivos psiquiátricos, assassinou sua companheira, Priscilla Azevedo Mundim, motivado por ciúmes extremos. Após o feminicídio, Caldas ligou para o cunhado, Leonardo Alves de Sousa, confessando ter “feito merda” e pedindo que ele chamasse a polícia. A vítima, que se sentia sufocada no relacionamento, foi encontrada sem vida no apartamento do casal. Horas antes, Priscilla havia expressado à irmã sua exaustão com a possessividade do companheiro. O caso, investigado como feminicídio, expõe a gravidade da violência de gênero e levanta questões sobre a saúde mental de agentes de segurança.
O crime ocorreu em um contexto de tensão crescente no relacionamento. Fabíola Mundim, irmã de Priscilla, relatou que, na sexta-feira, o casal esteve em sua casa, onde o comportamento possessivo de Caldas era evidente. Priscilla confidenciou à irmã que não aguentava mais a relação, sentindo-se oprimida pelo ciúme do companheiro. O desfecho trágico veio menos de 24 horas depois, culminando na morte da vítima e na internação de Caldas, que se feriu com uma faca após o ato.
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A família de Priscilla, devastada, realizou o velório no Cemitério Parque da Colina no domingo, 17 de agosto. Durante a cerimônia, parentes compartilharam detalhes sobre o relacionamento conturbado, destacando a possessividade de Caldas como um fator central no crime.
Comportamento possessivo e sinais de alerta
O relacionamento entre Priscilla Azevedo Mundim e Rodrigo Caldas era marcado por episódios de ciúme extremo, conforme relatado por familiares. Fabíola Mundim, irmã da vítima, descreveu momentos de desconforto causados pelo comportamento do policial penal. Durante a visita do casal à sua casa na sexta-feira, Caldas demonstrou irritação com situações cotidianas, como uma selfie tirada por Priscilla que não o incluía. O cunhado, Leonardo, tentou apaziguar o clima, mas o agente se mostrou alterado até em uma discussão trivial sobre futebol.
- Ciúmes constantes: Caldas monitorava as ações de Priscilla, como suas postagens em redes sociais.
- Comportamento controlador: Familiares notaram que Priscilla se sentia sufocada e sem liberdade.
- Alterações emocionais: O policial penal reagia de forma desproporcional a situações banais, como brincadeiras.
- Falta de histórico de agressão explícita: Apesar do ciúme, a família não relatou episódios prévios de violência física.
O relato de Fabíola sobre o último encontro com a irmã é particularmente comovente. Priscilla, ao se despedir, deu um abraço forte e declarou seu amor, algo que Fabíola interpretou como um pressentimento de tragédia. A vítima, segundo parentes, planejava encerrar o relacionamento, mas não teve tempo de agir.
Afastamento do policial e questões psiquiátricas
Rodrigo Caldas, segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp), estava afastado de suas funções como policial penal desde 2024, devido a problemas psiquiátricos. Esse detalhe levanta questões sobre o acompanhamento de agentes de segurança com históricos de saúde mental comprometida. Após cometer o crime, Caldas tentou se ferir com uma faca, sendo internado em um pronto-socorro de Belo Horizonte, onde permanece sob escolta policial.
A condição psicológica do suspeito é um ponto central na investigação. Especialistas apontam que casos de feminicídio frequentemente envolvem indivíduos com traços de ciúme patológico ou transtornos emocionais não tratados. A falta de suporte adequado para profissionais de segurança, que lidam com situações de alto estresse, pode agravar esses quadros.
- Afastamento desde 2024: Caldas não exercia funções policiais devido a problemas de saúde mental.
- Falta de acompanhamento: Não há informações sobre tratamentos ou avaliações recentes do suspeito.
- Risco ocupacional: Profissões de alta pressão, como a de policial penal, demandam suporte psicológico contínuo.

Investigação e resposta das autoridades
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) assumiu o caso por meio do Núcleo Especializado de Investigação de Feminicídios. A perícia foi realizada no local do crime, no apartamento do casal, onde vestígios foram coletados para análise. O corpo de Priscilla foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal Dr. André Roquette para exames que esclarecerão a causa exata da morte. A PCMG trabalha para determinar as circunstâncias do feminicídio, com foco em possíveis agravantes, como a premeditação.
O crime reacende o debate sobre a violência de gênero no Brasil. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, em 2024, o país registrou mais de 1.400 casos de feminicídio, com Minas Gerais entre os estados com maior incidência. A possessividade e o ciúme continuam sendo os principais motivadores desses crimes, que muitas vezes são precedidos por sinais de alerta ignorados.
- Perícia detalhada: Vestígios no apartamento podem esclarecer a dinâmica do crime.
- Exames no IML: Resultados determinarão a causa da morte e possíveis evidências de luta.
- Investigação especializada: O Núcleo de Feminicídios da PCMG busca agilidade no caso.
- Escolta do suspeito: Caldas permanece internado, mas sob vigilância policial.
Impacto na família e na comunidade
O assassinato de Priscilla Azevedo Mundim deixou marcas profundas em sua família e no bairro Padre Eustáquio. Durante o velório, parentes expressaram revolta e tristeza, mas também a esperança de que o caso traga maior conscientização sobre a violência doméstica. Fabíola Mundim destacou a importância de mulheres denunciarem sinais de relacionamentos abusivos antes que cheguem a consequências extremas.
A comunidade local, por sua vez, ficou chocada com a brutalidade do crime. Vizinhos relataram que o casal parecia reservado, mas não havia indícios claros de violência prévia. O caso reforça a necessidade de campanhas educativas e de redes de apoio para vítimas de violência de gênero.
- Luto coletivo: O velório reuniu amigos e familiares no Cemitério Parque da Colina.
- Conscientização: Familiares pedem mais atenção a sinais de relacionamentos tóxicos.
- Apoio comunitário: Vizinhos expressam solidariedade e cobram justiça.
Prevenção e combate à violência de gênero
Casos como o de Priscilla reforçam a urgência de medidas preventivas contra o feminicídio. No Brasil, a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) oferece proteção às mulheres em situações de violência doméstica, mas sua aplicação enfrenta desafios, como a demora em medidas protetivas. Programas de apoio psicológico e campanhas de conscientização são essenciais para identificar e interromper ciclos de violência antes que culminem em tragédias.
Organizações como o Instituto Patrícia Galvão destacam que o ciúme patológico é um dos principais gatilhos para feminicídios. Além disso, a capacitação de agentes de segurança pública para lidar com casos de violência de gênero é crucial, especialmente quando o agressor é um profissional da área.
- Lei Maria da Penha: Garante medidas protetivas, mas enfrenta entraves na implementação.
- Apoio psicológico: Essencial para vítimas e agressores em potencial.
- Capacitação policial: Agentes precisam de treinamento para atuar em casos de violência doméstica.
- Campanhas educativas: Conscientizam sobre sinais de relacionamentos abusivos.
A tragédia de Priscilla Azevedo Mundim é um lembrete doloroso de que a violência de gênero permanece como um desafio social no Brasil. A rápida resposta das autoridades e a mobilização da família por justiça são passos importantes, mas insuficientes sem ações estruturais para prevenir novos casos. A investigação segue em andamento, e a sociedade aguarda respostas que tragam não apenas punição, mas também mudanças significativas no combate à violência contra a mulher.















