Em 2025, a Forbes Brasil revelou 31 novos bilionários brasileiros, elevando o total do país a 300 pessoas com fortunas acima de R$ 1 bilhão. Entre os estreantes, destacam-se herdeiros, executivos e nomes conhecidos, como Iris Abravanel, viúva de Silvio Santos, e sete representantes ligados à WEG, empresa catarinense de motores elétricos. A lista, publicada em 28 de agosto, reflete a força de setores como energia, mídia e indústria. A ascensão de novos ricos ocorre em um cenário de valorização de empresas e heranças robustas, consolidando o Brasil como um polo de riqueza na América Latina. O ranking evidencia a diversidade de trajetórias, desde jovens herdeiros até veteranos do mercado, e reforça a influência de grandes corporações nacionais.
A lista da Forbes Brasil, publicada anualmente desde 2012, é um retrato da elite econômica do país. Neste ano, os 31 novos nomes trazem histórias que vão desde heranças familiares até carreiras de sucesso em grandes empresas. A WEG, com sede em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, é um dos destaques, com sete bilionários entre executivos, conselheiros e herdeiros.
- Setores em alta: Energia, mídia e indústria lideram a geração de novos bilionários.
- Heranças relevantes: Famílias como a de Silvio Santos e Marcel Telles marcam presença.
- Juventude e experiência: O ranking inclui desde jovens de 29 anos até veteranos de 79 anos.
WEG: a máquina de criar bilionários
A WEG, multinacional catarinense conhecida pela produção de motores elétricos, transformadores e geradores, foi responsável por sete novos bilionários em 2025. A empresa, fundada em 1961 por Werner Ricardo Voigt, Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus, tem se destacado pela valorização de suas ações, que impulsionaram fortunas de executivos e herdeiros. Sérgio Luiz Silva Schwartz, com R$ 4,8 bilhões, e Harry Schmelzer Júnior, com R$ 4 bilhões, são exemplos de executivos de carreira que ascenderam ao clube dos bilionários.
A força da WEG no mercado global, com fábricas em mais de 10 países, reflete-se em seu lucro líquido de R$ 6,04 bilhões em 2024. A empresa se consolidou como líder na América Latina, e sua governança sólida atraiu investidores, elevando o patrimônio de acionistas. Herdeiros como Décio da Silva, filho de um dos fundadores, também figuram na lista, com R$ 4,4 bilhões. A valorização acionária transformou participações em fortunas pessoais, um fenômeno raro na indústria brasileira, tradicionalmente dominada por setores como bancos e varejo.
- Sérgio Luiz Silva Schwartz: R$ 4,8 bilhões, conselheiro da WEG.
- Décio da Silva: R$ 4,4 bilhões, herdeiro e presidente do conselho.
- Harry Schmelzer Júnior: R$ 4 bilhões, CEO da empresa.
- Martin Werninghaus: R$ 4,2 bilhões, ligado à família fundadora.
- Edward Henrique de Sá: R$ 4 bilhões, investidor via holding.
Iris Abravanel e o legado de Silvio Santos
Iris Pássaro Abravanel, de 77 anos, entrou para a lista com uma fortuna estimada em R$ 6,4 bilhões, herdada após a morte de Silvio Santos em 2024. A viúva do icônico apresentador, junto às seis filhas, consolidou o patrimônio do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) e de empreendimentos em varejo, hotelaria e cosméticos. O império construído por Silvio, que inclui o canal de televisão e marcas como Jequiti, foi avaliado pela Forbes como um dos mais relevantes do setor de mídia no Brasil.
A trajetória de Iris reflete a força das heranças familiares na composição da lista de bilionários. O SBT, fundado em 1981, permanece como uma das principais emissoras do país, com audiência expressiva e diversificação em outras áreas de negócios. A entrada de Iris no ranking destaca a resiliência do grupo mesmo após a perda de seu fundador, mostrando como marcas consolidadas podem gerar riquezas duradouras.
Jovens bilionários: Max Telles lidera com R$ 29,3 bilhões
Max Van Hoegaerden Herrmann Telles, de apenas 29 anos, é o estreante mais jovem e dono da maior fortuna entre os novatos, com R$ 29,3 bilhões. Filho de Marcel Herrmann Telles, um dos fundadores da 3G Capital e acionista da AB InBev, maior cervejaria do mundo, Max assumiu papéis nos negócios do pai. Sua entrada no ranking evidencia a transferência geracional de riqueza, um movimento crescente no Brasil e no mundo.
A AB InBev, que controla marcas como Brahma e Budweiser, tem valuation global superior a US$ 100 bilhões, o que explica a magnitude da fortuna de Max. A 3G Capital, conhecida por investimentos em gigantes como Burger King e Kraft Heinz, também reforça a influência da família Telles no cenário econômico global. A ascensão de Max simboliza a nova geração de bilionários brasileiros, que combinam heranças com papéis ativos em grandes corporações.
- Idade: 29 anos, o mais jovem da lista.
- Fortuna: R$ 29,3 bilhões, a maior entre os estreantes.
- Origem: Herança e participação na AB InBev via 3G Capital.
- Contexto: Transferência geracional de riqueza em alta no Brasil.
Energia e inovação: Lauro e Pedro Fiuza no setor eólico
Lauro Fiuza, de 79 anos, e seu filho Pedro Fiuza, de 45 anos, são estreantes ligados ao Grupo Servtec, empresa focada em energia renovável, com destaque para geração eólica, solar, térmica e hídrica. Cada um possui uma fortuna de R$ 1 bilhão, refletindo o crescimento do setor de energia no Brasil. O grupo, fundado por Lauro, tem se beneficiado da transição energética global, com investimentos em fontes limpas que atraem capital estrangeiro.
O setor de energia renovável tem ganhado relevância no Brasil, impulsionado por políticas públicas e pela demanda por sustentabilidade. A Servtec, com projetos em estados como Bahia e Rio Grande do Norte, exemplifica como a inovação no setor pode gerar fortunas. A presença de pai e filho na lista reforça a combinação de experiência e continuidade familiar nos negócios.
Outros nomes e setores em destaque
Além da WEG, SBT e energia, outros setores marcaram a lista de novos bilionários. Maurício Perez Botelho, com R$ 3,2 bilhões, representa a Energisa, empresa de distribuição de energia com forte presença no Brasil. O setor de tecnologia também aparece com nomes como Marcelo Kalim, ligado à fintech C6 Bank, e a família Johannpeter, da Gerdau, reforçando a indústria siderúrgica.
A diversidade de setores reflete a dinâmica da economia brasileira, com crescimento em áreas como tecnologia financeira, agronegócio e indústria pesada. A Forbes destacou que a desvalorização do real frente ao dólar, de 27% em 2025, reduziu o número de brasileiros na lista global (de 69 para 56), mas o ranking nacional, que considera fortunas em reais, mostra a resiliência de setores estratégicos.
- Maurício Perez Botelho: R$ 3,2 bilhões, Energisa.
- Marcelo Kalim: Fintech C6 Bank, inovação no setor financeiro.
- Família Johannpeter: Gerdau, siderurgia com tradição centenária.
- Setores emergentes: Tecnologia e energia renovável ganham espaço.
Heranças versus mérito: um debate recorrente
A lista de 2025 da Forbes Brasil traz um equilíbrio entre herdeiros e executivos que construíram suas fortunas por mérito. Enquanto nomes como Iris Abravanel e Max Telles representam a força das heranças, executivos como Sérgio Schwartz e Harry Schmelzer Júnior, da WEG, mostram o impacto de carreiras bem-sucedidas em grandes empresas. Esse contraste reflete a complexidade da formação de riqueza no Brasil, onde tradição familiar e inovação coexistem.
A concentração de riqueza, porém, levanta debates sobre desigualdade. O Brasil, com 300 bilionários em 2025, tem uma fortuna acumulada de R$ 1,52 trilhão entre os super-ricos, segundo a Forbes. A ascensão de novos bilionários, especialmente em setores industriais e de energia, sugere um mercado dinâmico, mas também evidencia a distância entre o topo e a base da pirâmide social.
- Herdeiros: Iris Abravanel, Max Telles e família Johannpeter.
- Executivos: Sérgio Schwartz, Harry Schmelzer Júnior e Nildemar Secches.
- Desigualdade: Fortuna dos 300 bilionários equivale a 10% do PIB brasileiro.
- Tendência: Crescimento de setores como energia renovável e fintechs.
O impacto das empresas familiares
Empresas familiares, como a WEG e a Gerdau, continuam sendo pilares da economia brasileira. A WEG, com sua estrutura acionária diversificada, exemplifica como a governança pode transformar heranças em fortunas ativas. Já a Gerdau, representada por André, Cláudio e Guilherme Johannpeter, mantém sua relevância global na siderurgia, com operações em 10 países e faturamento anual superior a R$ 70 bilhões.
Essas empresas mostram como a continuidade familiar, aliada a estratégias modernas de gestão, pode gerar riqueza sustentável. A Forbes destaca que a valorização de ações e a expansão internacional dessas companhias foram cruciais para a entrada de novos bilionários em 2025.
O futuro dos novos bilionários
A lista de 2025 reflete um Brasil em transformação, com setores tradicionais, como indústria e mídia, convivendo com áreas emergentes, como energia renovável e tecnologia. A presença de jovens como Max Telles e de veteranos como Lauro Fiuza indica que a riqueza brasileira está em constante renovação, mas ainda fortemente atrelada a heranças e grandes corporações. A WEG, com sete novos bilionários, é um exemplo de como a indústria pode se reinventar e competir globalmente, enquanto nomes como Iris Abravanel mostram a força de marcas consolidadas.
A ascensão desses novos bilionários reforça a relevância do Brasil no cenário global, mas também destaca a necessidade de políticas que promovam uma distribuição mais equitativa da riqueza. O ranking da Forbes, com seus 300 nomes, é um espelho da economia nacional, revelando tanto suas conquistas quanto suas contradições.
