Polícia Civil desmantela rede de produção de cogumelos mágicos em 7 estados

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Cogumelo Mágico Foto: Cogumelo Mágico - Foto: Reprodução / PCDF

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, em 4 de setembro de 2025, a Operação Psicose, uma ação contra uma organização criminosa que produzia e distribuía cogumelos mágicos com psilocibina, substância psicodélica proibida no Brasil. A operação, coordenada pela Coordenação de Repressão às Drogas (Cord), resultou na prisão de nove pessoas e no cumprimento de 20 mandados de busca e apreensão em sete estados: Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Pará, Minas Gerais e Espírito Santo. A rede, que operava em larga escala, movimentou cerca de R$ 26,5 milhões entre 2024 e 2025, enviando 3.718 encomendas pelo país. O grupo usava redes sociais e aplicativos de mensagens para negociar, além de estratégias de marketing digital para atrair jovens. A ação contou com apoio do Coaf, Receita Federal e Correios, desmantelando um esquema sofisticado de cultivo e logística.

A investigação começou no início de 2025, após monitoramento de plataformas digitais que promoviam a venda de cogumelos. Os criminosos usavam perfis no Instagram para atrair clientes, direcionando-os a sites e grupos de mensagens para fechar negócios. A operação revelou um esquema complexo, com produção centralizada em Curitiba (PR) e distribuição em moldes de dropshipping, dificultando o rastreamento.

  • Principais alvos: produtores, distribuidores e líderes da organização.
  • Locais de atuação: Brasília, Curitiba, Joinville, São Paulo, Belém, Belo Horizonte e Vitória.
  • Faturamento estimado: R$ 26,5 milhões em dois anos.
  • Volume de produção: até 200 kg de cogumelos por mês.

Centro de produção em Curitiba

A investigação identificou Curitiba como o principal polo de cultivo dos cogumelos mágicos. A cidade abrigava uma estrutura profissional, capaz de produzir 200 quilos mensais, com planos de expansão para dobrar a capacidade. A operação em Curitiba funcionava como o coração do esquema, abastecendo distribuidores em todo o Brasil. As instalações incluíam galpões equipados para cultivo controlado, com técnicas avançadas para maximizar a produção de psilocibina.

A logística era outro diferencial do grupo. As drogas eram enviadas pelos Correios e por empresas privadas, em embalagens discretas que dificultavam a identificação. A estratégia de dropshipping permitia que pedidos fossem despachados diretamente de centros de distribuição, reduzindo o risco para os líderes da organização.

  • Técnicas de cultivo: uso de substratos específicos e controle de temperatura.
  • Logística: envios sem identificação clara do remetente.
  • Expansão planejada: novo galpão para aumentar a produção.

O grupo também investia em embalagens que imitavam produtos legais, como suplementos alimentares, para despistar autoridades. A sofisticação do esquema surpreendeu os investigadores, que destacaram a organização como uma das mais estruturadas no tráfico de substâncias psicodélicas no país.

Marketing digital e público-alvo

A organização criminosa se destacava pelo uso de estratégias modernas de marketing. Perfis no Instagram e sites bem elaborados promoviam os cogumelos como produtos de “bem-estar” ou “expansão da consciência”, sem embasamento científico. Anúncios pagos e parcerias com influenciadores digitais e DJs de festas de música eletrônica eram usados para atrair jovens, especialmente frequentadores de raves e eventos culturais.

Os criminosos também participavam de feiras e eventos, onde os cogumelos eram apresentados como alternativas naturais para saúde mental. Essa abordagem explorava a curiosidade de jovens urbanos, que muitas vezes desconheciam os riscos da psilocibina, substância que pode causar alucinações intensas, ansiedade e até crises psicóticas em doses elevadas.

  • Público principal: jovens entre 18 e 30 anos.
  • Canais de promoção: Instagram, Telegram e sites próprios.
  • Estratégias: parcerias com influenciadores e presença em eventos culturais.
  • Mensagem de marketing: associação dos cogumelos a benefícios terapêuticos.

A Polícia Civil destacou que a propaganda enganosa era uma das principais ferramentas do grupo para expandir o mercado, aproveitando a falta de regulação em plataformas digitais para alcançar novos consumidores.

Impacto financeiro e crimes associados

Entre 2024 e 2025, a organização enviou 3.718 encomendas, totalizando 1,3 quilo de cogumelos. Cada dose de 3 gramas custava R$ 60, gerando um faturamento estimado de R$ 26,5 milhões. Além do tráfico de drogas, o grupo é investigado por lavagem de dinheiro, associação criminosa, crimes ambientais e contra a saúde pública, além de práticas como publicidade abusiva e curandeirismo.

A lavagem de dinheiro ocorria por meio de contas bancárias em nomes de laranjas e empresas de fachada, dificultando o rastreamento dos lucros. O Coaf desempenhou papel crucial ao identificar movimentações financeiras suspeitas, que ajudaram a mapear a rede. A Receita Federal também auxiliou na identificação de irregularidades fiscais ligadas aos líderes do esquema.

  • Crimes associados: tráfico, lavagem de dinheiro, associação criminosa.
  • Penas potenciais: até 53 anos de prisão para os líderes.
  • Movimentação financeira: R$ 26,5 milhões em dois anos.
  • Métodos de lavagem: uso de contas de terceiros e empresas fictícias.

A operação revelou que o grupo planejava expandir as atividades para mercados internacionais, com contatos preliminares em países onde a psilocibina é menos regulada. A ação policial, no entanto, interrompeu esses planos.

Ação policial e próximos passos

A Operação Psicose mobilizou agentes em sete estados, com buscas em residências, galpões e pontos de distribuição. Além das prisões, foram apreendidos materiais de cultivo, como substratos, esporos e equipamentos, além de documentos que detalhavam a operação financeira do grupo. A colaboração entre diferentes órgãos foi essencial para o sucesso da operação, que exigiu meses de planejamento e monitoramento.

Os investigadores agora trabalham para identificar outros envolvidos que possam estar fora do radar inicial. Há indícios de que o grupo mantinha conexões com fornecedores internacionais de esporos, o que pode levar a novas fases da investigação. A Polícia Civil também planeja intensificar o monitoramento de plataformas digitais para coibir a venda de entorpecentes.

  • Apreensões: materiais de cultivo, documentos e dispositivos eletrônicos.
  • Próximos passos: investigação de conexões internacionais e monitoramento online.
  • Colaboração: integração entre Polícia Civil, Coaf, Receita Federal e Correios.
  • Foco futuro: repressão ao comércio de drogas em redes sociais.

A operação reforça a necessidade de maior controle sobre a venda de substâncias psicodélicas, especialmente em plataformas digitais, que se tornaram um canal crescente para o tráfico.

Riscos da psilocibina e regulação

A psilocibina, presente nos cogumelos mágicos, é classificada como substância controlada pela Anvisa devido aos seus efeitos psicodélicos. Embora haja estudos internacionais explorando seu uso em tratamentos psiquiátricos, no Brasil a substância é proibida fora de contextos autorizados. O consumo recreativo pode levar a efeitos colaterais graves, como paranoia, alucinações prolongadas e riscos à saúde mental.

A operação destacou a importância de campanhas educativas sobre os perigos do uso de substâncias não regulamentadas. A Polícia Civil alertou que a promoção de cogumelos como produtos “naturais” mascara os riscos reais, enganando consumidores desinformados.

  • Efeitos da psilocibina: alterações na percepção, ansiedade, riscos psiquiátricos.
  • Regulação: proibida pela Anvisa, sem uso recreativo permitido.
  • Riscos à saúde: possibilidade de crises psicóticas em usuários.
  • Prevenção: necessidade de campanhas de conscientização.

A Operação Psicose é um marco no combate ao tráfico de substâncias psicodélicas no Brasil, evidenciando a sofisticação de organizações criminosas que exploram novas tecnologias e canais de distribuição.

Janderson é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024

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