Supercarro elétrico da BYD quebra recorde mundial ao atingir 496 km/h na AlemanhaPor Luís Henrique Costa
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O piloto alemão Marc Basseng acelerou o Yangwang U9 Xtreme pela pista oval de Papenburg, na Alemanha, registrando uma velocidade máxima de 496,22 km/h em um teste recente. Esse feito posicionou o veículo como o carro de produção mais rápido do planeta, superando o recorde anterior estabelecido pelo Bugatti Chiron Super Sport 300+ em 2019, que marcou 490,48 km/h.
A marca chinesa BYD, por meio de sua divisão premium Yangwang, demonstrou mais uma vez sua capacidade de inovação no setor automotivo elétrico. O teste ocorreu no centro de ensaios ATP Automotive Testing Papenburg, uma instalação conhecida por validar desempenhos extremos em condições controladas.
Diversos fatores contribuíram para o sucesso do U9 Xtreme nessa empreitada.
- Potência combinada de mais de 3.000 cavalos gerados por quatro motores elétricos independentes.
- Plataforma de 1.200 volts, a primeira em série para veículos de produção, permitindo descargas rápidas de energia.
- Bateria Blade de fosfato de ferro e lítio com taxa de descarga de 30C, otimizada para picos de performance.
- Pneus semi-slick desenvolvidos em parceria com a Giti Tire, projetados para suportar velocidades acima de 500 km/h.

Basseng, com experiência em corridas de GT, destacou a estabilidade do carro mesmo em acelerações intensas, graças ao sistema de vetorização de torque que ajusta a potência em cada roda mais de 100 vezes por segundo.
A pista oval, com 12,3 km de extensão e curvas de até 49,7 graus, permitiu que o supercarro mantivesse a velocidade sem interrupções significativas. Engenheiros da BYD monitoraram todos os parâmetros em tempo real, confirmando a ausência de superaquecimento ou perda de tração durante a run.
Configurações técnicas que impulsionam o recorde
O Yangwang U9 Xtreme evolui a partir do modelo U9 padrão, introduzido em 2023, mas incorpora upgrades específicos para circuitos. Essa versão Track Edition, agora oficializada como Xtreme, utiliza uma arquitetura e4 com suspensão DiSus-X aprimorada, capaz de aplicar até 9 kW de pressão bidirecional por roda e ajustes de 500 mm por segundo.
Quatro motores elétricos, cada um operando a até 30.000 rpm, entregam 2.978 cavalos no total, resultando em uma relação potência-peso de 1.217 cv por tonelada. O peso do veículo fica em torno de 2.480 kg, influenciado pela bateria de alta densidade energética, que melhora em 170% a capacidade de descarga comparada a sistemas de 800 volts.
A aerodinâmica recebe atenção especial nessa configuração. Um splitter frontal em fibra de carbono maior canaliza o ar de forma eficiente, enquanto saias laterais estendidas e um difusor traseiro de dupla camada geram efeito solo aprimorado. Rodas de 20 polegadas com pneus dianteiros de 325 mm de largura equalizam a aderência, e freios com pinças de titânio e discos de carbono-cerâmica dissipam o calor gerado em frenagens de alta velocidade.
Esses elementos combinados permitiram não só o recorde de velocidade linear, mas também uma volta no Nürburgring Nordschleife em 6 minutos e 59,157 segundos, superando o tempo anterior do Xiaomi SU7 Ultra de 7:04,957. A produção será limitada a apenas 30 unidades globais, direcionadas a colecionadores e entusiastas de performance.
O sistema elétrico de 1.200 volts reduz a geração de calor em até 67% em comparação com plataformas anteriores, mantendo a eficiência mesmo em cargas extremas. Isso significa que o U9 Xtreme pode sustentar potências próximas de 2.414 cv mesmo com a bateria a 20% de carga, um avanço significativo para veículos elétricos em cenários de pista.
Evolução da linha Yangwang na busca por velocidade
A Yangwang, lançada como marca de luxo da BYD em 2022, já havia marcado presença com o U8, um SUV off-road capaz de flutuar e girar no eixo. O U9, apresentado no Salão do Automóvel de Xangai em 2023, estabeleceu bases para hipercarros elétricos com 1.290 cv e aceleração de 0 a 100 km/h em 2,36 segundos.
Testes prévios na mesma pista alemã, em agosto de 2025, viram o U9 Track Edition atingir 472,41 km/h, conquistando o título de elétrico mais rápido na época. Basseng, que pilotou nessa ocasião, retornou para o novo desafio, ajustando estratégias de aceleração para maximizar o uso da pista oval.
A bateria Blade, patenteada pela BYD, usa química de fosfato de ferro e lítio para maior segurança e longevidade, suportando descargas intensas sem degradação rápida. Em condições normais, o U9 padrão oferece autonomia de 450 km no ciclo CLTC, mas a versão Xtreme prioriza performance sobre eficiência, com foco em sessões curtas de alta demanda.
Parcerias como a com a Giti Tire resultaram em compostos de pneus que minimizam o desgaste em rotações extremas, enquanto o gerenciamento térmico otimizado previne falhas em componentes sob estresse. Esses avanços posicionam a BYD não só como líder em volume de produção elétrica, mas também em engenharia de ponta para veículos de elite.
O design externo, assinado pelo ex-designer da Lamborghini Wolfgang Egger, mantém linhas agressivas com faróis divididos e lanternas conectadas pelo logo Yangwang. Internamente, uma tela vertical de 17 polegadas integra controles, e materiais como couro vegano e alumínio reforçam o caráter premium.
Comparação com rivais tradicionais de alta performance
Rivais como o Rimac Nevera R, com 439,9 km/h, e o Aspark Owl, a 438,7 km/h, representam o ápice dos elétricos até recentemente, mas o U9 Xtreme os deixa para trás em velocidade pura. Contra combustão, o Koenigsegg Jesko Absolut projeta 531 km/h teóricos, mas sem validação em pista, enquanto o SSC Tuatara detém o recorde bidirecional oficial de 455,3 km/h.
O Bugatti Chiron, superado agora, usava um W16 quadriturbo de 1.600 cv, mas sofria com limitações aerodinâmicas em velocidades acima de 490 km/h. O U9 Xtreme, silencioso e sem trocas de marcha, permite foco total do piloto na pista, como notou Basseng após a run.
Diferenças estruturais destacam a vantagem elétrica: torque instantâneo de 3.000 Nm evita patinação inicial, e o centro de gravidade baixo melhora a estabilidade em curvas. No entanto, o peso das baterias exige calibrações precisas na suspensão para equilibrar agilidade.
Outros hipercarros elétricos, como o Pininfarina Battista com 350 km/h limitados, focam mais em aceleração (0-100 em 1,79 s) do que em topos de linha. A BYD, com produção em massa de componentes, reduz custos potenciais, embora o U9 padrão custe cerca de 1,68 milhão de yuans na China, equivalente a R$ 1,2 milhão.
Inovações na suspensão e controle dinâmico
A suspensão DiSus-X, presente desde o U9 original, evolui para lidar com forças extremas no Xtreme. Ela eleva o carro em 75 mm a 500 mm/s, gerando mais de uma tonelada de força hidráulica por roda, útil para saltos ou correções em superfícies irregulares.
Em testes de pista, o sistema monitora inclinações e aplica contraforças para reduzir roll e dive, mantendo os pneus em contato ideal mesmo a 400 km/h. Isso contribuiu para o tempo no Nürburgring, onde curvas técnicas demandam precisão milimétrica.
O vetor de torque independente ajusta distribuição em milissegundos, prevenindo subviragem ou sobreviragem. Combinado com freios regenerativos que recuperam energia, o U9 Xtreme otimiza cada volta, transformando frenagens em acelerações parciais.
Essas tecnologias derivam de pesquisas da BYD em veículos acessíveis, como o Dolphin, mas escaladas para performance. A redução de calor no sistema de 1.200 V permite sessões prolongadas sem resfriamento excessivo, um desafio comum em elétricos de alta potência.
Pilotos como Basseng elogiam a previsibilidade, comparando-a a protótipos de Le Mans, onde controle absoluto é vital. A integração de sensores LiDAR e câmeras adiciona camadas de assistência, embora desativáveis para runs puras.
Produção limitada e disponibilidade global
Com apenas 30 unidades planejadas, o U9 Xtreme entra no nicho de colecionáveis, similar ao McLaren F1 ou ao Pagani Huayra. Vendas iniciam na China, onde o U9 padrão já entregou 149 unidades desde fevereiro de 2024.
Preços não divulgados sugerem um premium sobre os 232.500 dólares do base, possivelmente ultrapassando 500.000 dólares por unidade. A BYD visa mercados como Europa e Ásia, com certificações pendentes para exportação.
A pista de Papenburg, usada por marcas como Porsche, valida o recorde sob padrões internacionais, embora o Guinness exija homologação final. Basseng’s run unidirecional atende critérios iniciais, abrindo caminho para reconhecimentos oficiais.
A estratégia da Yangwang reforça a transição para elétricos de luxo, competindo com Tesla Plaid e Lucid Air Sapphire em specs, mas superando em velocidade bruta. Entusiastas aguardam entregas em 2026, com eventos como Goodwood para demonstrações.
Desempenho em circuitos icônicos
Além de Papenburg, o U9 Xtreme foi cronometrado no Nürburgring, superando elétricos rivais em uma pista de 20,8 km com 73 curvas. O tempo de 6:59,157 reflete otimizações em downforce e tração, com o swan-neck wing traseiro gerando estabilidade extra.
Comparado ao Mercedes-AMG ONE, 30 segundos mais rápido em 6:29, o U9 destaca limitações de peso, mas avança em torque contínuo. Testes em Ehra-Lessien, pista da VW, poderiam validar bidirecional, mas a BYD prioriza circuitos oval para topos absolutos.
O piloto ajustou setups para cada seção, usando modos de pista que priorizam potência sobre autonomia. Resultados preliminares mostram aceleração de 0-300 km/h em menos de 10 segundos, rivalizando com os melhores hipercarros.
Esses dados alimentam simulações para futuras iterações, como uma versão de rua com foco em usabilidade diária. A BYD planeja expandir a Yangwang com modelos híbridos, mantendo o DNA de performance sustentável.







