A celebração do Dia das Crianças, marcada no Brasil em 12 de outubro, começou com uma proposta legislativa em 1924, idealizada pelo deputado Galdino do Valle Filho. A data, sancionada no governo de Arthur Bernardes, visava destacar a importância da infância, mas só ganhou força décadas depois, impulsionada por campanhas comerciais. Hoje, a data combina proteção aos direitos infantis com um forte apelo para o consumo de brinquedos.
A origem da data remonta ao 1º Congresso Brasileiro da Criança, em 1922, no Rio de Janeiro, que discutiu políticas assistencialistas. Apesar da criação da lei, o 12 de outubro passou anos sem grande adesão popular.
- O congresso de 1922 focou em cuidados básicos e direitos mínimos.
- A lei de 1924 foi um marco, mas carecia de ações práticas.
- O comércio transformou a data em um evento nacional.
Raízes históricas
A ideia de dedicar um dia às crianças surgiu em um contexto de mudanças sociais. No início do século 20, a infância começou a ser vista como um período crucial para o desenvolvimento.
Políticas públicas voltadas para crianças ganharam força após debates no Congresso de 1922. A visão assistencialista buscava garantir saúde e educação, mas enfrentava limitações.
Apelo comercial
A consolidação do Dia das Crianças veio nos anos 1950, com a campanha “Semana do Bebê Robusto”, da Estrela e Johnson & Johnson. A iniciativa alavancou as vendas de brinquedos e fixou a data no calendário.
A escolha do 12 de outubro, ligada ao descobrimento da América, trouxe um simbolismo de renovação. A data passou a ser vista como uma oportunidade para presentear.
O comércio cresceu, mas especialistas alertam para a pressão sobre as famílias. “Nem sempre o presente mais caro é o ideal”, diz a professora Magda Sarat, da UFGD.
A campanha transformou o 12 de outubro em um marco para o varejo. Hoje, lojas movimentam bilhões no período.
Direitos da infância
A proteção à infância avançou significativamente no Brasil. Marcos como o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) garantiram direitos fundamentais. A educação infantil, incluída na Lei de Diretrizes e Bases (1996), reforçou a prioridade do tema.
A Declaração dos Direitos da Criança (1989) também marcou a visão da criança como cidadã. “Elas têm voz e direitos no presente, não só no futuro”, destaca Sarat.
Leis e políticas públicas mudaram a percepção sobre a infância. Escolas e programas sociais refletem esse progresso.
Desafios atuais
Apesar dos avanços, desigualdades persistem na celebração. Muitas crianças não têm acesso a presentes ou atividades recreativas.
A escolha de brinquedos também reflete estereótipos de gênero. Meninas recebem itens domésticos, enquanto meninos ganham brinquedos de aventura.
Sarat sugere que os pais considerem os interesses reais das crianças. “O presente deve estimular a criatividade, não reforçar papéis tradicionais”, afirma.
Impacto econômico
O Dia das Crianças movimenta o comércio brasileiro, com aumento nas vendas de brinquedos e eletrônicos. Em 2024, o setor espera crescimento de 5% em relação ao ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico. A data é a terceira mais importante para o varejo, atrás apenas do Natal e do Dia das Mães.

