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A Meta removeu um grupo no Facebook com mais de 11 mil integrantes que comercializava garrafas usadas de bebidas alcoólicas. A ação ocorreu após notificação da Advocacia-Geral da União (AGU), em Brasília, no início de outubro de 2025, para combater a falsificação de produtos que resulta em intoxicações por metanol. O Ministério da Saúde registra 246 notificações de casos no país até 10 de outubro, com 29 confirmados, concentrados em São Paulo.

Essa exclusão integra esforços governamentais contra o aumento de incidentes graves, incluindo mortes e danos neurológicos irreversíveis. A Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), da AGU, identificou o grupo como facilitador de práticas ilegais que violam normas sanitárias e políticas da plataforma.

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  • Principais estados afetados: São Paulo (mais de 90% dos casos), Pernambuco, Distrito Federal, Bahia, Paraná e Mato Grosso do Sul.
  • Estoque de antídotos: O governo adquiriu 4,3 mil ampolas de etanol farmacêutico e planeja mais 150 mil unidades para o SUS.
  • Mercado ilegal: Relatórios indicam que o comércio clandestino de bebidas movimentou R$ 56,9 bilhões em 2022, com crescimento de 224% desde 2017.

Notificação da AGU acelera remoção de conteúdos

A PNDD protocolou a terceira notificação à Meta nesta quinta-feira, 9 de outubro. O documento destacou postagens de garrafas com rótulos originais de marcas conhecidas, ideais para reenvase de bebidas adulteradas. A plataforma confirmou a exclusão e preservou evidências, como nomes de participantes e ações de administradores, para possíveis investigações policiais.

Essa medida atende à decisão do Supremo Tribunal Federal que aumenta a responsabilidade das big techs sobre conteúdos nocivos. A AGU argumentou que a inércia das plataformas contraria o Marco Civil da Internet e regras internas contra vendas ilegais.

Riscos à saúde pública elevam alertas nacionais

O metanol, substância tóxica usada para baratear destilados como vodca e gim, causa sintomas como visão turva, náuseas e falência de órgãos. Até 6 de outubro, o país contava 17 casos confirmados e 200 em análise, segundo o Ministério da Saúde. Hospitais universitários, como a Unicamp, ampliaram análises para 190 exames diários em apoio aos estados.

Autoridades reforçaram a Sala de Situação nacional para monitoramento contínuo. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, orientou notificação imediata de suspeitas via Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs).

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira publicou protocolos para tratamento rápido com fomepizol e etanol intravenoso. Casos iniciais surgiram em 22 de setembro, em bares e festas, afetando principalmente jovens urbanos.

Facebook
Facebook – Foto: One Artist/Shutterstock.com

Ação contra e-commerces complementa fiscalização

A Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça, notificou dez plataformas de comércio eletrônico na semana anterior. Elas devem suspender anúncios de lacres, tampas, selos e garrafas não colecionáveis para interromper o suprimento de insumos falsificadores.

Empresas como Mercado Livre e Shopee removeram listagens em 24 horas após o pedido. Essa iniciativa visa quebrar a cadeia de produção clandestina, que usa embalagens recicladas para simular autenticidade.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública estima que 30% das bebidas no varejo informal contenham adulterações. Fiscalizações da Anvisa intensificaram inspeções em distribuidoras, com suspensão cautelar de seis empresas em São Paulo.

Estratégias de prevenção em bares e residências

Bares e restaurantes adotam verificações rigorosas de fornecedores desde o alerta inicial. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes recomenda descarte correto de garrafas vazias para evitar reutilização. Consumidores recebem orientação para checar selos fiscais e origens de destilados.

O governo distribui cartilhas sobre identificação de falsificações, como ausência de numeração de lote ou embalagens danificadas. Em outubro, 12 mil ampolas adicionais de antídotos foram estocadas no SUS para resposta emergencial.

Detalhes da operação no grupo excluído

O grupo operava como marketplace virtual, com anúncios de garrafas “zero” de uísque e vodca, entregas via Correios e vídeos de qualidade. Vendedores de vários estados coordenavam vendas em escala, atraindo colecionadores e falsificadores. A moderação interna falhou em detectar violações, apesar de regras claras da Meta.

Essa estrutura facilitava o crime previsto no artigo 272 do Código Penal, com penas de quatro a oito anos de prisão por adulteração. A PNDD monitora perfis remanescentes para novas remoções.

Investigações apontam conexões com redes de WhatsApp para transações, bloqueadas parcialmente após reportagem recente. O procurador Raphael Ramos enfatizou a cooperação das plataformas como modelo para proteção coletiva.

Medidas governamentais contra o metanol

Desde 1º de outubro, o Ministério da Saúde exige notificações imediatas de intoxicações. Parcerias com a Fiocruz e Ebserh garantem suporte laboratorial nacional. Em São Paulo, duas mortes foram confirmadas, com vítimas relatando consumo em adegas e eventos sociais.

A Anvisa publicou chamadas para importação urgente de fomepizol, indisponível localmente. Estados como Pernambuco e Bahia ativaram vigilância epidemiológica para rastrear surtos locais. O balanço diário de casos, iniciado em 3 de outubro, auxilia na alocação de recursos.

Essas ações visam reduzir o impacto, com foco em destilados de origem duvidosa. Profissionais de saúde treinam para detecção precoce, minimizando sequelas como cegueira permanente.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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