Cometa interestelar 3I/ATLAS pode colapsar sob calor solar, alerta Nasa

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cometa - Foto: Nazarii_Neshcherenskyi/Shutterstock.com

Astrônomos de instituições como a Nasa e a Agência Espacial Europeia monitoram intensamente o cometa 3I/ATLAS, o terceiro objeto interestelar confirmado no Sistema Solar. Detectado em 1º de julho de 2025 pelo telescópio ATLAS no Chile, o cometa segue uma órbita hiperbólica com excentricidade superior a 5, indicando origem fora do nosso sistema estelar. Ele alcançará o periélio, ponto mais próximo do Sol, em 29 de outubro de 2025, a 1,36 unidade astronômica, equivalente a 203 milhões de quilômetros, entre as órbitas de Terra e Marte. Essa proximidade expõe o núcleo a radiação intensa, o que pode causar evaporação de voláteis e potencial fragmentação, similar ao ocorrido com o cometa 2I/Borisov em 2020.

Observações preliminares revelam jatos de poeira e gelo no 3I/ATLAS, capturados entre julho e setembro de 2025 pelo Nordic Optical Telescope. A composição rica em dióxido de carbono e metais sugere formação em ambiente frio, possivelmente análogo ao Cinturão de Kuiper de outra estrela.

  • Velocidade atual de 245 mil quilômetros por hora acelera o movimento hiperbólico.
  • Polarização negativa extrema diferencia o cometa de objetos locais conhecidos.
  • Alinhamento eclíptico facilita rastreamento, mas levanta debates sobre origens naturais.

Trajetória e detecção inicial

O telescópio ATLAS, localizado em Río Hurtado, identificou o 3I/ATLAS a 670 milhões de quilômetros do Sol, com dados de pré-descoberta remontando a maio de 2025 via satélite TESS da Nasa. Observações confirmaram atividade cometária precoce, a 6,4 unidades astronômicas do Sol, com liberação de hidroxila derivada de água.

Essa detecção precoce permitiu medições espectrais que indicam mais de 8% da superfície ativa, superior à média de cometas solares. O núcleo mede entre 440 metros e 5,6 quilômetros de diâmetro, envolto por coma avermelhada de poeira fina.

Anomalias observadas no núcleo

Imagens do Hubble em 21 de julho de 2025 mostraram cauda tênue apontando para leste, impulsionada por pressão de radiação solar. A coma exibe cor avermelhada, similar ao 2I/Borisov, com liberação de dióxido de carbono superando a água em proporção de oito para um.

Essa composição atípica sugere processos químicos em discos protoplanetários distantes, com idade estimada entre 7,6 bilhões e 14 bilhões de anos.

  • Ausência de metais pesados alinha com estrelas antigas na Via Láctea.
  • Cristais de gelo preservados causam espalhamento de luz inédito.
  • Sem surtos de brilho até setembro, mas atividade estável indica reservas voláteis significativas.
rota do 3I-ATLAS – Foto: NASA/JPL-Caltech

Desafios durante a conjunção solar

Desde o início de outubro de 2025, o 3I/ATLAS transita atrás do Sol da perspectiva terrestre, limitando visibilidade a instrumentos coronográficos. O satélite GOES-19, com o coronógrafo CCOR-1, capturou imagens em 21 de outubro, revelando coma de gás e poeira apesar do brilho intenso.

Astrônomo amador tailandês Worachate Boonplod processou esses dados, confirmando desenvolvimento de anticauda. Telescópios terrestres pausam observações diretas até novembro, quando o cometa emerge visível ao amanhecer em Virgem e Leão, com magnitude 11,5.

A interrupção ocorreu em 3 de outubro, a 28 milhões de quilômetros de Marte, registrada por sondas como Trace Gas Orbiter da Esa. Essa pausa de vários dias desafia modelos de mecânica celeste, sugerindo interações com plasma ou campos magnéticos.

Equipamentos do Mars Reconnaissance Orbiter forneceram imagens de alta resolução, sem evidências de falhas instrumentais. Após retomar movimento, o cometa prosseguiu para o periélio, com velocidade de 60 quilômetros por segundo relativa.

Contribuições de missões espaciais

A sonda Europa Clipper da Nasa alinhará com a cauda iônica do 3I/ATLAS no final de outubro, a 300 milhões de quilômetros do Sol, capturando partículas carregadas para análise de composição. Em 4 de novembro de 2025, a missão Juice da Esa passará a 64 milhões de quilômetros, realizando medições multi-espectrais de poeira e gás.

Esses alinhamentos fornecem dados sobre evolução pós-periélio, verificando integridade do núcleo ou surgimento de fragmentos. O rover Perseverance registrou o cometa como ponto brilhante no céu marciano em 4 de outubro, adicionando contexto visual.

O Telescópio Espacial James Webb, em agosto de 2025, detectou gelo de água e metais como níquel na coma, ausentes em cometas locais. Integração de dados do SPHEREx da Nasa foca em propriedades de gelo, aprimorando compreensão de trocas químicas interestelares.

Lições do caso Borisov

O cometa 2I/Borisov fragmentou em março de 2020, três meses após periélio em dezembro de 2019, com núcleo dividido em dois pedaços separados por 180 quilômetros. Observações do Hubble revelaram ejeção de poeira e gases devido a evaporação de voláteis e aceleração rotacional.

Análises espectrais identificaram monóxido de carbono em alta proporção, indicando origem perto de anãs vermelhas. Essa desintegração liberou moléculas orgânicas, fornecendo insights sobre dispersão entre estrelas.

Para o 3I/ATLAS, telescópios terrestres planejam monitoramento em novembro e dezembro de 2025, durante afastamento a 0,65 unidade astronômica de Vênus em 3 de novembro. Em março de 2026, cruzará órbita de Júpiter a 54 milhões de quilômetros, permitindo à sonda Juno registrar interações gravitacionais.

Observações pós-periélio planejadas

Telescópios como o Canada-France-Hawaii e o Vera C. Rubin coordenarão astrometria a partir de 27 de novembro de 2025, refinando trajetórias apesar da coma estendida. A International Asteroid Warning Network treina detecção de centróides para objetos difusos.

Surveys celestes buscarão trilhas de poeira se fragmentação ocorrer, ampliando catálogos de interestelares. A passagem reforça necessidade de redes globais para rastrear hiperbólicos, com foco em composição e dinâmica.

Essa cobertura integral garante dados contínuos, mesmo com restrições orçamentárias da Nasa, via parcerias com Esa e observatórios independentes.

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