Trump instrui o Departamento de Defesa a retomar imediatamente os testes de armas nucleares americanas. A decisão ocorre às vésperas de encontro com o presidente chinês Xi Jinping, em Gyeongju, na Coreia do Sul, nesta quinta-feira (30). O presidente justificou a medida como resposta a programas de testes de outros países nucleares, visando paridade estratégica.
O anúncio foi feito por meio de postagem em rede social, destacando que os Estados Unidos possuem o maior arsenal nuclear do mundo. Trump mencionou que a Rússia ocupa o segundo lugar e a China o terceiro, com previsão de equiparação em cinco anos. O processo de testes iniciará de forma imediata, conforme a orientação.
A ordem rompe com o moratoriumo voluntário adotado pelos EUA desde 1992, último ano de realização de testes explosivos nucleares. Especialistas indicam que os testes servem para validar o desempenho de novas armas e a confiabilidade de estoques existentes.
Movimentos recentes de rivais nucleares
A Rússia realizou teste bem-sucedido do torpedo super Poseidon na terça-feira (28), capaz de gerar ondas radioativas em regiões costeiras. Analistas militares destacam que o dispositivo, com alcance de 10 mil quilômetros e velocidade de 185 km/h, representa avanço em capacidades subaquáticas nucleares.
Vladimir Putin confirmou o lançamento a partir de submarino, com ativação da unidade de propulsão nuclear pela primeira vez. O teste faz parte de série de demonstrações russas, incluindo o míssil de cruzeiro Burevestnik em 21 de outubro e exercícios de lançamento nuclear em 22 de outubro.
Essas ações ocorrem em meio a tensões elevadas, com Trump endurecendo retórica contra Moscou. A notificação prévia de Moscou aos EUA sobre o teste do Burevestnik foi destacada por autoridades russas.
Histórico dos testes nucleares americanos
Os Estados Unidos iniciaram a era nuclear em julho de 1945, com explosão de bomba atômica de 20 quilotons em Alamogordo, Novo México. Dois meses depois, bombas foram lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, encerrando a Segunda Guerra Mundial.
Entre 1945 e 1992, o país conduziu mais de mil testes, majoritariamente no Atol de Bikini e no local de Nevada. O moratoriumo de 1992, estabelecido por George H.W. Bush, priorizou simulações computacionais para manutenção do arsenal.
- Testes subterrâneos predominaram após 1963, com proibição de explosões atmosféricas.
- O último teste, denominado Divider, ocorreu em 23 de setembro de 1992, no atual Nevada National Security Site.
- Programas de stewardship baseados em ciência sustentam a confiabilidade sem explosões desde então.
Preparativos no local de Nevada
O Nevada National Security Site mantém infraestrutura pronta para retomada de testes em poucas semanas. Autoridades do Departamento de Energia confirmam capacidade para explosões subterrâneas seguras.
O site, com área de 3.500 km², abriga laboratórios para experimentos subcríticos contínuos. Investimentos recentes em modernização, estimados em bilhões, facilitam a transição para testes plenos.
Especialistas preveem que os primeiros testes validem ogivas existentes, com foco em dados de rendimento e segurança. O custo anual do arsenal nuclear americano projeta-se em cerca de 1 trilhão de dólares até 2034.
Comparação de arsenais globais
A Rússia detém 5.459 ogivas nucleares em 2025, seguida pelos EUA com 5.177. A China possui cerca de 600, com expansão projetada para equiparação em meia década.
- Países como Coreia do Norte realizaram testes desde 1998, único caso de explosões confirmadas nesse período.
- Renovação de sítios históricos na China e Rússia contrasta com o moratoriumo americano.
- Acordos como o Tratado de Não Proliferação Nuclear regulam, mas não proíbem testes entre potências reconhecidas.
A paridade em testes visa restaurar equilíbrio estratégico, segundo analistas. O Pentágono não detalhou cronograma inicial, mas indica foco em validação técnica.
Implicações para controle de armas
O Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares, assinado em 1996, conta com 187 signatários, mas não ratificado pelos EUA. O Senado rejeitou a medida em 1999 por preocupações de segurança.
Retomada pode influenciar negociações trilaterais com Rússia e China. Autoridades americanas enfatizam que testes fornecerão dados reais, além de modelos computacionais.
A decisão ocorre em contexto de modernização global de arsenais, com orçamentos elevados em todas as potências. Especialistas monitoram reações diplomáticas pós-encontro Trump-Xi.
O arsenal americano inclui mísseis balísticos intercontinentais como o Minuteman III. Testes recentes de entrega, sem ogivas, ocorreram em Utah, demonstrando prontidão.
