Polícia Civil prende ‘Mentor de Barricadas’ aliado do CV com bens de R$ 217 milhões bloqueadosPor Jeronimo Santos
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Cosme Rogério Ferreira Dias, apontado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro como o “mentor de barricadas” do Comando Vermelho (CV), foi detido nesta terça-feira (18) em uma nova etapa da Operação Contenção. O empresário, que usava o ramo de reciclagem como fachada, é acusado de financiar e fornecer materiais essenciais para erguer as barreiras que bloqueiam acessos de segurança e de moradores em comunidades cariocas.
A ação policial buscou desmantelar a estrutura financeira e operacional utilizada pela facção criminosa para ampliar seu controle territorial. Foram cumpridos 25 mandados de prisão e de busca e apreensão em três estados brasileiros, além do sequestro e bloqueio de um montante financeiro que ultrapassa os R$ 217 milhões.
- As diligências da Polícia Civil ocorreram simultaneamente no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Minas Gerais, mirando o núcleo de financiamento do esquema.
- Pelo menos 15 pessoas foram presas, incluindo o empresário Cosme Rogério Ferreira Dias, considerado peça-chave na logística das barreiras.
Núcleo financeiro do tráfico e a lavagem de dinheiro
A Polícia Civil identificou que grande parte dos recursos aplicados na construção e manutenção das barricadas vinha da receptação e comercialização ilegal de materiais furtados, especialmente cobre e outros metais. Ferros-velhos controlados pelo empresário funcionavam como centros de lavagem de dinheiro.
Esses estabelecimentos não apenas movimentavam o dinheiro ilícito, mas também prestavam apoio operacional crucial. Eles eram responsáveis por financiar a instalação e a reconstrução das barreiras, reforçando o domínio territorial da facção criminosa em áreas estratégicas da Zona Norte, Baixada Fluminense e Região Metropolitana.
A estrutura do esquema criminoso detalhada
As investigações da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) revelaram que o esquema financeiro do Comando Vermelho possuía uma divisão clara de tarefas, organizada em quatro núcleos distintos. A movimentação financeira analisada, que soma mais de R$ 217 milhões entre 2022 e 2024, foi considerada incompatível com o porte das empresas de reciclagem envolvidas.
A complexidade da estrutura permitia a rápida realocação de recursos e a manutenção das operações de barricada. O bloqueio dos ativos e a interdição dos ferros-velhos são vistos como um golpe significativo na capacidade logística e financeira da organização.
Bens de luxo e interdição de ferros-velhos
Como parte das medidas judiciais, a Justiça determinou o bloqueio integral de valores e ativos financeiros vinculados aos integrantes da facção e aos operadores do esquema. O sequestro de imóveis de alto padrão, como apartamentos no Recreio dos Bandeirantes, e de veículos de luxo pertencentes ao núcleo financeiro também foi efetuado.

Além disso, foi ordenada a interdição de oito ferros-velhos identificados como parte da rede de apoio. O afastamento compulsório dos sócios e responsáveis legais foi uma medida estratégica para impedir a continuidade imediata das atividades de apoio logístico ao tráfico.
O braço logístico do Comando Vermelho
O empresário Cosme Rogério Ferreira Dias utilizava sua experiência no setor de reciclagem para garantir o fluxo constante de materiais, como pneus, sucata e metais, usados na montagem das barricadas. Essa logística é fundamental para a estratégia do CV, que visa dificultar a entrada das forças de segurança nas comunidades e consolidar seu poder.
A Operação Contenção continua em andamento, com a expectativa de novas diligências para desarticular por completo a complexa teia financeira e operacional que sustenta a expansão territorial do Comando Vermelho nos estados. O foco é neutralizar o aporte de recursos que financia as ações mais visíveis da facção.







