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Um suspeito de integrar a quadrilha que tentou assaltar o goleiro do Flamengo, Agustín Rossi, em maio deste ano, foi morto durante uma ação da Polícia Civil do Rio de Janeiro. A ocorrência foi registrada na madrugada desta quinta-feira, durante a Operação Torniquete, deflagrada na Zona Norte da capital. O confronto ocorreu na Rua Uranos, em Olaria, uma área próxima ao Complexo da Penha, quando agentes interceptaram o veículo em que o homem estava.

A operação tem como objetivo principal reprimir roubos de veículos e furtos em vias urbanas, focando em grupos criminosos que atuam com alto grau de violência. O episódio envolvendo o jogador do Flamengo ocorreu quando ele e sua família estavam em um comboio, e o veículo blindado em que se encontravam foi alvejado por disparos de fuzil. O clube acionou as autoridades estaduais logo após o ataque, o que resultou na abertura de uma investigação formal para identificar os responsáveis.

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A quadrilha em questão é conhecida por utilizar armamento pesado e agir de forma ostensiva, principalmente em regiões estratégicas da cidade. As investigações apontam que o grupo é especializado em roubos de carros de luxo e de carga, utilizando os veículos para cometer outros crimes ou para venda em mercados clandestinos. A ação que resultou na morte do suspeito é um desdobramento direto dos esforços para desarticular essa organização.

Detalhes da Operação Torniquete

A ação que resultou na morte de Vinícius Farias de Azeredo foi o culminar de um monitoramento de inteligência que durou cerca de quatro meses. Agentes da Polícia Civil acompanhavam a rotina do grupo criminoso e identificaram o Toyota Corolla roubado que era utilizado nas ações. Durante a abordagem, o suspeito e um comparsa reagiram, dando início ao confronto. O segundo indivíduo conseguiu fugir e as buscas por ele continuam.

Dentro do veículo, que havia sido roubado há aproximadamente 15 dias, foram encontrados diversos equipamentos que seriam utilizados em novos crimes, incluindo um bloqueador de sinal de GPS, conhecido como “jammer”. Este dispositivo é frequentemente usado por quadrilhas para impedir o rastreamento de veículos roubados, facilitando a fuga e o desmanche. A apreensão desses itens reforça a tese de que o grupo planejava novas ações de grande porte na cidade.

O perfil violento da quadrilha

O grupo, conhecido como “Bonde do Loirinho”, atua como um braço armado da facção Comando Vermelho desde 2018, sendo considerado pelas autoridades como o principal responsável por roubos de veículos na cidade. Liderada por Rodrigo Correia Martins da Piedade, o “Loirinho”, que possui 14 mandados de prisão em aberto, a quadrilha é notória pelo uso de extrema violência em suas abordagens.

Os integrantes costumam utilizar fuzis calibre 5.56, pistolas, coletes à prova de balas e toucas para dificultar a identificação. Além dos roubos, o grupo está envolvido em disputas territoriais e no financiamento de outras atividades da facção. Vídeos de suas ações frequentemente circulam em aplicativos de mensagens, expondo o modus operandi e a audácia dos criminosos.

As principais áreas de atuação da quadrilha incluem bairros da Zona Sul, o Centro da cidade, a Tijuca e a região da Praça da Bandeira. A atuação do grupo impacta diretamente os índices de criminalidade nessas localidades, mesmo em cenários de queda geral nos registros estaduais.

A emboscada contra o goleiro do Flamengo

O ataque ao goleiro Agustín Rossi ocorreu na Linha Amarela, uma das principais vias expressas do Rio, na altura de Bonsucesso. A delegação do Flamengo havia acabado de desembarcar de uma viagem da Argentina, onde o time jogou pela Copa Libertadores. Criminosos em outro veículo bloquearam a passagem do comboio e efetuaram ao menos quatro disparos contra o carro blindado do atleta.

Graças à blindagem do veículo, Rossi, sua esposa e a filha do casal saíram ilesos do ataque. Outros jogadores que estavam no mesmo comboio, em carros diferentes, não foram alvos da ação e conseguiram escapar sem ferimentos. O episódio gerou grande repercussão e mobilizou o clube a pedir um reforço na segurança para seus atletas.

Outros crimes atribuídos ao grupo criminoso

As investigações conectam o “Bonde do Loirinho” a uma série de outros crimes de grande repercussão ocorridos nas últimas semanas. Um dos casos mais notórios foi um assalto em frente ao Aeroporto Santos Dumont, onde turistas foram rendidos com o uso de fuzis. Na ocasião, uma adolescente teve seu celular roubado sob forte ameaça.

Outra linha de atuação do grupo envolve ataques a estabelecimentos comerciais. Postos de combustíveis na região da Praça da Bandeira foram alvos de assaltos sequenciais, sempre com o uso de armas de grosso calibre. A quadrilha costumava agir em horários de grande movimento para maximizar o número de vítimas e o valor subtraído.

A Polícia Civil aponta que Vinícius, o suspeito morto na operação, estava diretamente envolvido em pelo menos dez inquéritos que apuram esses roubos. A estratégia da quadrilha era diversificar os alvos para dificultar o rastreamento policial e garantir um fluxo contínuo de recursos para a facção.

As autoridades reforçam que o combate a esses grupos é fundamental, pois os lucros obtidos com roubos de rua e de veículos são diretamente revertidos para a compra de mais armamento e para o financiamento de confrontos por territórios.

Arsenal de guerra apreendido na ação

Durante o confronto que resultou na morte do suspeito, os agentes da Polícia Civil apreenderam um significativo arsenal que estava em posse do criminoso. Foram recuperados um fuzil calibre 5.56, uma pistola calibre 9 mm, uma granada e um colete balístico. O material bélico confirma o alto poder de fogo da quadrilha e o nível de periculosidade de seus integrantes. O bloqueador de GPS também foi apreendido e será periciado para identificar sua origem e uso em outros crimes. O Toyota Corolla, que servia como base móvel para as operações, passará por perícia em busca de impressões digitais e outros vestígios que possam levar à identificação de mais membros do grupo. A Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), que lidera as investigações, trabalha em conjunto com outras unidades, como a Draco-IE e a 22ª DP (Penha), para cruzar informações e conectar as armas apreendidas a outras ocorrências criminais.

Avanços na repressão a roubos

A Operação Torniquete representa um esforço contínuo e integrado da Polícia Civil para combater o roubo de veículos no estado. Fases anteriores da operação já resultaram na prisão de receptadores e na desarticulação de esquemas de clonagem e desmanche. Dados da Secretaria de Segurança Pública apontam uma redução de 15% nos índices de roubo e furto de veículos nas áreas onde a força-tarefa tem atuado de forma mais intensa. A estratégia inclui não apenas ações ostensivas, mas também um forte componente de inteligência, com análise de imagens de câmeras de segurança e o uso de canais de denúncias anônimas para mapear a movimentação das quadrilhas. As investigações prosseguem com o objetivo principal de localizar e prender o líder do grupo, “Loirinho”, e outros integrantes que ainda estão foragidos.

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