Diretor de Final Fantasy VII Rebirth explica que a abundância de minigames foi uma escolha calculada

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Cloud (Takahiro Sakurai) distribui a mão vencedora em Queen's Blood em Final Fantasy VII Rebirth (2023), Square Enix Foto: Cloud (Takahiro Sakurai) distribui a mão vencedora em Queen's Blood em Final Fantasy VII Rebirth (2023), Square Enix

A grande quantidade e, por vezes, a obrigatoriedade dos minigames em Final Fantasy VII Rebirth não foram um acaso, mas uma decisão de design deliberada. Naoki Hamaguchi, diretor do aclamado jogo lançado em 2024, revelou que a inclusão massiva dessas atividades secundárias foi uma estratégia calculada para manter a experiência do jogador dinâmica e evitar a monotonia ao longo da extensa campanha.

A declaração de Hamaguchi surge como resposta aos debates na comunidade de jogadores, onde a frequência das atividades paralelas gerou discussões. O diretor defende que a diversidade de mecânicas oferecida pelos minigames é crucial para quebrar o ritmo da narrativa principal, combatendo o potencial tédio e estimulando a exploração contínua do vasto mundo do jogo.

Com a trilogia de remakes se encaminhando para sua conclusão, a filosofia de design parece consolidada. Hamaguchi já adiantou que o capítulo final seguirá uma abordagem semelhante, prometendo expandir ainda mais o conteúdo secundário e a variedade de atividades, garantindo que a jornada final de Cloud Strife e seus companheiros seja tão rica em diversão quanto em drama.

A filosofia para combater a monotonia

Naoki Hamaguchi detalhou que a principal motivação por trás da proliferação de minigames foi a de garantir um ritmo de jogo que não se tornasse previsível ou cansativo. Em uma jornada que pode facilmente ultrapassar dezenas de horas, focar exclusivamente na progressão da história principal poderia levar a um esgotamento do interesse do jogador. A equipe de desenvolvimento da Square Enix identificou esse risco e utilizou as atividades secundárias como uma ferramenta para injetar constantemente novas experiências, quebrando a linearidade e mantendo o engajamento em alta. A ideia central era criar picos de interesse através de desafios distintos, que vão desde simples jogos de habilidade até sistemas complexos como o jogo de cartas. Esses momentos servem como uma pausa na tensão narrativa, permitindo que os jogadores respirem e explorem outras facetas do universo de Gaia, o que, segundo o diretor, enriquece a imersão e fortalece a conexão do jogador com o mundo e seus personagens. Essa abordagem multifacetada busca atender a diferentes perfis de jogadores, oferecendo tanto uma história épica quanto um playground de atividades diversas.

O legado de Gold Saucer e a modernização

A tradição de incluir uma vasta gama de minigames é uma herança direta do Final Fantasy VII original de 1997. Aquele título já era famoso por seu icônico Gold Saucer, um parque de diversões que oferecia desde corridas de Chocobo e batalhas de moto até jogos de arcade, estabelecendo um padrão para o conteúdo secundário na indústria. Essa base histórica foi fundamental para a concepção de Rebirth, que não apenas buscou replicar essa sensação, mas também expandi-la de forma significativa.

A equipe de desenvolvimento modernizou essa abordagem, integrando os minigames de forma mais orgânica ao fluxo da narrativa e às diferentes regiões do mapa. A intenção foi garantir que cada atividade parecesse parte do mundo, e não apenas uma distração isolada. O resultado é uma experiência que honra a nostalgia do original ao mesmo tempo que se adapta às expectativas dos jogadores contemporâneos, que buscam mundos mais interativos e repletos de conteúdo significativo.

Um universo de atividades secundárias

Final Fantasy VII Rebirth apresenta uma quantidade impressionante de minigames, muitos dos quais são introduzidos de forma contínua e, em alguns casos, obrigatória para o avanço na história. Essa decisão de design garante que todos os jogadores experimentem a diversidade de mecânicas propostas pela equipe de desenvolvimento.

Entre as atividades mais notáveis está o complexo e viciante jogo de cartas “Sangue da Rainha” (Queen’s Blood), que possui sua própria linha de missões e adversários espalhados por todo o mapa. O jogo se tornou um dos favoritos dos fãs, elogiado por sua profundidade estratégica.

Outros exemplos incluem tarefas mais leves e divertidas, como atrair galinhas para um curral usando uma lata de ração, desafios de ritmo no piano para obter novas matérias, e as inúmeras atrações da Praça das Maravilhas, a versão repaginada do Golden Saucer.

A variedade se estende a mecânicas de combate únicas, como as simulações de Fort Condor e os desafios de combate com regras especiais. Cada minigame foi projetado com sua própria jogabilidade, oferecendo uma ruptura clara com a exploração e as batalhas do jogo principal, reforçando a visão do diretor de manter a experiência sempre fresca.

Planos ambiciosos para a parte final da trilogia

O diretor Naoki Hamaguchi já confirmou que a abordagem de design focada em minigames será mantida e até mesmo expandida no terceiro e último jogo da trilogia de remakes. Em entrevistas, ele assegurou aos fãs que a equipe de desenvolvimento está ciente da popularidade de certas atividades e planeja aprimorá-las.

Um dos focos principais para a sequência será o “Queen’s Blood”. Hamaguchi expressou o desejo de criar uma versão “mais poderosa” e evoluída do jogo de cartas, sugerindo novas regras, cartas e desafios que aprofundarão ainda mais a experiência para os entusiastas da modalidade.

Essa confirmação indica que o conteúdo secundário continuará sendo um pilar fundamental da experiência Final Fantasy VII. A promessa é de que o capítulo final não apenas concluirá a saga de Cloud, mas também oferecerá o ápice da interatividade e da diversão paralela vista até agora.

A promessa do retorno do snowboard

Entre as confirmações mais celebradas para o próximo jogo está o retorno do minigame de snowboard, uma das atividades mais icônicas e queridas do título original de 1997. O anúncio feito por Hamaguchi gerou grande entusiasmo na comunidade, que aguardava ansiosamente pela reintrodução deste clássico.

O diretor fez questão de ressaltar que não se tratará de uma simples recriação. A nova versão do snowboard será cuidadosamente integrada à narrativa principal, buscando dar um propósito maior à atividade, transformando-a em uma parte memorável da jornada, e não apenas um desvio opcional.

Recepção da comunidade e o caminho a seguir

A recepção aos minigames em Final Fantasy VII Rebirth foi mista, refletindo a diversidade da base de fãs. Enquanto muitos jogadores elogiaram a variedade e o frescor que as atividades trouxeram à jogabilidade, outros expressaram frustração com a obrigatoriedade de alguns deles, preferindo focar exclusivamente na história principal.

Apesar das opiniões divergentes, a Square Enix e o diretor Naoki Hamaguchi permanecem firmes em sua visão criativa. A filosofia de que um fluxo constante de novas experiências enriquece o jogo como um todo foi reforçada pela confirmação de que o próximo título seguirá o mesmo caminho, expandindo ainda mais este aspecto.

Disponibilidade e plataforma

Final Fantasy VII Rebirth foi lançado oficialmente em 29 de fevereiro de 2024, exclusivamente para o console PlayStation 5. O jogo continua a saga iniciada em Final Fantasy VII Remake, consolidando a nova abordagem da Square Enix para um de seus maiores clássicos e preparando o terreno para a conclusão épica da trilogia.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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