Final Fantasy VII Rebirth: diretor explica como os minigames foram calculados para combater a monotonia

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Cloud (Takahiro Sakurai) distribui a mão vencedora em Queen's Blood em Final Fantasy VII Rebirth (2023), Square Enix Foto: Cloud (Takahiro Sakurai) distribui a mão vencedora em Queen's Blood em Final Fantasy VII Rebirth (2023), Square Enix

A grande quantidade de minigames presente em Final Fantasy VII Rebirth não é um elemento casual, mas uma decisão de design “calculada” para enriquecer a experiência do jogador. A afirmação vem de Naoki Hamaguchi, diretor do aclamado jogo, que abordou publicamente as discussões sobre a frequência e a obrigatoriedade de certas atividades secundárias que permeiam a jornada de Cloud Strife.

A justificativa do diretor surge em resposta ao debate na comunidade de fãs, onde alguns jogadores questionaram a inserção contínua de novas mecânicas. Hamaguchi defende que essa variedade é essencial para quebrar a previsibilidade da narrativa principal, combatendo o tédio e mantendo o ritmo de um jogo com dezenas de horas de duração.

Com a trilogia de remakes se encaminhando para sua conclusão, a equipe de desenvolvimento já sinaliza que essa filosofia será mantida. Foi confirmado que o capítulo final da saga seguirá a mesma linha, expandindo o conteúdo paralelo e garantindo que os jogadores tenham uma gama diversificada de atividades para explorar além da história central.

Uma decisão de design para manter o engajamento

Em um RPG de longa duração como Final Fantasy VII Rebirth, manter o interesse do jogador é um dos maiores desafios para os desenvolvedores. Segundo Naoki Hamaguchi, a progressão linear focada exclusivamente na história pode, com o tempo, tornar-se monótona e previsível, levando a um esgotamento natural. A inclusão estratégica de minigames foi a solução encontrada para injetar momentos de novidade e quebrar essa monotonia. O objetivo central é oferecer uma diversidade de experiências que renovam o engajamento e garantem que a jornada se mantenha fresca e surpreendente do início ao fim. Cada minigame funciona como um ponto de respiro, uma pausa na tensão da trama principal, permitindo que os jogadores explorem diferentes facetas do mundo e interajam com ele de maneiras inesperadas, o que aprofunda a imersão e fortalece a conexão com o universo do jogo.

A vasta gama de atividades em Rebirth

A diversidade de minigames em Rebirth é notável, abrangendo desde tarefas simples e cômicas até sistemas de jogo complexos e profundos. Atividades como o jogo de cartas estratégico “Queen’s Blood” tornaram-se um fenômeno entre os jogadores, oferecendo uma camada de desafio completamente distinta do sistema de combate principal.

Outros exemplos incluem tocar piano, capturar galinhas para um fazendeiro, participar de desfiles militares em Junon e até mesmo um protótipo de jogo de estratégia em tempo real em Fort Condor. Cada uma dessas atividades possui mecânicas próprias e foi projetada para oferecer uma experiência única.

Muitos desses minigames são integrados diretamente à progressão da história, exigindo que o jogador os complete para avançar. Essa abordagem garante que todos experimentem a variedade proposta pela equipe de desenvolvimento.

O icônico Gold Saucer, agora rebatizado de Praça das Maravilhas, serve como um grande centro para essas atividades, concentrando corridas de Chocobos, batalhas virtuais e uma série de outros desafios que recompensam os jogadores com prêmios exclusivos.

O legado do Final Fantasy VII original

A tradição de incluir uma rica seleção de minigames é uma herança direta do Final Fantasy VII de 1997. O jogo original já era conhecido por sua impressionante variedade de conteúdo secundário, que se tornou uma parte fundamental de sua identidade e contribuiu para seu status lendário na história dos videogames. Atividades como as corridas de Chocobo no Gold Saucer, o minigame de snowboard na Grande Geleira e as batalhas de submarino se tornaram momentos icônicos e memoráveis para uma geração inteira de jogadores.

Ao desenvolver Rebirth, a equipe da Square Enix buscou honrar esse legado, não apenas recriando essas atividades clássicas, mas também expandindo-as e modernizando-as para as expectativas do público atual. A decisão de manter e ampliar a presença dos minigames reflete um compromisso em preservar a essência do título original, garantindo que a experiência do remake seja tão rica e multifacetada quanto a do clássico, ao mesmo tempo em que introduz novidades para surpreender tanto os veteranos quanto os novos fãs da franquia.

Reações da comunidade e a visão do estúdio

A recepção à abundância de minigames em Final Fantasy VII Rebirth tem sido mista, gerando intensos debates online. Parte da comunidade de jogadores elogia a diversidade, afirmando que as atividades secundárias trazem um frescor bem-vindo e tornam o mundo do jogo mais vivo e interativo.

Por outro lado, um segmento de jogadores expressou frustração, especialmente com os minigames obrigatórios, argumentando que eles quebram o ritmo da narrativa principal e desviam o foco da história. Críticas pontuais foram direcionadas a desafios considerados excessivamente difíceis ou mal implementados.

Apesar das opiniões divergentes, Naoki Hamaguchi e a Square Enix mantêm a convicção de que essa abordagem é benéfica para a experiência geral. A filosofia é que um jogo dessa escala deve oferecer diferentes tipos de conteúdo para atender a variados perfis de jogadores, permitindo que cada um encontre seu próprio equilíbrio entre a campanha principal e as distrações opcionais.

O que esperar do capítulo final da trilogia

Olhando para o futuro, Hamaguchi já confirmou que o terceiro e último jogo da trilogia de remakes de Final Fantasy VII seguirá a mesma filosofia de design. Os fãs podem esperar não apenas o retorno de atividades conhecidas, mas também a introdução de novos minigames que complementarão a conclusão da saga.

Um dos pontos mais destacados pelo diretor foi o futuro do “Queen’s Blood”. O popular jogo de cartas, introduzido em Rebirth, será expandido e receberá uma versão “mais poderosa” no próximo título, prometendo novas regras, cartas e desafios para os entusiastas da estratégia.

A volta de um clássico aguardado

Entre as confirmações para o capítulo final, uma das mais celebradas pelos fãs foi o retorno do minigame de snowboard. Essa atividade, um dos momentos mais memoráveis do jogo original, será reintroduzida na conclusão da trilogia, mas com uma nova abordagem.

Hamaguchi garantiu que não se tratará de uma simples recriação. O plano é integrar o snowboard de forma mais significativa à narrativa, transformando-o em mais do que uma mera distração e conectando-o tematicamente aos eventos da história, de forma a enriquecer a jornada final de Cloud.

O caminho até a conclusão da saga

Final Fantasy VII Rebirth, lançado em fevereiro de 2024 para PlayStation 5, solidificou a visão da Square Enix para esta ambiciosa releitura de um clássico. Com a promessa de que a diversidade de conteúdo continuará sendo um pilar no próximo jogo, a expectativa para o encerramento da trilogia atinge novos patamares, com os jogadores ansiosos para descobrir como a jornada épica de Cloud e seus companheiros chegará ao fim.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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