Sam Darnold enfrenta prejuízo de US$ 71 mil após vencer Super Bowl LX devido a impostos

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Sam Darnold Foto: Sam Darnold - Ringo Chiu/ shutterstock.com

O quarterback Sam Darnold, do Seattle Seahawks, viveu um paradoxo financeiro após conquistar o Super Bowl LX no último domingo, em Santa Clara. Embora tenha garantido o título inédito em sua carreira, o atleta enfrenta um prejuízo líquido em relação ao prêmio direto pago pela NFL devido à rigorosa legislação tributária da Califórnia. O evento, realizado no Levi’s Stadium, expôs os efeitos do chamado “jock tax” sobre jogadores com altos salários que atuam temporariamente no estado.

A vitória sobre o New England Patriots rendeu a cada jogador do elenco vencedor a quantia de US$ 178 mil como bônus oficial da liga pelo título. No entanto, projeções financeiras indicam que Darnold deverá pagar aproximadamente US$ 249 mil em impostos estaduais ao governo californiano. Essa diferença resulta em um saldo negativo de cerca de US$ 71 mil apenas na contabilização direta entre o prêmio recebido e o tributo gerado pela sua presença no estado.

A dinâmica tributária da Califórnia é conhecida por ser uma das mais agressivas dos Estados Unidos, especialmente para profissionais do esporte e entretenimento. Os principais pontos que explicam essa cobrança incluem:

  • Aplicação da alíquota máxima de imposto de renda estadual, que atinge 13,3% para as faixas de rendimento mais elevadas.
  • Cálculo baseado no conceito de “duty days”, que contabiliza todos os dias de treino, coletivas e jogos realizados no território.
  • Taxação proporcional sobre o salário anual total do atleta, e não apenas sobre o bônus recebido pela partida específica.
  • Exigência de declaração para qualquer profissional não residente que exerça atividades remuneradas temporárias no estado.

Funcionamento técnico do jock tax na NFL

O sistema tributário norte-americano permite que estados e cidades cobrem impostos de atletas visitantes com base no tempo de permanência para o trabalho. No caso de Sam Darnold, a delegação do Seattle Seahawks chegou à Califórnia no dia 1º de fevereiro, permanecendo em atividade até o dia 8, data da grande final. Esses oito dias de trabalho servem como base para o cálculo de uma fatia de seu salário anual de US$ 33 milhões, que é então tributada pela Califórnia.

Diferente de um bônus isolado, o fisco estadual entende que uma parte do contrato milionário do jogador foi “gerada” enquanto ele estava sob sua jurisdição. Como Darnold possui um dos maiores salários da liga para a posição, o montante proporcional sobre sua renda anual ultrapassa facilmente o valor fixo de US$ 178 mil oferecido pela NFL aos campeões. Jogadores com salários menores não sofrem o mesmo impacto negativo, pois o imposto proporcional não chega a superar o valor da premiação.

Impacto comparativo entre os times finalistas

A situação não é exclusiva dos vencedores, afetando também os jogadores do New England Patriots, que receberam US$ 103 mil pela participação na final. Atletas da equipe derrotada que possuem contratos vultosos também enfrentarão cobranças que podem superar o valor bruto recebido da liga. O quarterback Drake Maye, dos Patriots, deve ter uma retenção menor por estar em um contrato de calouro com valores anuais inferiores aos de Darnold.

Estimativas apontam que o prejuízo de Darnold só é mitigado por cláusulas de desempenho específicas em seu contrato com os Seahawks. O jogador possui bônus de incentivo por metas alcançadas que podem chegar a US$ 2,5 milhões pela conquista do troféu Vince Lombardi. Esses valores são pagos diretamente pela franquia de Seattle e não entram no cálculo imediato do bônus de jogo da NFL, garantindo que o saldo final do ano permaneça amplamente positivo.

Calendário futuro e repetição do cenário

A preocupação com a malha fina da Califórnia deve persistir entre os jogadores da NFL para as próximas temporadas competitivas. O Super Bowl LXI, programado para fevereiro de 2027, será realizado novamente em solo californiano, desta vez no SoFi Stadium, em Los Angeles. Isso significa que os atletas que chegarem à decisão no próximo ano enfrentarão exatamente a mesma estrutura de alíquotas de 13,3% sobre seus rendimentos proporcionais.

O Levi’s Stadium, palco do prejuízo fiscal de Darnold, voltará a ser centro das atenções mundiais também em outros eventos de grande porte em breve. A região de Santa Clara e a Bay Area estão integradas ao cronograma da Copa do Mundo de 2026 e dos Jogos Olímpicos de 2028. Essas competições atraem centenas de atletas de elite que estarão sujeitos às mesmas normas de arrecadação do estado, independentemente da nacionalidade ou do tempo de permanência.

Diferenças tributárias entre os estados norte-americanos

A localização da final do Super Bowl é um fator determinante para o que os jogadores efetivamente levam para casa após o apito final. Em anos anteriores, quando a decisão foi realizada em estados como Nevada ou Flórida, os atletas puderam reter uma parcela muito maior de seus bônus. Isso ocorre porque essas regiões não possuem imposto de renda estadual, limitando a tributação apenas ao nível federal, que é padrão para todos.

Especialistas em finanças esportivas destacam que a Califórnia arrecada milhões de dólares apenas com a semana do Super Bowl através dessa taxação direta sobre as folhas de pagamento. Para um jogador como Sam Darnold, trabalhar oito dias no “Golden State” custa caro, transformando o bônus de campeão em uma dívida tributária automática. A situação levanta debates recorrentes na associação de jogadores sobre a escolha das sedes e o impacto financeiro real para os protagonistas do espetáculo.

O peso do salário-base na conta final

O cálculo da Califórnia utiliza o salário-base de 2025 de Darnold, estimado em US$ 5,3 milhões, somado aos bônus de assinatura e outras compensações anuais. Ao dividir o salário total pelo número de dias úteis da temporada, o fisco chega ao valor de cada “dia de trabalho”. Multiplicando esse valor pelos oito dias passados em Santa Clara, obtém-se a base de cálculo sobre a qual incide a porcentagem de 13,3%.

Logística e obrigações fiscais dos atletas

Jogadores de futebol americano profissional precisam manter uma equipe contábil robusta para lidar com múltiplas declarações de impostos estaduais anualmente. Como a temporada regular envolve viagens para diversas cidades, um atleta pode ter que prestar contas em até dez estados diferentes em um único ano. A complexidade aumenta no Super Bowl, onde a exposição midiática e os valores envolvidos garantem que nenhuma obrigação fiscal passe despercebida pelos auditores estaduais.

As obrigações fiscais são processadas logo após o encerramento do ano fiscal, exigindo que os jogadores reservem fatias consideráveis de seus prêmios para quitação imediata. Muitos atletas optam por residir em estados com isenção tributária, como Texas ou Washington, para tentar equilibrar a carga tributária anual. No caso de Darnold, que defende os Seahawks em Seattle, a ausência de imposto estadual em Washington ajuda a compensar as perdas ocorridas durante a viagem para a Califórnia.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

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