O neurologista Felipe Zecchini Muniz, de 42 anos, vive em Águas de Lindóia, no interior de São Paulo, ao lado de Suzane Louise Magnani Muniz. A mudança para o município ocorreu após a aprovação do médico em um concurso público para atuar no Hospital São Camilo. O casal oficializou a união em dezembro de 2023, depois de iniciar o relacionamento pelas redes sociais enquanto ela cumpria pena no regime semiaberto, e teve um filho em janeiro de 2024.
Condenada pelo assassinato dos pais em 2002, Suzane cumpriu 20 anos de prisão e progrediu para o regime aberto ao longo de 2023. Desde então, a família adota medidas para preservar a intimidade e já trocou de endereço diversas vezes a fim de evitar a exposição pública.
O filho do casal nasceu nas dependências do Hospital Albert Sabin, localizado em Atibaia, mediante uma autorização judicial concedida para o deslocamento de Suzane. A criança recebeu o mesmo prenome do pai, Felipe, e foi registrada somente com os sobrenomes Magnani e Muniz, escolha adotada pelos pais para proteger a identidade do menino.
Além do bebê, o núcleo familiar abrange três filhas de um relacionamento anterior do neurologista. As meninas têm idades registradas de 9, 14 e 15 anos e moram com o pai e a madrasta.
Carreira médica na USP, Unicamp e ingresso no Hospital São Camilo
A trajetória acadêmica de Felipe Zecchini Muniz inclui a graduação em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP) e a residência médica com especialização em neurologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O profissional trabalhou em clínicas privadas até o ano de 2025, período em que tomou posse no cargo público municipal em Águas de Lindóia.
A vaga conquistada por concurso garante remuneração integral vinculada ao regime de dedicação exclusiva na unidade de saúde. Na rotina do Hospital São Camilo, o especialista cumpre agenda fixa de consultas com moradores da região e concentra as atividades no atendimento ambulatorial.
Antes de se separar no ano de 2019, o neurologista compartilhava a rotina familiar com a ex-companheira Silvia Constantino Franco, que também exerce a medicina. Na ocasião do término, a Justiça concedeu a guarda unilateral das três filhas ao pai e estabeleceu o pagamento de uma pensão alimentícia no valor mensal de R$ 5.500.
Ação judicial movida pela ex-mulher e regras de convivência familiar
O envolvimento amoroso do médico com Suzane motivou a abertura de um processo judicial por parte de Silvia Constantino Franco em setembro de 2023. A mãe das adolescentes pediu a reversão da guarda sob o argumento de proteger as filhas, logo após tomar conhecimento do namoro do ex-marido pela internet.
Na mesma petição, a médica requereu uma tutela de urgência para interromper de forma imediata a convivência das jovens com o casal. O juízo responsável negou o pedido liminar e apontou a falta de provas que indicassem perigo iminente para a integridade das menores.
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A ação tramita sob segredo de justiça e contou com a realização de perícias psicológicas estendidas até novembro de 2025, tendo como diretriz a manutenção da estabilidade das três filhas na residência paterna. Os laudos da avaliação técnica apontaram que as meninas tiveram uma adaptação positiva à nova configuração da casa.
De acordo com informações anexadas ao contexto familiar, as jovens estão matriculadas em uma escola da própria cidade e frequentam atividades extracurriculares sem quebras na rotina escolar. Pelo acordo homologado na Justiça em 2024, a mãe biológica realiza visitas a cada 15 dias, enquanto Muniz manteve os depósitos integrais da pensão para impedir bloqueios ou sanções por inadimplência.
No dia a dia, o casal recusa entrevistas ou contato com veículos de imprensa. Moradores da estância hidromineral apontam uma convivência discreta da família nos espaços públicos locais.
Três mudanças de endereço no interior e divisão das tarefas em casa
Em busca de discrição no interior do estado, o médico e a mulher trocaram de cidade três vezes a partir de 2023. O primeiro imóvel ficava em Angatuba, onde permaneceram por poucos meses antes da transferência para Bragança Paulista, município no qual Suzane retomou os estudos universitários.
A instalação definitiva em Águas de Lindóia foi concretizada em 2025 para acompanhar o posto de trabalho do neurologista no hospital local. A residência escolhida fica em um bairro estritamente residencial e dispõe de quartos para acomodar os quatro filhos, além de uma área reservada para o trabalho remoto de Suzane.
Nos momentos de folga, o grupo costuma visitar cachoeiras situadas na Serra da Mantiqueira e fazer compras diretamente no comércio do município. A organização da casa é dividida por turnos: o marido cumpre o expediente de consultas médicas pela manhã e a mulher assume os cuidados domésticos e infantis no período da tarde.
Para auxiliar no convívio doméstico e fortalecer o diálogo com as três enteadas, os integrantes da casa participam de sessões mensais de terapia familiar. O acompanhamento foca na manutenção de uma comunicação direta entre os adultos e as adolescentes.
Graduação presencial em Direito e comércio eletrônico de itens infantis
A retomada da vida acadêmica de Suzane Louise Magnani Muniz ocorreu na Universidade São Francisco, no campus de Bragança Paulista, onde ingressou no curso de Direito utilizando o desempenho obtido no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2023. Ela havia interrompido a mesma graduação no ano de 2002, época da prisão.
Para conciliar a faculdade com o orçamento doméstico e a criação do filho menor, a rotina de estudos e o trabalho autônomo dela seguem parâmetros específicos:
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- Mensalidade universitária: o valor integral do curso é de R$ 1.220 por mês, mas a aluna conta com abatimentos que chegam a até 50% na fatura.
- Frequência nas aulas: o registro é na modalidade presencial, com encontros três vezes por semana ajustados ao horário da creche do filho e apoio de acervo digital da biblioteca para leitura em casa.
- Faturamento do ateliê: a loja virtual de acessórios infantis personalizados, aberta em 2024, registra receita média de R$ 5.000 mensais.
- Capacidade de produção: o estoque começou com 50 peças e passou para 120 itens em 2025, somando parcerias com artesãs da região que respondem por 20% das transações comerciais.
No início do semestre letivo, a estudante faltou às primeiras aulas presenciais para escapar da dinâmica de apresentação pessoal diante da turma, mas colegas relataram presença constante a partir da segunda semana. O objetivo declarado na escolha do curso é atuar no ramo jurídico com foco na área de direitos humanos.
Na frente comercial, ela própria confecciona os bordados em mochilas e roupas temáticas dentro do ateliê montado em casa e despacha as encomendas para compradores de outros estados por meio dos Correios. A divulgação dos produtos ocorre em grupos de mães nas redes sociais, e o lucro obtido reforça o caixa da residência para o custeio escolar das crianças.
Tentativa de reconciliação com Andreas e estreia da minissérie no streaming
Na esfera familiar externa, Suzane esteve na capital paulista em setembro de 2025 para procurar o irmão, Andreas von Richthofen, e apresentar o filho recém-nascido a ele. O deslocamento até a residência monitorada teve aval prévio da Justiça, conforme exigem as regras do cumprimento de pena em regime aberto.
A conversa, solicitada por ela com o intuito de promover uma reconciliação, durou menos de uma hora e foi encerrada sem entendimento entre as partes. Andreas administra o patrimônio herdado da família, avaliado em R$ 10 milhões, montante que acabou absorvido por dívidas e ações judiciais ainda em aberto.
Os entraves jurídicos entre os dois envolvem a partilha das propriedades e disputas antigas sobre o inventário dos pais. Embora Suzane tenha manifestado a intenção de retomar o diálogo no futuro, nenhuma nova data foi agendada, e o irmão, que vive de maneira isolada, declarou não manter convívio com ela em razão de divergências irreconciliáveis.
Pouco depois desse encontro, em 31 de outubro de 2025, a plataforma Prime Video lançou a minissérie Tremembé, obra baseada nos livros do jornalista Ullisses Campbell e protagonizada pela atriz Marina Ruy Barbosa. Os episódios reconstroem os 20 anos de reclusão de Suzane e mostram a convivência na penitenciária com outras internas, entre elas Elize Matsunaga.
A produção superou a marca de 1 milhão de visualizações nas primeiras 24 horas no ar e impulsionou 800 mil pesquisas mensais na internet com palavras ligadas ao crime de 2002. O roteiro se limita ao período de reabilitação dentro do presídio, sem retratar a rotina atual em liberdade, e o núcleo familiar de Águas de Lindóia manteve as contas fechadas nas redes sociais, sem emitir declarações sobre a obra.

