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Uma detecção sem precedentes realizada por observatórios espaciais identificou um fenômeno energético que permaneceu ativo por cerca de 25 mil segundos. O evento, catalogado oficialmente como GRB 250702B, ocorreu em meados de 2025 e superou todas as marcas anteriores registradas para surtos de raios gama, que costumam durar apenas alguns minutos ou frações de segundo. A comunidade científica classifica a descoberta como um marco no estudo de transientes cósmicos.

A análise dos dados, captados por uma rede global de cinco telescópios especializados, revelou emissões contínuas divididas em três fases distintas, todas provenientes da mesma coordenada celeste. Essa persistência temporal é considerada uma anomalia na astrofísica de altas energias, desafiando os modelos teóricos vigentes que descrevem o comportamento de explosões estelares convencionais.

Noite estrelada, estrela no espaço
Noite estrelada, estrela no espaço – Foto: Mr.SunThree/ Shutterstock.com

O monitoramento em tempo real permitiu que alertas fossem enviados rapidamente para instrumentos terrestres e espaciais, garantindo uma cobertura detalhada do espectro de radiação. A confirmação independente por múltiplos equipamentos eliminou a possibilidade de falhas técnicas, validando a existência de um processo físico prolongado e extremamente violento ocorrendo no espaço profundo.

Detalhes e características do fenômeno

Embora a intensidade da radiação tenha sido extremamente alta, o brilho relativo do evento foi menor do que o observado em surtos clássicos de longa duração. A natureza pulsante do sinal sugere um mecanismo complexo, diferindo radicalmente das explosões rápidas típicas de colapsos de núcleos estelares massivos ou fusões de objetos compactos tradicionais.

Os instrumentos permitiram decompor o espectro da radiação, identificando variações temporais que ajudaram a classificar o evento como um caso único. As principais particularidades observadas pelos astrônomos incluem:

  • Duração total do sinal estimada em aproximadamente 25 mil segundos;
  • Ocorrência de três picos de explosão sucessivos originados na mesma região;
  • Liberação de energia através de jatos relativísticos potentes;
  • Luminosidade inferior à média dos grandes surtos de raios gama conhecidos.

Hipótese de fusão com estrela de hélio

A explicação mais robusta para justificar a longevidade do sinal envolve uma interação catastrófica em um sistema binário exótico. Pesquisadores indicam que o fenômeno foi causado por um buraco negro de massa estelar orbitando uma estrela companheira rica em hélio, desgastando gradualmente suas camadas externas antes do colapso final.

O momento crítico ocorre quando o buraco negro mergulha no interior da estrela, consumindo o material estelar de forma voraz e gerando o jato de energia observado. A ausência de um envelope de hidrogênio na estrela vítima facilita a propagação desse jato por um período muito mais extenso do que o normal, permitindo que a radiação escape livremente.

Essa transferência de momento angular sustenta o processo de acreção de matéria, o que explica diretamente as três fases de emissão detectadas pelos sensores. O modelo difere substancialmente dos cenários comuns de supernovas, onde a presença de hidrogênio externo costuma abafar ou encurtar a duração dos jatos energéticos, limitando a observação a poucos minutos.

Diferenças para eventos anteriores

Historicamente, os surtos de raios gama são categorizados em curtos ou longos, mas raramente ultrapassam a barreira temporal estabelecida nas últimas décadas. O GRB 250702B não apenas rompeu essa barreira, como estabeleceu um novo patamar de duração, situando-se em uma categoria extremamente rara de eventos estendidos que exigem novas abordagens teóricas.

Comparado ao recorde anterior, que girava em torno de 15 mil segundos, o novo registro demonstra a existência de uma subpopulação de explosões cósmicas ainda pouco compreendida. A ausência de emissões detectáveis em bandas visíveis sugere que o evento ocorreu a uma distância cosmológica elevada, provavelmente a bilhões de anos-luz da Terra.

Impacto na pesquisa astronômica

A confirmação deste evento impulsiona o desenvolvimento de novas simulações numéricas para testar interações complexas em sistemas binários. O estudo detalhado do GRB 250702B fornece pistas valiosas sobre a evolução de estrelas massivas e o comportamento de buracos negros em ambientes densos, servindo como laboratório natural para a física extrema.

Com a entrada em operação de telescópios mais sensíveis e o uso de algoritmos de inteligência artificial para varredura do céu, espera-se que detecções similares se tornem mais frequentes nos próximos anos. Isso permitirá aos astrônomos construir uma estatística robusta sobre a frequência dessas fusões e refinar o entendimento sobre a morte de estrelas no universo.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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