A divisão europeia da Honda oficializou a renovação da XL750 Transalp, apresentada ao público durante o Salão de Milão, consolidando atualizações importantes para o segmento de média cilindrada. O modelo aventureiro passa a contar com o sistema E-Clutch, uma tecnologia de embreagem eletrônica que elimina a necessidade de acionamento do manete esquerdo durante as trocas de marcha, embora mantenha a possibilidade de uso manual conforme a preferência do condutor. A novidade visa ampliar o conforto em trajetos urbanos e facilitar a pilotagem em terrenos acidentados, onde o controle da tração é fundamental.
Inovação na transmissão e conforto
O sistema E-Clutch surge como o principal diferencial competitivo da nova Transalp frente às rivais do mercado global. A tecnologia gerencia eletronicamente o acoplamento e desacoplamento da embreagem, permitindo que o motociclista suba ou desça as marchas apenas utilizando o pedal de câmbio. O sistema atua de forma instantânea, suavizando os trancos comuns em reduções bruscas e evitando que o motor “morra” em baixas rotações, uma característica valiosa para o trânsito pesado das grandes cidades ou passagens técnicas no fora de estrada.
Além da facilidade operacional, a Honda manteve o manete de embreagem convencional, garantindo que puristas ou pilotos em situações específicas possam intervir no sistema a qualquer momento. A integração dessa tecnologia não alterou significativamente o peso do conjunto, mantendo a motocicleta ágil e equilibrada, características que definem a linha desde seu lançamento original na década de 1980.
Aprimoramentos na ciclística e suspensão
Atendendo a uma demanda frequente dos consumidores da versão anterior, a fabricante japonesa implementou melhorias substanciais no conjunto de suspensões da aventureira. Os componentes, fornecidos pela Showa, agora oferecem ajustes completos tanto na dianteira quanto na traseira. O garfo invertido de 43 mm e o amortecedor traseiro com sistema Pro-Link permitem regulagens de pré-carga e retorno, possibilitando que o piloto adapte a moto ao seu peso, presença de garupa ou quantidade de bagagem.
A nova configuração da suspensão impacta diretamente a dinâmica de condução, oferecendo maior estabilidade em rodovias e melhor absorção de impactos em estradas de terra. A geometria do chassi tipo diamante em aço foi mantida, preservando a robustez necessária para o uso misto, enquanto as rodas raiadas — de 21 polegadas na frente e 18 atrás — continuam como padrão, reforçando a aptidão off-road do modelo.
Motorização e pacote tecnológico
No coração da motocicleta, a Honda manteve o motor bicilíndrico paralelo Unicam de 755 cm³, compartilhado com a CB750 Hornet. O propulsor entrega 92 cavalos de potência a 9.500 rpm e um torque de 7,6 kgf.m, números que posicionam a Transalp entre as mais potentes da categoria. A eficiência energética também foi preservada, com consumo médio declarado de 23 km/l, o que projeta uma autonomia próxima de 390 quilômetros graças ao tanque de 16,9 litros.
O pacote eletrônico segue robusto, oferecendo cinco modos de pilotagem distintos: Standard, Sport, Rain, Gravel e User. Cada modo altera a entrega de potência, o freio motor e a intervenção do controle de tração (HSTC) e do ABS, que pode ser desligado na roda traseira para uso na terra. A interface com o piloto é feita através de um painel TFT colorido de 5 polegadas, que oferece conectividade via aplicativo proprietário da marca.
Esteticamente, a renovação trouxe um visual frontal ligeiramente modificado, inspirado na Africa Twin, com um novo conjunto óptico de LED que melhora a iluminação noturna. A cartela de cores foi atualizada para o mercado europeu, incluindo opções como o clássico Ross White Tricolor, o sóbrio Mat Ballistic Black Metallic e o inédito Pearl Deep Mud Gray, conferindo um ar mais moderno e agressivo ao conjunto.
