Infecção rara transmitida por saliva de cão resulta em amputação de membros de mulher na InglaterraPor Luís Henrique Costa
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Um caso médico complexo registrado em Birmingham, na Inglaterra, chamou a atenção de especialistas e da comunidade local após uma mulher de 56 anos sofrer consequências devastadoras devido a uma infecção generalizada. Manjit Sangha, ex-funcionária do setor farmacêutico, teve as duas pernas e as duas mãos amputadas após contrair sepse, quadro que os médicos associaram a uma interação cotidiana com seu animal de estimação. O episódio, que teve início em julho de 2025, destaca os riscos potenciais de bactérias presentes na saliva de animais quando em contato com ferimentos humanos.
A evolução do quadro clínico foi descrita como abrupta e agressiva. Manjit retornou do trabalho sentindo um mal-estar inespecífico, que rapidamente progrediu para uma emergência médica. Em questão de horas, a paciente passou de um estado de consciência plena para uma situação de risco iminente de morte, exigindo intervenção imediata de equipes de socorro.
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O marido da vítima, Kam Sangha, de 60 anos, encontrou a esposa inconsciente no sofá da residência do casal no dia seguinte aos primeiros sintomas. Sinais físicos alarmantes já eram visíveis, incluindo a coloração azulada nos lábios e o resfriamento extremo das extremidades, indicativos de falência circulatória periférica grave.
Evolução rápida dos sintomas e internação
Após o acionamento dos serviços de emergência, Manjit foi transportada para o Hospital New Cross, onde a equipe médica constatou a deterioração acelerada de seus sinais vitais. A gravidade da situação obrigou os especialistas a induzirem o coma imediatamente, visando estabilizar o organismo e permitir o início de terapias intensivas para combater o agente infeccioso que se espalhava pela corrente sanguínea.
Durante o período crítico na Unidade de Terapia Intensiva, a paciente enfrentou instabilidade hemodinâmica severa, sofrendo seis paradas cardíacas. A equipe clínica manteve prognósticos reservados, preparando a família para o pior cenário, dada a agressividade da resposta inflamatória do corpo e o comprometimento de múltiplos órgãos vitais.
Diagnóstico de sepse e vínculo com animal doméstico
A investigação clínica concluiu que Manjit desenvolveu um quadro severo de sepse. Esta condição ocorre quando o sistema imunológico reage de maneira desproporcional a uma infecção, passando a atacar os próprios tecidos e órgãos do corpo. O diagnóstico apontou para uma origem bacteriana externa.
Especialistas identificaram que a porta de entrada para a bactéria foi, provavelmente, um pequeno corte ou arranhão na pele da paciente, que entrou em contato com a saliva de seu cachorro. Bactérias que compõem a flora bucal natural de caninos podem ser inofensivas para os animais, mas potencialmente patogênicas para humanos quando acessam a corrente sanguínea profunda.
O caso serve como um registro clínico importante sobre a necessidade de higienização rigorosa de ferimentos, mesmo os superficiais, especialmente em ambientes onde há convívio próximo com animais domésticos. A transmissão zoonótica, embora rara em gravidade extrema, é um fator de risco considerado na medicina infectológica.
Complicações sistêmicas e necessidade cirúrgica
A permanência do quadro infeccioso desencadeou uma complicação hematológica conhecida como Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD). Nesta condição, formam-se pequenos coágulos sanguíneos em toda a rede vascular, bloqueando o fluxo de sangue e oxigênio para as extremidades e órgãos. Como consequência direta da isquemia prolongada, os tecidos das mãos e pés de Manjit sofreram necrose irreversível. Para preservar a vida da paciente e impedir o avanço da gangrena, a equipe cirúrgica realizou a amputação das duas pernas abaixo do joelho e de ambas as mãos. Adicionalmente, foi necessária a remoção do baço, órgão que também foi comprometido durante o combate à infecção e complicações secundárias como pneumonia.
Processo de reabilitação e adaptação
Após 32 semanas de internação hospitalar, Manjit recebeu alta e iniciou o complexo processo de reintegração ao ambiente doméstico. A nova realidade física impôs desafios significativos de mobilidade e autonomia, exigindo adaptações estruturais na residência e suporte contínuo de familiares para atividades básicas do cotidiano.
A família organizou campanhas para arrecadar fundos destinados à aquisição de próteses de alta tecnologia. O objetivo é obter mãos robóticas funcionais que permitam à paciente recuperar parte da independência perdida, facilitando tarefas que antes eram automáticas e agora representam barreiras diárias.
O plano de recuperação inclui também um cronograma intenso de fisioterapia e acompanhamento psicológico. O suporte à saúde mental tem sido fundamental para auxiliar Manjit a lidar com o luto pela perda dos membros e a adaptação à sua nova condição física e social.
Apesar das limitações físicas severas, a paciente manifestou o desejo de retornar ao mercado de trabalho. A determinação em retomar a rotina profissional é citada por seu marido como um exemplo de resiliência, contrariando as expectativas iniciais de uma recuperação limitada ao ambiente domiciliar.
Busca por autonomia e alerta médico
A experiência de Manjit Sangha transformou-se em um alerta de saúde pública sobre os perigos da sepse e a importância do reconhecimento precoce dos sintomas. A condição é uma emergência médica que exige tratamento rápido para evitar sequelas permanentes ou óbito. Sinais de alerta incluem:
- Febre alta ou hipotermia súbita;
- Confusão mental e dificuldade de fala;
- Dores musculares extremas e falta de ar;
- Pele manchada ou descolorida.
Manjit enfatiza que a gravidade da sepse não deve ser subestimada e que a busca por atendimento médico imediato ao menor sinal de infecção atípica é crucial. Sua trajetória de sobrevivência e adaptação continua sendo monitorada, enquanto ela aguarda a possibilidade de reabilitação com o uso das próteses bicitadas.















