U.S. Postal Service enfrenta colapso financeiro iminente sem auxílio do congresso e deve ficar sem dinheiro

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US Postal - Eric Glenn / Shutterstock.com Foto: US Postal - Eric Glenn / Shutterstock.com

O Serviço Postal dos Estados Unidos (USPS), uma instituição de 250 anos fundamental para a comunicação e economia do país, encontra-se em uma situação fiscal crítica, com a previsão de esgotar seus recursos em menos de um ano se não houver intervenção legislativa. O diretor-geral dos Correios, David Steiner, fez um apelo urgente ao Congresso, alertando para a necessidade de autorizar mais empréstimos e permitir um aumento nas tarifas postais para evitar um colapso operacional.

A agência, que desempenha um papel vital na entrega de correspondências em todo o território americano, revelou prejuízos significativos nos últimos anos fiscais. Em 2024, o prejuízo líquido foi de US$ 9,5 bilhões, enquanto o ano fiscal subsequente registrou uma perda de US$ 9 bilhões. Além disso, o primeiro trimestre de 2026 já acumulou um déficit de US$ 1,3 bilhão, evidenciando a crescente deterioração de suas finanças e a urgência de uma solução.

A conjuntura crítica da instituição

David Steiner, que assumiu a liderança do USPS recentemente e possui experiência no setor privado, especificamente no conselho da FedEx, destacou que a organização está em uma “conjuntura crítica”. Ele enfatizou que, no ritmo atual de perdas, o Serviço Postal não terá mais fundos para operar em aproximadamente doze meses, o que significa que milhões de americanos podem ficar sem acesso aos serviços essenciais de entrega de correspondências. Este cenário sublinha a gravidade da situação e a necessidade de ações rápidas e eficazes.

O declínio contínuo no uso do correio tradicional, impulsionado pela digitalização das comunicações, é apontado como um dos principais fatores para as dificuldades financeiras. E-mails, mensagens de texto e pagamentos online substituíram o envio físico de cartas e cheques, reduzindo drasticamente o volume de correspondências e, consequentemente, a receita do USPS. Este fenômeno global afeta serviços postais em diversas nações, mas no contexto americano, é agravado por regulamentações específicas.

Regulamentações e obrigações de serviço universal

Uma das grandes barreiras financeiras mencionadas por Steiner são as obrigações legais de serviço universal. Por lei, o Serviço Postal é obrigado a fornecer serviços a todos os americanos e a entregar correspondências em cada endereço dos Estados Unidos pelo mesmo preço, independentemente da localização. Isso inclui regiões rurais, remotas ou de difícil acesso, onde os custos de entrega são consideravelmente mais altos, impactando a lucratividade da agência.

Steiner explicou que, embora o USPS possa tecnicamente cumprir qualquer nível de serviço desejado pela população, a questão fundamental é quem arcará com os custos. A manutenção de um serviço abrangente e igualitário para todo o país, sem o devido financiamento, impõe uma carga financeira insustentável. A agência historicamente depende das receitas geradas por suas vendas e, ao contrário de muitos outros departamentos governamentais, não recebe verbas públicas diretas para suas despesas operacionais, embora tenha recebido algum auxílio federal em ocasiões específicas.

Propostas para reverter o déficit

O diretor-geral dos Correios sugeriu que o aumento na autorização de empréstimo do USPS seria um passo crucial, proporcionando tempo para que a agência e o Congresso avaliem o melhor caminho a seguir. Essa medida não apenas estabilizaria as finanças de curto prazo, mas também permitiria uma discussão aprofundada sobre a sustentabilidade de todos os serviços atualmente oferecidos pela agência. Ele defendeu que tal tempo é essencial para uma reestruturação estratégica.

Outra proposta significativa apresentada por Steiner envolve o aumento do preço da postagem. Ele observou que o custo de um selo de primeira classe no USPS é consideravelmente mais baixo em comparação com outras nações industrializadas. Um aumento de 75 centavos para aproximadamente 95 centavos por selo “resolveria em grande parte nosso prejuízo controlável”, de acordo com o diretor-geral, apresentando uma solução direta para parte do problema de receita.

O desafio da privatização e o futuro do serviço

Apesar de ser consistentemente uma das instituições mais bem avaliadas pelo público, conforme dados de 2024 do Pew Research Center, o Serviço Postal tem enfrentado debates sobre sua estrutura e futuro. No passado, figuras políticas sugeriram medidas drásticas, como a dissolução do Conselho de Governadores do USPS e sua colocação sob o controle direto do Departamento de Comércio. Críticos de tais propostas alertam que estas poderiam ser um prelúdio para a privatização.

A privatização do Serviço Postal poderia ter consequências profundas, especialmente para clientes em áreas rurais. Sem a obrigação de serviço universal, empresas privadas poderiam optar por não atender locais de difícil acesso ou cobrariam preços muito mais altos, deixando milhões de americanos sem acesso a entregas essenciais, como medicamentos, cheques e cédulas de votação. A garantia de entrega para todos os endereços americanos, uma característica fundamental do USPS, estaria em risco.

O impasse no congresso

Durante a audiência na Subcomissão de Supervisão de Operações Governamentais da Câmara dos Representantes, a preocupação com o futuro do USPS foi unânime entre os legisladores de ambos os partidos. Contudo, houve divergências quanto à extensão da intervenção do Congresso e às soluções propostas. Enquanto o presidente da subcomissão, o deputado republicano Pete Sessions, do Texas, rejeitou a ideia de um selo de um dólar, ele reconheceu a urgência de evitar o colapso do serviço.

O deputado Kweisi Mfume, de Maryland, o democrata de maior hierarquia na subcomissão, concordou que a falência do Serviço Postal não é uma opção. Ele indicou que abordar o limite de endividamento da agência parece inevitável, embora os detalhes de como isso seria feito ainda precisem ser negociados e definidos. Ambos os legisladores expressaram confiança nos funcionários e na administração do USPS, mas enfatizaram que decisões difíceis precisam ser tomadas para assegurar a continuidade do serviço.

A importância do serviço postal na sociedade americana

A atuação do Serviço Postal dos Estados Unidos vai muito além da simples entrega de cartas e pacotes. Ele representa uma conexão vital para comunidades dispersas, garante o acesso a informações importantes, facilita o comércio eletrônico e desempenha um papel crucial em processos democráticos, como o envio de cédulas eleitorais. A sua capilaridade e confiabilidade são pilares que sustentam uma vasta gama de atividades cotidianas e econômicas no país.

A manutenção da agibilidade do USPS é essencial para pequenos negócios que dependem de remessas eficientes e de baixo custo para alcançar seus clientes em todo o país. Além disso, para idosos e pessoas em áreas isoladas, o serviço postal é frequentemente o único meio de receber correspondências vitais, como contas, medicamentos e benefícios. Um eventual colapso teria ramificações sociais e econômicas de grande alcance, afetando a vida de milhões de cidadãos.

Desafios de modernização e adaptação

Além das pressões financeiras imediatas e das obrigações regulatórias, o Serviço Postal enfrenta o desafio contínuo de modernizar suas operações e adaptar-se a um cenário de comunicação em constante mudança. Investimentos em tecnologia, logística e infraestrutura são cruciais para aumentar a eficiência e reduzir custos a longo prazo. No entanto, a capacidade de realizar tais investimentos é severamente limitada pela atual crise financeira.

Um plano decenal implementado em 2021 pelo antecessor de Steiner visava enfrentar essas dificuldades, mas até o momento, não conseguiu reverter os prejuízos. Isso sugere que as soluções requerem não apenas ajustes operacionais, mas também um apoio legislativo robusto que permita à agência operar de forma mais flexível e sustentável. A complexidade do problema exige uma abordagem multifacetada que combine reformas internas com o suporte do governo federal.

Perspectivas para a negociação no Congresso

A discussão sobre o futuro do USPS no Congresso promete ser complexa, com diferentes visões sobre a melhor forma de proceder. Embora haja consenso sobre a necessidade de preservar o serviço, os detalhes das soluções — como o nível de endividamento permitido, a extensão dos aumentos de tarifas e a possibilidade de reavaliar as obrigações de serviço universal — ainda são pontos de intensa negociação.

A capacidade dos legisladores de encontrar um terreno comum e aprovar medidas eficazes será determinante para o destino do Serviço Postal dos EUA. A decisão final não apenas salvará ou condenará uma das mais antigas instituições americanas, mas também definirá como milhões de cidadãos e empresas continuarão a se comunicar e operar em um futuro próximo. A urgência do prazo de “menos de um ano” adiciona uma pressão considerável para que um acordo seja alcançado prontamente.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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