Claro concretiza compra da Desktop por R$ 4 bilhões, expandindo liderança na banda larga paulistaPor Carolina Costa
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A Claro formalizou a intenção de adquirir a totalidade das ações da Desktop, operadora de banda larga com forte presença no interior paulista, em uma transação avaliada em R$ 4 bilhões. Este montante abrange a dívida líquida da operadora, que soma R$ 1,58 bilhão, resultando em um valor líquido de R$ 2.414.749.380,00 pela operação. A movimentação estratégica da gigante das telecomunicações sinaliza uma consolidação significativa no mercado de internet de alta velocidade, reforçando sua liderança nacional e expandindo sua influência no estado de São Paulo. A avaliação da Claro estima cada um dos 1,2 milhão de usuários da Desktop em aproximadamente R$ 3,3 mil, e cada ação em R$ 20,82, evidenciando o valor percebido no crescimento e na base de clientes da Desktop. O negócio, contudo, ainda aguarda a luz verde de importantes órgãos reguladores.
A concretização do acordo depende fundamentalmente da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômico (Cade) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Uma porção do valor total será retida em uma conta escrow e liberada progressivamente ao longo de cinco anos, sujeita ao cumprimento de condições específicas que podem influenciar o valor final da compra.
Uma vez concluída a operação, a Claro se comprometeu a protocolar junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) um pedido de registro de oferta pública para a aquisição das ações da Desktop. Esta medida visa garantir o direito de tag along aos demais acionistas da Desktop, assegurando que recebam um preço por ação equivalente ou superior ao pago na aquisição do controle, dado que cerca de 27% do capital da Desktop está atualmente negociado em bolsa.
Impacto da aquisição no cenário de mercado
A aquisição da Desktop pela Claro é um movimento que redefine as dinâmicas do mercado de banda larga, especialmente no estado de São Paulo. Com a conclusão desta operação, a Claro, que já detém a liderança em número de assinantes no segmento de banda larga no país, consolidará ainda mais sua posição dominante.
A operadora regional Desktop registrava, conforme levantamento da Anatel em 2025, aproximadamente 1,2 milhão de acessos de banda larga apenas em São Paulo. Ao integrar essa base à sua rede, que já conta com 10,5 milhões de assinantes totais, dos quais 4,52 milhões estão distribuídos pelo território paulista, a Claro passará a somar quase 12 milhões de clientes em todo o país e cerca de 6 milhões somente em São Paulo. Esse crescimento substancial reforça sua capilaridade e capacidade de oferta de serviços de internet de alta qualidade.
Perspectiva regulatória e concorrência
As conversas iniciais entre Claro e Desktop, confirmadas em 2025, geraram uma certa preocupação na agência reguladora quanto a um possível risco concorrencial. A Anatel acompanhou de perto o desenvolvimento dessa negociação, considerando o potencial de concentração de mercado.
No entanto, em declarações mais recentes, o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, expressou que essa concentração e futuras aquisições de provedores de serviços de internet (ISPs) não são motivo de grande alarme. Ele argumenta que a facilidade de entrada para novos competidores no setor de banda larga, especialmente com tecnologias de fibra óptica, mitiga os riscos de oligopólio, permitindo o surgimento contínuo de novas empresas e mantendo a dinâmica competitiva.
Relevância histórica e novos paradigmas
Este negócio representa um marco importante no setor de telecomunicações brasileiro, sendo a primeira aquisição de relevância de uma operadora regional com expressiva presença no mercado de banda larga por uma das três grandes operadoras nacionais de telecomunicações. Desde 2014, período em que as operadoras regionais começaram a ganhar destaque no segmento de fibra óptica, não havia sido observada uma movimentação de consolidação desta magnitude por parte das grandes empresas, embora estudos e análises prévias sobre aquisições já tivessem ocorrido, como a cogitação da Vivo em comprar a Vero e a própria Desktop.
As operadoras regionais, muitas delas controladas por fundos de investimento internacionais, vivenciaram um primeiro ciclo de consolidações, absorvendo pequenos provedores e se transformando em operações de médio porte. Exemplos notáveis incluem a própria Desktop, a Brasil Tecpar, a Alloha e a Vero, além de empresas como a Unifique e a Brisanet, que não estão atreladas a grandes fundos.
Mais recentemente, observou-se um segundo estágio, no qual operadoras de médio porte passaram a adquirir outras com bases de clientes já consolidadas. O movimento atual, com a Claro comprando uma empresa de médio porte como a Desktop, marca a transição para uma nova fase de consolidação, alterando a estrutura do setor de forma significativa e abrindo precedentes para futuras transações.
Estratégia da Claro em foco
A aquisição da Desktop pela Claro não apenas reforça sua liderança, mas também sinaliza a retomada de uma estratégia antiga e bem-sucedida da operadora. Na década de 2010, a Claro foi pioneira em um processo de consolidação, adquirindo diversas operadoras de TV a cabo que já possuíam bases relevantes de clientes de banda larga.
Essa estratégia se mostrou fundamental para a empresa na época, permitindo-lhe consolidar uma posição de destaque e liderança em ambos os mercados: TV por assinatura e internet de banda larga. Ao replicar essa abordagem com a Desktop, a Claro demonstra sua intenção de continuar expandindo seu alcance e fortalecendo sua infraestrutura para atender à crescente demanda por conectividade de alta velocidade.
A transação reflete uma visão estratégica de longo prazo para a Claro, que busca não apenas ampliar sua base de clientes, mas também aprimorar a qualidade de seus serviços e a eficiência de sua operação em regiões-chave. A experiência da Desktop no interior paulista, com sua rede de fibra e conhecimento do mercado local, complementa a estrutura da Claro, prometendo sinergias e melhorias para os consumidores.







