Feijão carioca alcança valor recorde em março com alta de 48,3% no primeiro trimestre

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Feijão Foto: Feijão - artbyPixel/istock.com

O preço do feijão no mercado brasileiro registrou uma nova e significativa escalada em março, atingindo o maior nível da série histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), iniciada em setembro de 2024. Este avanço notável se consolidou após o valor médio do feijão carioca ultrapassar as marcas de fevereiro, reafirmando uma tendência de valorização que tem se observado ao longo do ano de 2026.

Os dados mais recentes indicam que o feijão carioca de alta qualidade, classificado com notas 9 ou superiores, apresentou um preço médio até 26 de março 8,3% acima do que foi registrado no mês anterior. Comparando-se com o mesmo período em março de 2025, a elevação impressiona, chegando a 34%. No acumulado do primeiro trimestre deste ano, a alta já alcança notáveis 48,3%, evidenciando uma pressão contínua e intensa sobre o mercado e os consumidores.

Além da categoria de elite, o feijão carioca com notas entre 8 e 8,5 também acompanhou o movimento de valorização. A média parcial de março superou em 7,1% a de fevereiro, e está 42,2% acima do valor verificado no mesmo período do ano passado. No balanço trimestral, o avanço acumulado atinge 43,9%, confirmando um movimento consistente de alta que afeta todas as variedades do grão.

Restrição de oferta impulsiona cotações

Pesquisadores do Cepea apontam que o cenário de alta nos preços do feijão está diretamente ligado à severa restrição de oferta no mercado interno. Diversos fatores têm contribuído para essa escassez, criando um ambiente de pressão ascendente sobre as cotações do grão. Essa dinâmica complexa tem sido monitorada de perto pelos especialistas do setor.

Entre os principais elementos que influenciam esse movimento estão as dificuldades climáticas enfrentadas durante o período de colheita, que comprometeram a qualidade e o volume produzido. Adicionalmente, houve uma redução significativa na área cultivada durante a primeira safra, um reflexo de decisões de produtores diante de incertezas e custos.

A expectativa de uma produção menor na segunda safra, especialmente em estados chave como o Paraná, também contribui para a sustentação dos preços em patamares elevados. A combinação desses elementos, desde problemas no campo até projeções futuras, tem moldado a realidade do mercado de feijão ao longo de 2026, impactando diretamente a mesa dos brasileiros.

Impacto da redução da área plantada

A decisão dos agricultores de reduzir a área cultivada com feijão na primeira safra de 2026 não foi aleatória. Ela reflete uma série de incertezas econômicas e climáticas que afetam o setor agrícola. Muitos produtores optaram por culturas mais rentáveis ou com menor risco, como a soja e o milho, devido aos melhores preços e menor exposição a intempéries.

Essa mudança na matriz de produção tem consequências diretas para a disponibilidade do grão no mercado. Menos áreas plantadas significam, invariavelmente, menor volume colhido, o que, em um país com alta demanda por feijão, rapidamente se traduz em escassez e aumento de preços. A dinâmica da oferta e demanda é um motor fundamental nesse cenário atual.

Adicionalmente, os custos de produção, que incluem sementes, fertilizantes, defensivos e mão de obra, continuaram a subir. Essa elevação dos insumos pressiona a rentabilidade do produtor, levando a escolhas que visam mitigar riscos financeiros. A relação entre custo de produção e preço final é um componente crucial na formação das cotações do feijão.

Cenário do feijão preto no mercado

Embora com variações mais moderadas em comparação ao feijão carioca, os preços do feijão preto também se mantêm em um patamar elevado, refletindo a pressão geral do mercado de leguminosas. Esta variedade, largamente consumida em diversas regiões do país, não escapa das tendências de valorização observadas em outros tipos de feijão.

A média de março para o feijão preto apresentou uma leve alta de 0,11% em relação ao mês anterior. Na comparação anual, o avanço foi de 0,4%, o que, à primeira vista, pode parecer discreto. No entanto, o acumulado dos três primeiros meses de 2026 revela uma recuperação expressiva de 32,2%, indicando uma valorização consolidada no médio prazo.

Essa elevação, mesmo que mais gradual, demonstra a interconexão do mercado de feijão como um todo, onde a escassez de uma variedade pode influenciar a demanda e os preços de outras. Os fatores de oferta restrita e custos de produção também atuam sobre o feijão preto, embora com intensidades ligeiramente diferentes, dada a diversidade de regiões produtoras e hábitos de consumo.

Desafios climáticos e logísticos

Os eventos climáticos extremos têm se tornado uma constante e representam um dos maiores desafios para a agricultura brasileira. Secas prolongadas em algumas regiões e excesso de chuvas em outras têm impactado diretamente as lavouras de feijão, dificultando o plantio, o desenvolvimento da cultura e, crucialmente, a colheita. Essas adversidades meteorológicas são imprevisíveis e onerosas para o produtor.

Além das questões climáticas, os desafios logísticos também contribuem para a pressão nos preços. O transporte do grão desde as áreas de produção até os grandes centros consumidores envolve custos crescentes de combustível e infraestrutura inadequada em algumas regiões. Esses fatores elevam o preço final do produto, antes mesmo de chegar às prateleiras.

A cadeia de distribuição do feijão, que inclui cooperativas, atacadistas e varejistas, também adiciona seus próprios custos e margens. A eficiência dessa cadeia é fundamental para minimizar os impactos dos aumentos na produção. Qualquer gargalo logístico ou comercial acaba por ser repassado, em última instância, ao consumidor final.

Perspectivas e próximos meses

Diante do cenário atual, as perspectivas para os próximos meses no mercado de feijão indicam a manutenção dos preços em patamares elevados, pelo menos no curto prazo. A menor oferta da primeira safra e as incertezas quanto à segunda safra continuam a ser os fatores determinantes para a sustentação das cotações.

Especialistas do setor agrícola monitoram de perto as condições climáticas e o desenvolvimento da segunda safra, conhecida como “safra das águas”. Qualquer alteração significativa nas previsões de colheita pode provocar novas oscilações no mercado. A recuperação dos estoques e a estabilização dos preços dependem de uma oferta mais abundante e consistente.

Consumidores e varejistas devem permanecer atentos às flutuações, buscando alternativas e promoções para mitigar o impacto no orçamento doméstico. A busca por outros tipos de leguminosas ou a adaptação de hábitos de consumo pode se tornar uma estratégia comum enquanto o mercado do feijão não encontra um ponto de equilíbrio mais acessível para a população brasileira.

O peso do feijão na mesa do brasileiro

O feijão é um alimento básico e essencial na dieta do brasileiro, presente na maioria dos lares diariamente. Seu preço possui um peso significativo no índice de inflação dos alimentos, impactando diretamente o poder de compra das famílias, especialmente as de menor renda. A alta persistente do grão gera preocupações sociais e econômicas.

Para muitos, a combinação de arroz e feijão não é apenas uma tradição cultural, mas uma fonte primordial de proteína e nutrientes. A elevação dos custos desse alimento pode levar a mudanças nos padrões alimentares, com famílias sendo forçadas a reduzir o consumo ou substituir o feijão por opções menos nutritivas ou mais baratas, comprometendo a segurança alimentar.

A situação do feijão em 2026, com recordes de preço e valorização acumulada, reflete a complexidade do agronegócio e a sensibilidade dos alimentos básicos às dinâmicas de produção, clima e mercado. A monitorização contínua e a busca por soluções que garantam a sustentabilidade da produção e a acessibilidade para o consumidor são essenciais para o equilíbrio social e econômico do país.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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