Real ganha força frente ao dólar, que cai para R$5,01 em 10 de abril impulsionado por tréguaPor Carolina Costa
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A moeda norte-americana registrou uma queda acentuada em relação ao real na manhã desta sexta-feira, 10 de abril de 2026, refletindo um movimento global de desvalorização do dólar frente a outras divisas de economias emergentes. Este cenário é impulsionado pelo crescente otimismo de investidores internacionais em relação a um possível cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, evento que promete aliviar tensões geopolíticas.
Às 10h38, o dólar à vista operava com uma baixa de 0,89%, sendo negociado a R$5,0175 na venda, aproximando-se da marca psicológica de R$5,00. Paralelamente, no mercado de futuros da B3, o contrato de dólar para maio, considerado o mais líquido atualmente, registrava um recuo de 0,93%, atingindo R$5,0350.
No dia anterior, a quinta-feira, o dólar à vista já havia encerrado as operações em baixa de 0,80%, fechando em R$5,0626. Este patamar representou o menor valor de fechamento desde abril de 2024, evidenciando uma tendência de valorização da moeda brasileira diante da dissipação de riscos externos e das expectativas de reabertura de rotas comerciais vitais.

Cenário geopolítico e seus desdobramentos nos ativos brasileiros
O principal catalisador para a recente queda do dólar tem sido o avanço das negociações para um cessar-fogo no Oriente Médio, especificamente entre os Estados Unidos e o Irã. A expectativa de que as tensões na região diminuam significativamente tem gerado um alívio nos mercados globais, com reflexos diretos na aversão ao risco. Investidores tendem a buscar ativos de mercados emergentes em períodos de maior estabilidade internacional.
A possível reabertura do Estreito de Ormuz ao tráfego de petroleiros é outro fator crucial. Embora a maioria dos navios que circulam por Ormuz ainda esteja ligada ao Irã, as conversas iniciais de paz entre representantes dos EUA e do Irã, previstas para começar no sábado no Paquistão, alimentam a esperança de uma normalização completa do tráfego. Isso impacta diretamente os preços do petróleo e, consequentemente, a percepção de risco global.
Movimento do DXY e a influência sobre outras moedas emergentes
Em sintonia com este cenário de redução da aversão ao risco, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, tem sustentado baixas. Ao operar abaixo da marca de 100 pontos, o DXY sinaliza uma desvalorização generalizada da moeda norte-americana, o que amplifica a força de outras divisas.
Essa tendência não se limita ao real brasileiro, mas é observada em outras moedas de países emergentes, como o peso chileno e o peso mexicano, que também registram valorização frente ao dólar. José Faria Júnior, diretor da consultoria Wagner Investimentos, ressaltou em análise a clientes que “a redução da aversão ao risco com expectativa de cessar-fogo e recuo do DXY para abaixo de 100 provocaram alta do real nos últimos dias, que se aproximou da maior cotação do ano”. Ele acrescentou que o dólar ainda tem espaço para cair um pouco mais, dependendo do movimento contínuo do índice DXY. Este movimento reforça a percepção de que fatores externos têm sido predominantes na atual dinâmica cambial.
Análise do IPCA de março e as expectativas para a taxa Selic
No âmbito doméstico, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,88% em março em comparação com fevereiro. Este número superou as projeções de economistas consultados pela Reuters, que esperavam uma taxa de 0,77%. No acumulado dos 12 meses até março, o IPCA avançou 4,14%, também acima dos 4,00% projetados pelo mercado.
Os dados do IPCA acima do esperado provocaram uma elevação nas taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) de curto prazo na manhã desta sexta-feira. Este resultado reforça as apostas de que o Banco Central brasileiro, ao final do mês, deverá promover um corte de apenas 25 pontos-base na taxa Selic, e não os 50 pontos-base que parte do mercado esperava. Atualmente, a taxa básica de juros do Brasil está em 14,75% ao ano.
A decisão do Banco Central será crucial para o balanço entre controle da inflação e estímulo à atividade econômica. Embora o IPCA tenha vindo acima do esperado, a política monetária segue atenta às variáveis macroeconômicas. A inflação mais persistente pode limitar o espaço para cortes mais agressivos na taxa de juros, o que tem implicações diretas para o custo do crédito e o investimento no país.
O diferencial de juros entre Brasil e EUA e o fluxo de investimentos
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos é um dos fatores historicamente apontados como atrativo para o ingresso de investimentos estrangeiros no país. Atualmente, a taxa de juros nos EUA varia entre 3,50% e 3,75%, enquanto a Selic no Brasil se mantém em 14,75%. Esta diferença substancial torna os ativos brasileiros mais rentáveis para o capital externo, incentivando a entrada de dólares na economia.
Nos últimos meses, este diferencial tem contribuído significativamente para patamares mais baixos das cotações do dólar ante o real. A busca por maior rentabilidade por parte de investidores internacionais resulta em um fluxo positivo de capital que fortalece a moeda nacional. A manutenção de uma Selic elevada, mesmo em um contexto de desaceleração econômica, serve como um ímã para capitais especulativos em busca de rendimentos mais atrativos, o que pressiona o dólar para baixo.
Estratégias do Banco Central para o mercado cambial
Para gerenciar a liquidez e os vencimentos no mercado de câmbio, o Banco Central (BC) atua por meio de leilões de swap cambial. Na manhã desta sexta-feira, às 11h30, o BC realizou um leilão de 50.000 contratos de swap cambial tradicional. Essa operação foi destinada à rolagem do vencimento de 4 de maio, uma medida padrão para evitar desequilíbrios na transição de contratos.
Esses leilões são ferramentas importantes para o Banco Central modular a oferta de dólares no mercado futuro e, indiretamente, influenciar as expectativas sobre a cotação da moeda. A gestão ativa de swaps cambiais é uma das formas pelas quais a autoridade monetária busca estabilizar o mercado e mitigar volatilidades excessivas, garantindo um ambiente mais previsível para os agentes econômicos. A continuidade dessas ações é fundamental para a manutenção da estabilidade financeira.
Expectativas e projeções para a cotação futura da moeda americana
Com os recentes desenvolvimentos no cenário internacional e os dados macroeconômicos domésticos, as projeções para a cotação do dólar permanecem em constante avaliação. A perspectiva de continuidade do cessar-fogo no Oriente Médio e a possibilidade de reabertura completa de rotas comerciais importantes sugerem um cenário global de menor aversão ao risco. No Brasil, embora o IPCA tenha surpreendido para cima, a política monetária atenta e o diferencial de juros ainda oferecem suporte ao real. A evolução das negociações de paz, os próximos passos do Federal Reserve dos EUA e as decisões do Banco Central do Brasil em relação à Selic serão determinantes para os rumos da moeda norte-americana nas próximas semanas.







