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Governo Trump cancela contrato de US$ 11 milhões com Catholic Charities em Miami

Donald Trump
Foto: Donald Trump - mark reinstein / Shutterstock.com
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A administração Trump cancelou um contrato federal de US$ 11 milhões com a Catholic Charities da Arquidiocese de Miami. A medida afeta o atendimento a crianças migrantes que entram nos Estados Unidos sem pais ou responsáveis. O programa funcionava há mais de 60 anos na região da Flórida.

O Escritório de Reassentamento de Refugiados, ligado ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos, mantinha o acordo com a organização para abrigar e cuidar dos menores. A notificação sobre o fim do financiamento ocorreu no final de março. A instituição deve encerrar as atividades em três meses.

Decisão do governo federal

A administração justificou o cancelamento pela redução no número de crianças migrantes desacompanhadas sob custódia federal. O total chegou a cerca de 1.900 na atual gestão, contra pico de aproximadamente 22 mil em período anterior.

O porta-voz do departamento informou que o órgão fecha e consolida instalações não utilizadas. A ação faz parte dos esforços para deter a entrada irregular e o tráfico de menores. A Catholic Charities operava um abrigo equivalente a um sistema de acolhimento temporário financiado pelo governo.

Posição da Arquidiocese de Miami

O arcebispo Thomas Wenski considerou a decisão desconcertante. Ele destacou que o programa serviu de modelo para outras agências em todo o país por sua excelência no atendimento a essa população vulnerável.

Wenski escreveu que o histórico de serviço da organização é incomparável. Mesmo com o número menor de crianças, ele afirmou que será difícil replicar o trabalho realizado pela igreja. A Arquidiocese de Miami divulgou nota sobre o fim da parceria de longa data.

  • O programa atendia menores que chegavam sem acompanhamento desde a década de 1960.
  • A Catholic Charities mantinha estrutura para abrigo e reunificação familiar.
  • A organização atuava separada de agências estaduais que cuidam de casos de abuso e negligência.
  • O contrato envolvia serviços vitais de moradia e suporte aos jovens.
Trump
Trump – Lucas Parker/ Shutterstock.com

Histórico do programa em South Florida

A parceria entre o governo federal e a Catholic Charities remonta à chegada de exilados cubanos. O trabalho começou com a Operação Pedro Pan, que ajudou milhares de crianças enviadas sozinhas para os Estados Unidos naqueles anos.

Desde então, a instituição prestava apoio a menores desacompanhados de diversas origens. O modelo incluía acolhimento em abrigo com capacidade para dezenas de crianças e programas de reunificação. Representantes da igreja destacaram que o serviço ganhou reconhecimento nacional pela qualidade.

Impacto para as crianças em acolhimento

Não ficou claro o destino das crianças que ainda estão sob os cuidados da Catholic Charities. Especialistas alertaram para os riscos de mudanças frequentes de residência.

Robert Latham, da Clínica de Direito da Criança e do Adolescente da Universidade de Miami, observou que transferências podem prejudicar o vínculo afetivo e o senso de identidade dos menores. Ele disse que as crianças já enfrentam situações difíceis e que instabilidade adicional agrava problemas emocionais.

Contexto das tensões com a Igreja Católica

A decisão ocorre em meio a divergências entre o presidente Donald Trump e o Papa Leão XIV sobre temas como imigração e política externa. A administração não vinculou formalmente o cancelamento do contrato a essas diferenças.

O arcebispo Wenski focou na dificuldade de substituir o serviço prestado. Ele pediu que o governo avalie com cuidado a capacidade de replicar o atendimento com o mesmo nível de competência. A Arquidiocese reforçou que o programa ajudou milhares de jovens ao longo das décadas.

O que acontece agora

A Catholic Charities da Arquidiocese de Miami prepara o encerramento gradual das operações ligadas ao contrato federal. A instituição avalia alternativas para manter parte do apoio, mas o corte direto afeta recursos essenciais.

Autoridades federais indicaram que consolidam esforços em outras instalações. O Departamento de Saúde e Serviços Humanos não detalhou planos específicos para os menores atualmente atendidos em Miami. O caso segue em acompanhamento por representantes da igreja e defensores de direitos da criança.

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