Jornalista Frédéric Pommier conta em livro os estupros vividos quando criança e o impacto na vida adulta

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Frédéric Pommier Foto: Frédéric Pommier - Reprodução/YouTube

O jornalista Frédéric Pommier publicou nesta quarta-feira o livro Derrière les arbres. A obra tem formato de romance e relata abusos sexuais que ele afirma ter sofrido entre os 4 e os 7 anos de idade. Pommier trabalha na France Inter e menciona vários agressores no texto. Ele apresentou queixa contra um deles, um ex-político.

O lançamento ocorreu em 15 de abril. O jornalista descreve o livro como uma forma de não carregar mais o segredo sozinho. Ele afirma que as lembranças fragmentadas voltaram na adolescência junto com pesadelos. Um episódio aos 34 anos funcionou como gatilho para recuperar mais detalhes.

O relato no livro

Pommier construiu o texto como uma tragédia em cinco atos. Ele conta que, a cada abuso, o cérebro desligava para permitir que a vida continuasse. A infância não guardava lembranças felizes, segundo o autor. As recordações começaram a surgir na adolescência, quando ele passou a falar com pessoas próximas sobre algo que tinha acontecido.

Ele menciona agressores específicos. Entre eles estão o companheiro da babá, o zelador do prédio, um adolescente conhecido em uma piscina e um ex-político que foi prefeito e parlamentar. Pommier apresentou queixa contra este último há dois anos, mesmo após o prazo de prescrição ter expirado. O agressor foi interrogado pela polícia em janeiro.

O jornalista relata que uma agressão sofrida aos 34 anos no saguão do prédio onde morava trouxe de volta o rosto de um dos agressores da infância. Ele usa frases diretas no depoimento. “Eles roubaram minha infância, massacraram uma parte da minha vida”, afirma. Pommier diz ainda que os abusos afetaram sua capacidade de ser feliz.

O depoimento ao Le Parisien

Pommier concedeu entrevista ao jornal Le Parisien. Ele explicou a motivação para escrever o livro. O objetivo principal é mostrar como o silêncio pode durar décadas e encorajar outras vítimas a denunciarem. O jornalista afirma que hoje se sente melhor e tem uma sensação de paz.

Ele destaca que os fatos não prescindem no livro. A obra serve como registro permanente do que ele viveu. Pommier trabalhou na France Culture antes de chegar à France Inter em 2001. Ele apresenta programas de cultura e revista de imprensa.

Impacto na vida adulta

O jornalista descreve como os abusos influenciaram anos posteriores. Ele menciona pesadelos recorrentes e a dificuldade de acessar memórias completas da infância. O gatilho aos 34 anos intensificou o processo de recordação. Pommier decidiu transformar a experiência em narrativa literária para processar o que aconteceu.

A publicação chega em um momento em que debates sobre violência sexual na infância ganham espaço em diferentes países. O autor não projeta mudanças gerais, mas foca no gesto pessoal de quebrar o silêncio. Ele conclui que, com o livro, sente ter vencido de alguma forma.

  • Os abusos ocorreram entre os 4 e os 7 anos de idade.
  • O livro foi lançado em 15 de abril de 2026 pela editora Flammarion.
  • Pommier apresentou queixa contra um ex-político há dois anos.
  • O agressor foi interrogado pela polícia em janeiro.
  • O jornalista trabalha na France Inter desde 2001.

A forma literária escolhida

Pommier optou por estruturar o relato como romance. Essa escolha permite narrar os eventos de modo organizado, segundo ele. A divisão em cinco atos remete a uma tragédia clássica. O texto evita tom de denúncia seca e busca transmitir o peso emocional vivido.

O autor não detalha processos judiciais em andamento além do que já declarou publicamente. Ele enfatiza o aspecto humano da história. O livro não se limita a fatos cronológicos, mas explora as consequências ao longo do tempo. Pommier nasceu em 1975 e construiu carreira no rádio público francês.

O papel do silêncio e da memória

O jornalista afirma que carregou o segredo por quarenta anos. Ele explica que o cérebro bloqueava as lembranças para sobreviver. Só na adolescência as recordações começaram a voltar. O processo incluiu conversas com familiares e amigos.

Aos 34 anos, uma nova agressão no prédio reacendeu imagens antigas. Esse momento marcou o início de uma reconstrução mais clara. Pommier decidiu escrever para não viver mais em silêncio. Ele espera que o depoimento incentive outras pessoas na mesma situação a procurarem ajuda.

O livro está disponível desde o lançamento. A editora Flammarion é responsável pela publicação. Pommier continua atuante na France Inter, onde apresenta conteúdos culturais.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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