Porsche vende participação e Bugatti deixa Grupo VW após 28 anos

Bugatti F.K.P. Hommage

Bugatti F.K.P. Hommage - Divulgação/Bugatti

A Porsche concordou com a venda de sua participação na Bugatti Rimac e no Rimac Group. O acordo foi assinado em 24 de abril de 2026 e envolve um consórcio internacional. A transação ainda depende de aprovações regulatórias e deve ser concluída antes do fim do ano.

A operação marca o fim de quase três décadas de ligação entre a Bugatti e o Grupo Volkswagen. A Porsche detinha 45% da joint venture criada em 2021 com o Rimac Group, que controlava os 55% restantes. A alemã também possuía 20,6% do Rimac Group. Com a venda, a Rimac assume o controle efetivo da Bugatti.

Porsche reforça foco no negócio principal

Michael Leiters, CEO da Porsche AG, justificou a decisão como parte de uma estratégia de reposicionamento. A montadora pretende se concentrar em seu core business para se tornar mais enxuta e ágil. A empresa enfrenta pressão após o lucro operacional cair de 5,64 bilhões de euros em 2024 para 413 milhões em 2025. Despesas extraordinárias de reestruturação e realinhamento de produtos pesaram no resultado.

  • A Porsche vai sair completamente da joint venture Bugatti Rimac
  • A empresa aliena também sua fatia de 20,6% no Rimac Group
  • O consórcio é liderado pela HOF Capital, de Nova York
  • A BlueFive Capital aparece como maior investidor individual
  • Investidores institucionais dos EUA e da União Europeia completam o grupo

A transação mantém sigilo sobre os valores financeiros, exceto onde exigido por obrigações regulatórias. Analistas estimam que a Bugatti Rimac vale mais de US$ 1 bilhão. A conclusão está prevista para o final de 2026.

Histórico da joint venture criada em 2021

A Bugatti Rimac nasceu em 2021 como parceria entre a Porsche e o grupo croata. A estrutura permitiu que a marca francesa continuasse a desenvolver hipercarros de alto desempenho. Modelos como o Chiron e o futuro Tourbillon surgiram nesse período. A Rimac trouxe expertise em tecnologia elétrica e baterias. A Porsche contribuiu com know-how de engenharia e prestígio da marca.

O acordo atual permite que a Rimac mantenha 55% da Bugatti Rimac e ganhe reforço de capital do novo parceiro. A HOF Capital entra como maior acionista do Rimac Group ao lado de Mate Rimac, fundador da empresa croata e CEO da Bugatti Rimac. A parceria estratégica visa acelerar o crescimento de longo prazo.

Volkswagen comprou Bugatti em 1998

A Volkswagen adquiriu a Bugatti em 1998 junto com Bentley e Lamborghini. O objetivo era fortalecer o portfólio de luxo e melhorar a imagem do grupo. Sob controle alemão, a marca ressurgiu com o Veyron, que estabeleceu novos padrões de potência e tecnologia. O Chiron deu continuidade ao legado de hipercarros extremos.

A passagem pela Volkswagen durou 28 anos. A joint venture de 2021 já indicava uma transição gradual. Agora, a saída total da Porsche encerra a ligação acionária. A Bugatti passa a operar fora do guarda-chuva do Grupo Volkswagen.

Detalhes do consórcio que assume o controle

A HOF Capital lidera o grupo de compradores. A BlueFive Capital, com base em Abu Dhabi, é o maior investidor. O consórcio reúne ainda instituições dos Estados Unidos e da Europa. Após o fechamento, o Rimac Group ganha um parceiro estratégico para expansão. Mate Rimac segue à frente das operações da Bugatti.

A nova estrutura deve permitir investimentos em desenvolvimento de produtos e tecnologia. A Rimac já demonstrou capacidade com o Nevera, hipercarro elétrico de alto desempenho. A Bugatti mantém sua identidade francesa e foco em veículos exclusivos.

Impacto no mercado de hipercarros

A transação ocorre em um momento de ajuste na indústria automotiva de luxo. Montadoras reavaliam portfólios diante de custos elevados de eletrificação e pressão por rentabilidade. A Porsche optou por concentrar recursos em seus modelos esportivos principais. A Bugatti segue com planos independentes sob liderança da Rimac.

O mercado de hipercarros continua atraente para colecionadores e entusiastas. Modelos limitados mantêm alta demanda e preços elevados. A mudança acionária não deve afetar entregas imediatas de veículos já anunciados. A produção da Bugatti continua em Molsheim, na França.