Café com cafeína reduz risco de demência em mais de 50 por cento, aponta estudo
Um estudo longitudinal que acompanhou mais de 130 mil adultos durante mais de quatro décadas identificou que o consumo regular de café com cafeína reduz significativamente o risco de demência. A pesquisa, que coletou dados entre 1980 e 2023, revelou que pessoas que bebem café com cafeína apresentam 50 por cento menos probabilidade de desenvolver demência comparadas àquelas que não consomem a bebida. Os resultados também indicaram melhora expressiva em testes neuropsicológicos que avaliam memória e raciocínio.
Redução de risco documentada em números precisos
Os dados coletados ao longo de mais de quatro décadas permitiram quantificar com precisão o impacto do consumo de café na saúde cerebral. Entre consumidores habituais de café com cafeína, a taxa de incidência de demência foi de 141 casos por 100 mil pessoa-anos. No grupo que não consumia café regularmente, esse índice atingiu 330 casos por 100 mil pessoa-anos, representando uma diferença expressiva. Os pesquisadores ajustaram os dados para diversos fatores de confusão, incluindo idade, estilo de vida, atividade física, dieta geral e condições de saúde preexistentes, reforçando a ligação entre a ingestão da bebida e a redução observada nos casos de demência.

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Benefícios também detectados no consumo de chá
Além do café, o estudo identificou associações positivas com o consumo de chá. Pessoas que preferem chá em vez de café também podem se beneficiar da proteção cerebral, desde que o volume ingerido alcance uma ou duas xícaras por dia. A pesquisa detectou que esses consumidores apresentaram menor incidência de declínio cognitivo e melhores resultados em testes de função mental. Os achados ampliam as opções para quem busca hábitos simples de manutenção da saúde cerebral, pois o estudo não encontrou diferenças expressivas entre variedades específicas de chá. Participantes que combinavam café e chá em quantidades moderadas apresentaram perfis cognitivos ainda mais favoráveis nas avaliações realizadas.
- Taxa de incidência de demência caiu para 141 casos por 100 mil pessoa-anos entre consumidores de café com cafeína.
- No grupo sem consumo habitual, o índice atingiu 330 casos por 100 mil pessoa-anos.
- Quantidades ideais giram em torno de duas a três xícaras diárias de café com cafeína.
- Para chá, o intervalo de uma a duas xícaras por dia mostrou os melhores resultados.
Café descafeinado não apresenta os mesmos efeitos
O café sem cafeína não apresentou associação com redução do risco de demência, conforme revelou a análise. Os autores destacaram que os benefícios cognitivos apareceram exclusivamente nas versões com cafeína, reforçando a importância do componente ativo presente no grão torrado. Pesquisadores observaram que o descafeinado manteve outros aspectos neutros na análise longitudinal, orientando consumidores que buscam alternativas sem cafeína a considerar outros fatores para preservação da saúde mental ao longo dos anos.
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Mecanismos de proteção neuronal identificados
A investigação revelou que indivíduos que ingeriam café com cafeína registraram redução superior a 50 por cento no risco de demência e obtiveram pontuações mais altas em avaliações cognitivas objetivas. Essa diferença se manteve mesmo quando os pesquisadores consideraram variáveis como atividade física, dieta geral e histórico familiar. O padrão sugere que a cafeína exerce papel relevante nos mecanismos de proteção neuronal. Pesquisas anteriores já haviam ligado o consumo moderado de café a menor risco cardiovascular e de acidente vascular cerebral, e a nova análise estende essa linha de investigação para o campo da saúde cognitiva. A coincidência de benefícios em diferentes sistemas do organismo sugere mecanismos compartilhados, como ação antioxidante e melhora do fluxo sanguíneo cerebral.
Metodologia robusta com acompanhamento de quatro décadas
A equipe acompanhou uma coorte grande de homens e mulheres ao longo de mais de 40 anos, com registros que incluíram questionários periódicos sobre hábitos alimentares e exames periódicos de função cognitiva. A metodologia permitiu controlar influências externas e isolar o papel do consumo de bebidas. Resultados permaneceram consistentes em subgrupos divididos por sexo, faixa etária e nível socioeconômico. A amplitude temporal da coleta de dados conferiu robustez aos achados e reduziu viés de memória comum em estudos retrospectivos. Os autores publicaram o trabalho em periódico científico de alto impacto, incluindo ajustes avançados para comorbidades e uso de medicamentos que poderiam interferir nos resultados cognitivos.
Aplicações práticas para a vida cotidiana
Adultos que já incluem café ou chá na rotina podem continuar o hábito com base nesses indicadores de proteção cerebral. O estudo não recomenda iniciar o consumo apenas por prevenção, mas reforça que quantidades moderadas se associam a melhores marcadores de saúde cerebral. Profissionais de saúde podem incorporar essas informações em orientações gerais sobre estilo de vida. O foco permanece na moderação, pois excessos de cafeína trazem outros riscos conhecidos, como alterações no sono ou aumento da pressão arterial em pessoas sensíveis. A coorte incluiu participantes de diferentes origens geográficas e perfis demográficos, aumentando a possibilidade de generalização dos resultados para contextos variados. O período de acompanhamento longo permitiu observar desfechos reais de saúde em vez de apenas marcadores intermediários, conferindo maior peso às conclusões sobre redução de risco ao longo da vida adulta e na terceira idade.

















