Um surto de hantavírus atingiu o navio de expedição MV Hondius durante cruzeiro que partiu da Argentina em abril. Três passageiros morreram e oito casos foram confirmados a bordo. A embarcação holandesa segue isolada no Atlântico com aproximadamente 150 pessoas entre passageiros e tripulação de 23 nacionalidades diferentes.
As autoridades de saúde monitoram passageiros que já desembarcaram e retornaram para vários países. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o risco para o público em geral permanece baixo. O navio saiu de Ushuaia em 1º de abril com destino a regiões remotas da Antártica e ilhas do Atlântico Sul, incluindo Geórgia do Sul, Tristão da Cunha, Santa Helena e Ascensão.
Primeiros casos surgiram no início de abril a bordo
O primeiro passageiro a apresentar sintomas foi um homem holandês de 70 anos. Ele desenvolveu febre, dor de cabeça e diarreia no dia 6 de abril. A condição evoluiu rapidamente para insuficiência respiratória e ele morreu a bordo em 11 de abril. Sua esposa, de 69 anos, também holandesa, foi evacuada do navio e faleceu em 26 de abril após passar mal em um aeroporto na África do Sul.
Um terceiro passageiro, cidadão alemão, faleceu no navio em 2 de maio. Até o momento, oito casos foram identificados no total, com cinco confirmados por testes laboratoriais. Três pessoas continuam apresentando sintomas leves a bordo e recebem monitoramento contínuo. Um passageiro suíço que desembarcou testou positivo e recebe tratamento em Zurique.
Transmissão ligada à cepa Andes com contágio interpessoal
O vírus pertence à cepa Andes, variante comum na América do Sul. Diferentemente da maioria dos hantavírus, essa cepa pode se transmitir entre humanos em contato próximo. A transmissão inicial provavelmente ocorreu por contato com roedores, possivelmente durante excursões em Ushuaia antes do embarque na Argentina. A Argentina registra casos de hantavírus com frequência, influenciados por mudanças climáticas que aumentam populações de roedores nas áreas rurais.
No ambiente do navio, as condições de convivência em espaço restrito contribuíram para novos casos. Passageiros e tripulação compartilham cabines e áreas comuns, facilitando contato próximo entre as pessoas. Amostras coletadas confirmaram o vírus em pelo menos dois pacientes, enquanto outras continuam em análise laboratorial.
Protocolos rigorosos mantidos a bordo da embarcação
- O navio visitou áreas remotas como Antártica continental, Geórgia do Sul, Tristão da Cunha, Santa Helena e Ascensão durante a expedição.
- Equipes médicas subiram no navio para avaliação de dois tripulantes com sintomas respiratórios que precisam de atendimento urgente.
- Equipes de saúde rastreiam mais de 80 contatos em voos de retorno para países como Reino Unido, África do Sul, Estados Unidos, Suíça e Países Baixos.
- Três passageiros evacuados seguem para os Países Baixos em coordenação com a Organização Mundial da Saúde.
A operadora Oceanwide Expeditions informou que todas as pessoas a bordo seguem medidas rigorosas de higiene e isolamento. O MV Hondius deixou o litoral de Cabo Verde e segue para as Ilhas Canárias, na Espanha. Autoridades espanholas preparam recepção com protocolos específicos de saúde para o desembarque seguro dos passageiros assintomáticos.
Investigação apura origem exata da infecção
Especialistas investigam se o contato inicial com o vírus aconteceu em terra, antes do embarque em Ushuaia, ou em áreas remotas visitadas pela embarcação durante a expedição. Nenhum caso anterior de hantavírus foi registrado na província exata de partida, segundo autoridades locais argentinas. A cepa Andes já causou surtos com transmissão interpessoal limitada em eventos com aglomeração em outras ocasiões.
Risco global avaliado como baixo pela OMS
A Organização Mundial da Saúde reforçou que o hantavírus não se espalha como covid ou influenza. A transmissão exige contato próximo com partículas virais de roedores ou, no caso da cepa Andes, com pessoas infectadas em proximidade prolongada. Não há evidência de disseminação comunitária fora do navio em nenhum dos países que receberam passageiros retornados.
Países que receberam passageiros ativaram protocolos de rastreamento e monitoramento. Hospitais na Europa e na África do Sul testam e isolam suspeitos conforme necessário. Viajantes para áreas com roedores devem evitar contato direto com animais selvagens e ambientes contaminados. Sintomas iniciais incluem febre, dor muscular, dor de cabeça e problemas gastrointestinais que podem evoluir rapidamente para problemas respiratórios graves.
Não existe vacina ou tratamento específico para o hantavírus. O cuidado é de suporte, com suporte respiratório quando necessário. A taxa de mortalidade varia conforme a cepa e o acesso a cuidados médicos adequados. Na cepa Andes, ela pode ultrapassar 30% em alguns surtos. As autoridades recomendam que ex-passageiros do MV Hondius procurem atendimento médico se apresentarem sintomas nas próximas semanas, considerando que o período de incubação pode chegar a oito semanas em casos raros.
