Satélite Gaia confirma fusão entre Via Láctea e Andrômeda com 90% de probabilidade

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Novos cálculos baseados em medições precisas do satélite Gaia elevam para 90% a probabilidade de fusão entre a Via Láctea e Andrômeda nos próximos 10 bilhões de anos. O estudo, publicado em março de 2026, incorpora os movimentos próprios mais refinados de estrelas na galáxia vizinha, reduzindo significativamente as incertezas que pairavam sobre o destino das duas gigantes cósmicas. Os halos de matéria escura das galáxias, cada um contendo aproximadamente um trilhão de massas solares, já se encontram em contato gravitacional. A velocidade relativa atual entre elas atinge 110 quilômetros por segundo, mantendo uma trajetória de aproximação contínua.

Dados refinados do Gaia transformam previsões astronômicas

Pesquisadores realizaram 10 mil simulações de trajetórias futuras para mapear o comportamento do grupo local de galáxias, incluindo Via Láctea, Andrômeda, M33 e a Grande Nuvem de Magalhães. Os cálculos incorporam os movimentos próprios mais precisos disponíveis para estrelas em Andrômeda, obtidos por observações refinadas do satélite europeu. O tempo médio previsto para a fusão chega a 6,5 bilhões de anos, com margem de incerteza entre 5 e 7,8 bilhões de anos. Essa abordagem contrasta com análises de 2025 que estimavam apenas 50% de chance de fusão, considerando incertezas maiores nas massas e posições das galáxias.

As medições do Gaia reduziram parte da margem de dúvida que pairava sobre o encontro inevitável. Os movimentos próprios agora disponíveis, com incertezas inferiores a 2 microssegundos de arco por ano, permitiram aos astrônomos restaurar em grande parte a visão clássica sobre o destino das duas galáxias. As projeções frontais e laterais revelam padrões de órbitas com densidade de probabilidade variável ao longo do tempo.

Processo de fusão cria Milkomeda sem colisão direta entre estrelas

  • O vasto espaço interestelar permite que sistemas estelares se entrelaçem sem choques físicos diretos.
  • Os discos espirais das duas galáxias se distorcem e se misturam, formando uma estrutura elíptica gigante.
  • A galáxia resultante, batizada como Milkomeda, terá aproximadamente o dobro da massa estelar e de matéria escura da Via Láctea atual.
  • O Sol permanecerá ativo durante as fases iniciais da fusão, com expectativa de vida restante de cerca de 7,6 bilhões de anos.

As simulações computacionais mostram que o processo envolve o embaralhamento dos discos estelares das duas espirais sem colisões entre corpos celestes individuais. As distâncias imensas que separam as estrelas no interior das galáxias garantem que nenhuma colisão direta ocorra. Um observador hipotético na Terra conseguiria ver as duas galáxias se aproximando enquanto as estrelas preenchem o céu noturno com configurações em constante mudança.

Influência de galáxias menores complexifica dinâmica do grupo local

A Grande Nuvem de Magalhães e M33 desempenham papéis secundários, mas relevantes, nas simulações completas. A órbita perpendicular da Grande Nuvem de Magalhães em relação ao plano principal das duas gigantes introduz incertezas adicionais nas projeções. Mesmo assim, a inclusão de M33 nas simulações tende a aumentar a chance geral de fusão entre Via Láctea e Andrômeda. As trajetórias simuladas para 100 caminhos selecionados aleatoriamente demonstram variações significativas na separação entre os centros das galáxias ao longo do tempo.

As linhas que representam as órbitas destacam a densidade de probabilidade em diferentes posições ao longo de bilhões de anos. Em cerca de 90% das trajetórias analisadas, a fusão ocorre dentro do intervalo de 10 bilhões de anos. O tempo mediano de 6,5 bilhões de anos concentra a maior parte das ocorrências prováveis, refletindo as limitações atuais nas medições precisas de movimentos estelares distantes.

Futuro isolado aguarda Milkomeda em universo em expansão

Após a fusão completa, o universo em expansão acelerada deixará Milkomeda em um ambiente cada vez mais isolado. Dentro de cem bilhões de anos, a galáxia gigante ficará cercada por regiões de vácuo cósmico. Estrelas hipervelozes ejetadas durante o processo podem servir como evidências indiretas da expansão universal mesmo em escalas de tempo extremamente longas. O processo completo de fusão se estende por bilhões de anos, com múltiplas passagens e interações gravitacionais antes da estabilização final em uma galáxia elíptica.

Durante esse período, o céu noturno sofreria transformações visíveis em escalas de tempo geológicas e astronômicas. As estrelas se redistribuiriam em novos padrões orbitais ao redor do centro combinado. Os halos de matéria escura, que já se tocam atualmente, iniciam o processo de interação gravitacional em larga escala. Os núcleos luminosos, ricos em estrelas, seguem trajetórias que levam ao embaralhamento progressivo dos discos até a formação da estrutura elíptica final.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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