Sistema estelar triplo TIC 295741342 cria eclipse triplo raro detectado pela TESS

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Sistema estelar triplo - Nazarii Neshcherenskyi/ Istockphoto.com

Sistema estelar triplo - Nazarii Neshcherenskyi/ Istockphoto.com

Astrônomos identificaram um sistema estelar triplo onde as três estrelas se eclipsam mutuamente do ponto de vista da Terra. A missão TESS da NASA registrou o fenômeno no objeto TIC 295741342, localizado a 3.080 anos-luz de distância. O sistema reúne duas estrelas semelhantes ao Sol em uma binária interna e uma terceira estrela maior que as orbita.

O alinhamento preciso permite que os eclipses ocorram de forma tripla. Isso torna o caso um dos mais estudados entre os sistemas triplos conhecidos.

Binária interna tem estrelas quase idênticas ao Sol

Duas estrelas principais formam o par central do sistema. Elas possuem massa e tamanho próximos aos do Sol e orbitam uma à outra em 4,75 dias. A cada ciclo, uma passa na frente da outra e causa uma queda no brilho total observado.

Essas estrelas são do tipo sequência principal. Seus eclipses internos geram o padrão característico de “ombros” na curva de luz captada pelo TESS.

A estrela externa, com 1,7 massas solares e 10,6 vezes o raio do Sol, completa uma volta em torno da binária a cada 412,8 dias. Quando ela se posiciona na frente do par, o eclipse se aprofunda e forma a “cabeça” do padrão.

  • As duas estrelas da binária contribuem com cerca de 2,7% e 2,3% da luz total no comprimento de onda observado pelo TESS.
  • A estrela gigante responde por aproximadamente 95% do brilho do sistema.
  • O alinhamento coplanar é quase perfeito, com inclinação mútua muito baixa.
  • O sistema está a 3.080 anos-luz da Terra.

Curva de luz revela padrão de cabeça e ombros

O satélite TESS monitorou o brilho ao longo do tempo em diferentes setores. Os dados mostram quedas repetidas que seguem uma sequência específica. Primeiro ocorre o eclipse entre as duas estrelas internas. Depois a gigante externa encobre as duas ao mesmo tempo.

Essa configuração produz o formato de “cabeça e ombros” na curva invertida. O evento completo foi registrado com clareza no Setor 33 da missão.

O astrônomo Brian Powell, do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, analisou os dados. Ele destacou que poucos sistemas triplos apresentam alinhamento tão preciso em uma configuração tão ampla.

Formação por fragmentação de disco protoestelar

Astrônomos acreditam que as três estrelas surgiram de um mesmo disco de gás e poeira. O disco se fragmentou e deu origem às companheiras. Depois ocorreu migração orbital para dentro.

Essa via de formação explica o alinhamento coplanar. Em outros sistemas triplos, a estrela externa costuma ser capturada em ângulo diferente.

O processo de fragmentação de discos não é raro. Centenas de casos semelhantes foram catalogados graças ao Kepler e ao TESS. Mas poucos recebem o nível de detalhamento aplicado a TIC 295741342.

Modelo combina luz, velocidades e evolução estelar

Pesquisadores usaram 48 espectros de velocidade radial coletados ao longo de quatro anos. Os dados vêm do telescópio TRES. A modelagem espectrofotodinâmica integrou curvas de luz, tempos de eclipse, distribuição de energia espectral e velocidades.

Dois cenários se mostraram compatíveis. Em um, a gigante sobe pelo ramo gigante vermelho. No outro, ela está no ramo horizontal e seguirá para o ramo assimptótico gigante.

Em ambos os casos, a estrela externa deve encher o lobo de Roche no futuro. Isso pode levar a transferência de massa estável para a binária ou a uma evolução de envelope comum, com possível ejeção de material ou fusão.

Próximo eclipse externo previsto para setembro

Os cálculos indicam que o próximo eclipse da estrela gigante sobre a binária deve ocorrer em 1º de setembro de 2026. Observadores têm uma janela de mais ou menos três dias para registrar o evento completo.

Novos dados podem refinar os parâmetros do sistema. O alinhamento permite medições precisas de raios, massas e órbitas.

O sistema oferece oportunidade rara para estudos de evolução estelar em tempo real. Astrônomos planejam monitoramento contínuo nos próximos anos.

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