Uma análise baseada em imagens de satélite identificou forte crescimento na infraestrutura de produção de mísseis na China. Mais de 60% das instalações ligadas ao setor apresentaram sinais de expansão. O movimento reforça a capacidade do país de fabricar projéteis em grande escala.
A CNN examinou 136 complexos relacionados à produção de mísseis ou à Força de Foguetes do Exército de Libertação Popular. Destes, 65 fábricas, centros de pesquisa e áreas de teste ampliaram a área construída em mais de 2 milhões de metros quadrados entre o início de 2020 e o final de 2025.
Novas torres, bunkers e estruturas de contenção surgiram nas imagens. Em alguns pontos, é possível identificar componentes de mísseis. O ritmo de obras acelerou especialmente após 2022.
Imagens de satélite expõem escala das obras
Os dados vêm de cruzamento entre fotos aéreas, mapas públicos e comunicados oficiais. A CNN localizou instalações das duas principais empresas estatais de defesa chinesas e suas subsidiárias. Muitos locais substituíram vilarejos e áreas agrícolas por galpões industriais.
- 99 instalações ligadas diretamente à fabricação de mísseis
- 65 delas com expansão confirmada de área construída
- 37 bases da Força de Foguetes, sendo 22 ampliadas
- Crescimento total superior a 2 milhões de metros quadrados
Especialistas observam que o ganho de espaço pode multiplicar a capacidade produtiva de certos tipos de projéteis. O esforço abrange mísseis convencionais e nucleares.
Xi Jinping prioriza força de foguetes desde 2012
O líder chinês destinou bilhões de dólares à modernização das Forças Armadas desde que assumiu o poder. A Força de Foguetes recebeu atenção especial. Autoridades descrevem o ramo como núcleo de dissuasão estratégica.
O Exército de Libertação Popular conta com mais de 2 milhões de militares na ativa. As instalações de mísseis abastecem praticamente todos os ramos. Analistas ligam o movimento à estratégia regional, com foco em possíveis cenários envolvendo Taiwan.
Expansão coincide com tensões no Leste Asiático
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, visitou a região recentemente. Encontros com Xi Jinping trataram de comércio, mas também de questões de segurança. Trump orientou o Pentágono a retomar testes nucleares em igualdade com China e Rússia.
Pequim aumenta seu arsenal nuclear em cerca de 100 ogivas por ano desde 2023. O total ainda fica atrás dos estoques americano e russo. Ao mesmo tempo, a China investiu em mísseis anti-navio e sistemas de longo alcance.
Lições da guerra na Ucrânia influenciam planos chineses
Observadores indicam que o conflito russo-ucraniano serviu de laboratório. A China acompanha o uso combinado de drones baratos e mísseis mais potentes para saturar defesas aéreas.
Estimativas anteriores sobre quantidade de projéteis necessários em eventual conflito subiram após 2022. O objetivo seria criar uma bolha de negação de acesso para limitar intervenção externa em Taiwan.
Decker Eveleth, analista do CNA, explica que a estratégia envolve atacar portos, bases e linhas de suprimento. O foco é impedir apoio logístico a partir do mar.
Orçamento de defesa chinês segue em alta
No início de 2025, Pequim aprovou aumento de 7,2% nos gastos militares oficiais, chegando a cerca de US$ 245 bilhões. É o quarto ano seguido de crescimento acima de 7%. Especialistas estimam que o valor real seja maior.
Enquanto isso, os Estados Unidos enfrentam desafios de abastecimento de munições em apoio a Ucrânia e Israel. O Pentágono registrou aumento de 50% no estoque chinês de mísseis nos anos anteriores, segundo relatório de dezembro de 2024.
Corrupção interna gera dúvidas sobre capacidade real
Uma campanha anticorrupção atingiu altos oficiais da Força de Foguetes, incluindo ex-ministros da Defesa. Autoridades americanas veem risco à confiabilidade operacional das tropas.
Apesar disso, a expansão física das instalações prossegue. William Alberque, do Pacific Forum, classifica o momento como fases iniciais de uma nova corrida armamentista. Ele afirma que a China já corre em velocidade máxima.
A CNN solicitou posicionamento do Ministério da Defesa chinês sobre os achados. Não houve resposta imediata até a publicação.

